Atividade Econômica em Bases Ecológicas, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

  [EcoDebate] Se olharmos o sistema econômico retratado pelo fluxo circular da riqueza, no qual famílias e empresas interagem comprando bens e serviços (consumo) e fazendo pagamentos a fatores produtivos (rendimentos), presenciaremos a ausência do meio ambiente, dos recursos naturais, da existência de poluição (no descarte de produtos), da depleção dos serviços ecossistêmicos. O que fica enaltecido diante desse fluxo é a incidência de uma economia completamente isolada dos fatores ecológicos, distante

Consumo que virou consumismo, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] Foi a partir do crescimento exponencial da economia global, alterando substancialmente as relações existentes “dentro” do meio ambiente, que se estabeleceu a suprema e inadiável necessidade de uma reflexão mais detalhada e mais cuidadosa entre a economia e a ecologia. Até a chegada da Revolução Industrial, a economia “cabia” dentro da ecologia; o sistema econômico era pequeno em relação à grandeza de um sistema ambiental que lhe fornecia matéria e

Equívocos dos Economistas, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] "A economia é como um organismo faminto em fase de crescimento. Ela consome recursos naturais como árvores, peixes e carvão. Deles, produz energia e bens úteis e cospe resíduos como dióxido de carbono, lixo e água suja. A maioria dos economistas se preocupa com o sistema circulatório do organismo e em como a energia e os recursos podem ser eficientemente alocados. E tende a ignorar seu sistema digestivo: os

Criando riqueza e destruindo o planeta, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] Não pairam dúvidas sobre a capacidade inigualável da economia capitalista globalizada em atingir especificamente quatro pontos: criar riqueza, expandir o crédito, estimular os avanços tecnológicos e assegurar o crescimento físico das economias de mercado. Com isso, fica enaltecido o dogma do progresso, consubstanciando de forma equivocada o padrão de vida humana numa perspectiva de acumulação material. É correto afirmar que, ao menos nesses quatro pontos, a economia capitalista conseguiu nos

A Percepção Ecológica da Vida, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] Num texto datado de 1882, um mestre da comunidade dos Himalaias (próximo ao planalto tibetano) escreveu que “a natureza uniu todas as partes do seu Império por meio de fios sutis de simpatia magnética, e há uma relação mútua até mesmo entre uma estrela e um homem”. Quem traz esse texto à tona é Carlos Cardoso Aveline, em seu livro “A Vida Secreta da Natureza” (ed. Bodigaya, 156 págs), procurando

Projeto ‘Década da Biodiversidade’, por Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] Agrada-me, sobremaneira, conceituar biodiversidade como sendo a exuberância da vida na Terra, incluindo, obviamente, a participação da nossa espécie. Afinal de contas, somos “provenientes” de um longo processo biológico; somos também espécie de “fruto” da biodiversidade, uma vez que nosso corpo mantém mais de 100 trilhões de células compartilhando átomos com tudo o que está ao nosso redor, enaltecendo, pois, a exuberância da vida. Somos todos, em outras palavras,

‘Overshoot’ Ecológico, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] A maior urgência política da nossa época é conter a grave crise ecológica. Essa grave crise, gestada no seio da ecologia, é fruto da distorcida visão social do progresso que faz a humanidade correr tresloucadamente em busca da satisfação ilimitada dos desejos materiais; para isso, põe a roda da economia (atividade produtiva) para girar com mais força e rapidez, expandindo a qualquer custo a máquina de produzir suntuosidades. É

O posicionamento ecológico deve estar acima do econômico, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] Sem retórica ou exagero desmesurado, uma das mais urgentes necessidades em termos de organização da sociedade é a de conciliar desenvolvimento econômico com a promoção do desenvolvimento social, respeitando e resguardando o meio ambiente. A ideia central é procurar compatibilizar as dimensões econômica, social e ambiental; ponto de partida para tentar superar o dilema dicotômico entre “crescer” e “preservar o equilíbrio ecológico”; dito de outra forma, entre “prosperar” (econômica

Uma economia só é sustentável quando respeita os princípios da ecologia, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] Foi o mercado que formou o atual e devastador modelo econômico que, por se sustentar numa escala de produção crescente para “satisfazer” níveis de consumo exagerados, dilapida os principais serviços ecossistêmicos, exaurindo recursos ambientais acima da capacidade de regeneração do sistema ecológico. Mesmo tal nível de consumo não sendo extensivo a todos, visto estar concentrado em poucas mãos, fere substancialmente o patrimônio natural. Os números que conformam esse argumento

Limitar o crescimento quantitativo para obter o desenvolvimento qualitativo, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] O crescimento contínuo da atividade econômica é incompatível com uma biosfera (conjunto de todos os ecossistemas da Terra) finita. Insistir num crescimento físico da economia, tendo em conta que os recursos naturais são limitados e, muitos, não renováveis, somente gera mais custos (ambientais) que benefícios (econômicos). A poluição do ar e dos oceanos, a extinção de espécies, cardumes ameaçados, a perda considerável de ecossistemas, chuvas ácidas, buraco de ozônio, esgotamento

Para promover qualidade de vida a economia não precisa aumentar de tamanho, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

  Ilustração por José Eustáquio Diniz Alves   [EcoDebate] Pelas lentes exclusivas das Ciências Econômicas, o desempenho econômico das nações modernas pode ser medido, grosso modo, levando-se em consideração dois aspectos: 1. A promoção do aumento substancial da renda per capita e familiar e, 2. Estimular mecanismos que asseguram por todos os meios às possibilidades de promoção de continuidade da vida digna e plena. A primeira condição é de amplo conhecimento de qualquer

Atividade Econômica, Atmosfera e Termodinâmica, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] O principal dogma da ciência econômica continua sendo a estapafúrdia ideia de fazer a economia crescer continuamente para “ofertar” a todos uma vida boa. A intenção em si é benevolente, contudo, isso não é factível. Enquanto a ciência econômica continuar estabelecendo a produção econômica como o mais ilustrativo paradigma de prosperidade, convertendo isso em regra de comportamento, estaremos fadados a conviver com um meio ambiente cada vez mais degradado. Definitivamente,

Se não há Meio Ambiente, não há Economia, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    Se não há Meio Ambiente, não há Economia, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira [EcoDebate] No caminho da prosperidade, as economias modernas devastaram boa parte dos recursos naturais. Em nome do crescimento econômico, a atividade industrial dilapidou os serviços ecossistêmicos (responsáveis pela manutenção da biodiversidade), desfigurando a natureza em várias frentes. Indiscutivelmente, mudanças climáticas foram – e estão sendo – provocadas pelo “homem-econômico”. O objetivo? Fazer a economia crescer exponencialmente produzindo

Por uma Economia pautada na ideia do decrescimento, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

  Gráfico de José Eustáquio Diniz Alves   [EcoDebate] Enquanto a lógica do sistema econômico herdada dos ensinamentos da economia clássica estiver centrada na ideia do crescimento, a economia continuará cometendo o seu mais grave erro ao considerar os recursos naturais como algo infinito, ignorando os limites da biosfera no que tange à sua capacidade de prover recursos e absorver dejetos. Romper com essa lógica dominante e buscar estabelecer uma economia pautada na

A Economia é um subsistema do Meio Ambiente, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    A Economia é um subsistema do Meio Ambiente, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira [EcoDebate] Definitivamente, a economia neoclássica têm sérias dificuldades em aceitar o fato de que a economia é apenas um subsistema do meio ambiente. Centrados numa visão míope do diagrama do fluxo circular (empresas fornecendo bens e serviços às famílias dada as condições do mercado de fatores de produção) que é de natureza hermeticamente fechada, isolada e restrita, os

Por uma Pedagogia Ambiental, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] Enquanto a aquisição de bens de consumo suntuosos continuar sendo toscamente confundida como símbolo de prosperidade, sucesso e possibilidade de ascensão social, determinando padrões distorcidos de conduta, certamente a humanidade retrocederá cada vez mais em termos de valores e princípios. Se não bastasse essa distorção de valores que prioriza o “ter”, a sociedade de consumo deve sempre ser vista também como inimiga número um do meio ambiente. Se de

Na contramão das atitudes sustentáveis: a obsolescência programada, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] Obsolescência programada é um conceito que preconiza diminuir a vida útil de um produto para “forçar” o consumo de versões mais recentes ou modernas, estimulando assim o consumismo, descartando, com isso, o conserto. Esse termo é originário do processo de “descartalização” criado a partir da década de 1930 por algumas economias capitalistas europeias no intuito de movimentar a “máquina econômica” com mais produção, uma vez que o estoque de

Economia e Ecologia não devem ter conflitos, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] Em nome do que se convenciona chamar “progresso econômico”, a agressão ambiental em escala mundial não deixa espaço para dúvidas: o forte desequilíbrio no sistema natural é decorrente das mãos humanas que procura responder às ordens do mercado de consumo. Mais produtos, menos ambiente. Mais economia, menos ecossistema. À medida que o consumo ganha - pela ordem da imposição macroeconômica tradicional - maior proporção e torna-se sinônimo de prosperidade

Crescimento Deseconômico e Teoria do Umbral, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] A economia só faz sentido se for usada para servir as pessoas. O objetivo central da política macroeconômica em países que já atingiram elevado patamar de prosperidade e bem-estar não pode ser explicitamente o crescimento econômico. A economia precisa respeitar os limites físicos impostos pela natureza e reconhecer que se trata apenas de um subsistema da bioesfera finita que lhe dá suporte. A abundância material, fruto da expansão produtiva

Quando o consumo consome o consumidor, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

    [EcoDebate] Desde seu surgimento pelas mãos de John Keynes, a macroeconomia tem como objetivo central o crescimento econômico à espera dos sufocantes padrões de consumo. De forma equivocada, muitos ainda acreditam que a abundância material “produz” bem-estar e permite melhorar substancialmente a vida das pessoas, cabendo à atividade econômica ser a protagonista principal desse filme cujo enredo é conhecido: manda quem pode (as forças de mercado) e obedece quem tem

Top