Pesquisa sobre a Educação Ambiental no Brasil – Avaliação dos resultados I, por Antonio Silvio Hendges

 

artigo

 

[EcoDebate] Durante o segundo semestre de 2014, realizou-se uma pesquisa online sobre o desenvolvimento da educação ambiental no Brasil. Esta ação foi possível através de uma parceria entre o Projeto Escolas Sustentáveis/Centro de Assessoria em Resíduos Sólidos e Educação Ambiental – Cenatec (www.cenatecbrasil.blogspot.com.br) de Soledade/RS, que capacita educadores das escolas públicas e comunitárias para o ensino contextualizado e o desenvolvimento de projetos eficientes e eficazes da educação ambiental nas comunidades escolares, o Projeto AJO Ambiental (www.projetoajoambiental.blogspot.com.br) que desenvolve uma ação de sustentabilidade com base nos 3Rs – reduzir, reutilizar e reciclar – no Condomínio Joaquim Távora – Engenho Novo/RJ e o Sr. Marcos Paixão Lemos de Itabirito/MG através de seus grupos “SOS Meio Ambiente – Coluna da Sustentabilidade” nas redes sociais Linkedin e Facebook. Também colaboraram na divulgação os Educadores Online de SP e Educadores Multiplicadores da BA, além da publicação de artigos de divulgação no Portal EcoDebate (www.ecodebate.com.br), Câmara de Cultura (camaradecultura.org) e outros veículos de comunicação como revistas e rádios.

O período de coleta dos dados foi entre 16 de julho e 31 de dezembro de 2014, sendo possível somente uma resposta por computador para garantir uma maior representatividade. Foram dez questões com quatro alternativas cada, com exceção da questão dois com cinco alternativas relacionadas às regiões do país. Os entrevistados podiam ignorar as questões que não desejassem responder, encerrando o questionário com quantas respostas considerassem necessárias. Para a realização da pesquisa foi utilizada a plataforma SurveyMonkey, especializada na divulgação e coleta de dados em campanhas, eventos e projetos. As principais redes sociais utilizadas foram o Linkedin e o Facebook, considerando que possuem um grande número de usuários com perfis e origens sociais, econômicas e profissionais diversificadas. Foram 198 questionários respondidos, com poucas questões ignoradas pelos entrevistados e que serão destacadas quando necessário à análise dos dados. Este é o primeiro de uma série de artigos que analisarão e divulgarão os resultados desta pesquisa online sobre a educação ambiental no Brasil.

A primeira questão, relacionada com a identificação das entidades participantes, ofereceu quatro alternativas:
– Escola pública;
– Escola particular;
– Empresa;
– Organização da sociedade civil (ONG/Oscip, sindicato, associação, cooperativa, outros).

Os resultados finais indicaram que das entidades que responderam a pesquisa, 197 responderam esta questão e uma ignorou. Identificaram-se como escola pública 19,29% com 38 respostas; escola particular 8,63% com 17 respostas; empresas 34,01% com 67 respostas; organizações da sociedade civil 38,07% com 75 respostas.

Destaca-se a grande participação das empresas e das organizações da sociedade civil que somaram 72,08% com 142 respostas, indicando uma atuação significativa destas organizações em relação à educação ambiental. A baixa participação das escolas públicas com 19,29% e 38 respostas é surpreendente e indica que podem existir deficiências acentuadas quanto aos projetos e programas de educação ambiental nas comunidades escolares atendidas por estes estabelecimentos. As escolas particulares também tiveram uma baixa participação com 8,63% e 17 respostas, mas neste caso há um número bem menor de estabelecimentos, o que torna aceitável o resultado obtido dentro do universo pesquisado. De conjunto, o sistema formal de ensino participou com 27,92% e 55 respostas individuais.

Quanto à localização geográfica, foi solicitada a identificação da região do país em que os pesquisados exercem suas atividades, nenhum dos entrevistados ignorou esta questão e os resultados foram: Centro Oeste 9,60% com 19 respostas; Nordeste 17,17% com 34 respostas; Norte 5,05% com 10 respostas; Sudeste 49,49% com 98 respostas; Sul 18,69% com 37 respostas. Nesta questão, destaca-se a participação massiva da Região Sudeste com praticamente metade da pesquisa sendo respondida por entrevistados desta região do país. A Região Sul ficou em 2º lugar, seguida das regiões Nordeste, Centro Oeste e Norte.

Estes resultados certamente estão relacionados com a disponibilidade de tecnologias de comunicação nas respectivas regiões, principalmente possibilidades de acessos à Internet, distribuição das organizações pesquisadas, informatização das escolas e outras entidades, programas de inclusão digital, bem como suas densidades demográficas que tornam muito mais concentradas as tecnologias de comunicação nas regiões Sudeste e Sul. A pesquisa não possibilita avaliar as relações entre a densidade demográfica e o percentual de projetos desenvolvidos regionalmente, nem as características e especificidades destes. Portanto, uma menor ou maior participação regional deve ser avaliada em termos de facilidades de acesso à pesquisa e não como ausência ou falta de qualidade dos projetos desenvolvidos nestas regiões.

Nos próximos artigos, continuaremos a análise das outras questões propostas nesta pesquisa online sobre a educação ambiental no Brasil.

Antonio Silvio Hendges, Articulista do EcoDebate, Professor de Biologia, pós-graduação em Auditorias Ambientais, assessoria em Sustentabilidade e Educação Ambiental – www.cenatecbrasil.blogspot.com.br

Publicado no Portal EcoDebate, 19/01/2015

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Alexa

Um comentário em “Pesquisa sobre a Educação Ambiental no Brasil – Avaliação dos resultados I, por Antonio Silvio Hendges

  1. Parabéns Antônio pela análise da pesquisa que até o momento configura-se num grande passo rumo à evolução e implementação de ações contínuas para a otimização da educação ambiental em nosso pais. Graças aos esforços de vários atores nesse processo, conquista-se num primeiro nível um raio X dos diversos segmentos da sociedade. Vamos em frente porque os desafios são enormes e nossos objetivos são triunfantes visando melhorias educacionais num país carente de educação ambiental contextualizada….parabéns a todos os parceiros pelo sucesso até aqui e abraços…

Comentários encerrados.

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