Uma leitura crítica do RIMA – AHE Belo Monte, artigo de Paulo Sanda (1)

[EcoDebate] Muito tem se falado sobre Belo Monte, dentro deste mar de informação, resolvi analisar o RIMA do AHE Belo Monte.

Na capa lê-se RIMA – Relatório de Impacto Ambiental – Aproveitamento Hidroelétrico Belo Monte.

Durante a leitura descobri que o verdadeiro sentido de RIMA é Relatório Imbecil para Manipular Asnos – Apropriação Hipócrita do Erário Belo Monte. Faltam aqui algumas letras;

a versão completa é RIMA – AHE – Belo Monte – GEP, as siglas finais significam de Grana para Empreiteiros e Políticos. Ficando assim Belo Monte de Grana para Empreiteiros e Políticos.

Mas vamos as falácias do RIMA AHE Belo Monte.

Capa do RIMA:

Que coisa linda não? No topo da página vemos – Eletrobrás – Ministério de Minas e Energia – Governo Federal.

No rodapé quem aparece? Andrade Gutierrez – Camargo Correia – Odebrecht.

Mas poderia ser melhor, que tal se cada um fosse um bonequinho e todos de mãos dadas?

Este documento foi realizado por quem e para quem?

1) As empresas realizaram para convencer ao governo?

2) O governo para convencer as empresas?

3) O governo junto com as empresas para enganar o Brasil?

Basta uma rápida olhada na capa que verificamos que a alternativa correta é a terceira.

Vamos pular a segunda capa e o sumário, e vamos para a apresentação.

Apresentação:

Logo nos primeiros parágrafos vemos;

A construção de uma usina hidrelétrica é uma decisão muito importante, que precisa ser bem estudada. É necessário ouvir o poder público, o órgão ambiental, os moradores da região, as entidades e representantes da sociedade civil.

Ser importante e ter que ser bem estudada, concordo plenamente, mas eles estão para começar a obra e;

Que poder público deve ser ouvido? O projeto em si é do executivo, o legislativo nem sei, mas o judiciário esta se manifestando contra.

O órgão ambiental disse não, então o presidente do Ibama caiu, disse não de novo, o novo presidente também foi por água abaixo. Enfim, um presidente foi colocado no Ibama e este aprovou uma licença prévia. Ouvir o órgão ambiental então quer dizer. Se não aprovar tá na rua!

Moradores da região tentaram ser recebidos no Planalto e nossa presidente nem se dignou a olhar em seus rostos miseráveis. Miséria de gente, povos sábios que sabem que a terra se bem tratada nos dá tudo que precisamos, basta que peguemos somente a nossa parte, que cada um será suprido igualmente (Platão).

A sociedade civil, quem é a sociedade civil? A grande mídia praticamente não fala sobre Belo Monte, dá pouco ou quase nenhum espaço para que o problema seja exposto.

Há mais de 30 anos vem sendo estudada a possibilidade de se construir uma usina hidrelétrica na bacia do rio Xingu, localizada nos Estados do Pará e Mato Grosso.

Leia-se a 30 anos atrás por pressão das comunidades indígenas e ribeirinhas, apoiadas pela sociedade civil brasileira e internacional com participação especial do então vocalista do The Police o cantor Sting, o governo engavetou o projeto. E a alguns anos atrás como um pesadelo recorrente nossos governantes ressuscitaram o monstro. Por incompetência para buscar alternativas viáveis econômica, social e ambientalmente.

Por incompetência e por falta de vontade, afinal o que aparece são as grandes obras.

Os Estudos de Viabilidade do AHE (Aproveitamento Hidrelétrico) Belo Monte foram concluídos no ano de 2002. O Congresso Nacional autorizou, em 2005, a Eletrobrás – Centrais Elétricas Brasileiras S/A – a completar e atualizar esses estudos.

Desde então, teve início a elaboração do EIA – Estudo de Impacto Ambiental.

Mas estes estudos foram concluídos como? Quando foram retomados? Cadê o resultado deles? Quanta energia será gerada de fato? Qual o custo do megawatt?

Se os estudos foram concluídos em 2002, porque o Congresso Nacional autorizou que a Eletrobrás completasse estes estudos? Foi concluído ou não?

A partir desta data fizeram a elaboração do EIA Estudo de Impacto Ambiental? Ou Engodo Imposto aos Asnos?

Não haviam ouvido, e nem ouvem agora as comunidades locais, as nações indígenas nem os ribeirinhos, que tem direito de aceitar ou não. Mas já começaram a gastar milhões com os tais estudos para elaboração da EIA. Duas uma:

      1. tá sobrando grana para começar a gastar os tubos com um projeto que não ainda não foi aceito pela comunidade local;
      2. ou desde o início é tudo pró-forma, iriam mesmo fazer com que todos engolissem o monstro quer queiram, quer não (ditadura);

Escolho a alternativa 2.

Continua …..

Paulo Sanda é Teólogo, chefe escoteiro, palestrante, idealista, associado da ONG RUAH e tem sido ativo participante das manifestações Belo Monte NÃO, em São Paulo.

EcoDebate, 17/02/2011


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2 comentários em “Uma leitura crítica do RIMA – AHE Belo Monte, artigo de Paulo Sanda (1)

  1. Excelente matéria, muito bem analisado, pois agrego na síntese que o novo Código Florestal vem apenas para colocar a cereja no bolo. Saibamos que 2010 foi considerado o ano Internacional da Biodiversidade, e esse ano vem dar direito as florestas a “clamarem” atenção, seu presente? talvez o novo Código florestal. Digas-se de passagem que a diminuição das reservas legais Amazônicas retardarão a tempos do Governo Castelo Branco, de 80% para 50%, o mesmo retardamento que acontece com o Petróleo, pois sabemos que com o amadurecimento das Biomassas o Álcool ganhou destaque no mercado brasileiro, mas retardamos a tempos atrás e esquecemos que temos o nosso ouro está nas energias limpas, seria mera coincidência agregar Belo monte com o novo C. Florestal?

  2. Tarcio.

    Obrigado pelo comentário.
    Apenas agrego a ele mais um pensamento:
    Será que não está na hora de repensar todo modelo social consumista que existe hoje? Renovável ou não, o consumo de combustíveis crescente não deveria ser re-interpretado?
    Concordo plenamente contigo na busca de energias limpas, mas quero ir ainda mais fundo, perguntando se não deveriamos parar e pensar e consumir menos energia, recursos e pessoas.
    Veja em nosso blog, o documentário China Blue.

    Grade abraço e muito obrigado.

Comentários encerrados.

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