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Lixo reciclável, uma solução ainda em atraso

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[EcoDebate] A questão do lixo é uma preocupação mundial, já que atualmente este dos problemas ambientais em escala global que colocam em risco a via no planeta.

O crescimento demográfico aliado ao alto consumo, principalmente em países mais ricos, levou ao extremo da produção de lixo estar afetando até os oceanos. Nas cidades, o problema não é menor.

Há falta de locais apropriados para tanto detrito, com especial gravidade no caso do chamado lixo não degradável proveniente de uma infinidade de produtos presentes no cotidiano, muitos com uma sobrevida de dezenas e até centenas de anos e a maioria sendo usada apenas uma vez. Para esses, um atenuante do problema é a reciclagem, mas isso exige a ampliação da coleta seletiva de lixo, um serviço bem recente no Brasil e com resultados ainda insatisfatórios.

O aumento do volume da coleta seletiva no Brasil aumentou um pouco mais de 4% nos últimos anos. E ressalte-se que é um crescimento em cima de números já bastante ruins, levando em conta que a situação do setor está bem longe do ideal em termos de eficiência para atacar um problema tão grave. Hoje, apenas 14% da população brasileira é atendida. São apenas 7% dos municípios brasileiros, sendo que, dentro dessa porcentagem de cidades, 83% ficam no Sul e no Sudeste do país.

Os números foram coletados pela organização Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), entidade empresarial que é a principal fonte do IBGE para levantamentos sobre coleta seletiva.

Não existem números recentes sobre a coleta de lixo comum. A última pesquisa nacional sobre o assunto foi feita no ano 2000. Para o final deste ano o IBGE promete uma atualização dos números, com a divulgação da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB 2008). O recolhimento de dados termina agora em fevereiro e a divulgação está prevista para dezembro. A pesquisa deve traçar um perfil dos serviços de saneamento em todos os municípios brasileiros, abrangendo informações sobre os sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e drenagem de águas pluviais, além de dados sobre a gestão dos serviços.

Entretanto, os números revelados pela pesquisa da Cempre já antecipam que a pesquisa do IBGE na parte do lixo não deve trazer boas notícias, já que a boa coleta seletiva é exatamente um dos elementos mais importantes na solução deste grave problema das cidades brasileiras.

A verdade é que os dirigentes públicos dão pouca atenção para o assunto do lixo, um tema de pouca repercussão eleitoral. Na maioria das cidades, aliás, a coleta seletiva é mantida no âmbito da assistência social, como um meio de ocupar a população mais pobre, quando para funcionar de fato deveria funcionar como uma produtiva indústria, com profissionais bem qualificados e ganhando com dignidade.

E para que haja um bom resultado ambiental, esta coleta não pode também ter como base econômica o preço do quilo da latinha de alumínio ou do papelão, como infelizmente acontece. O ganho em qualidade de vida, inclusive no longo prazo, compensa os subsídios. Este tipo de serviço, além de contemplar dois dos quesitos da filosofia ecológica dos três “Rs” (Reduzir, reciclar, reutilizar), contribui para minorar o grave problema urbano da falta de espaço para depositar o lixo. A coleta seletiva também é muito importante para evitar o entupimento de galerias pluviais, prevenindo enchentes e diminuindo a poluição de rios e do mar.

Mas o fato é que os municípios brasileiros ainda não atentaram para a importância da seleta coletiva. Para se ter uma idéia da dificuldade, Londrina aparece na pesquisa da Cempre como um dos municípios que mais faz coleta seletiva. E esta cidade parananense está vivendo uma crise no setor. Lá, onde a coleta é tocada por organizações não governamentais, os coletores estão a ponto de abandonar a atividade devido ao péssimo ganho.

Os profissionais recebem hoje o que arrecadam com a venda do que produzem, uma situação sempre instável e que piorou muito nos últimos meses com a queda dos preços dos materiais recicláveis. E a reivindicação que fazem é que a prefeitura de Londrina colabore com o serviço para que cada reciclador tenha a garantia de ganhar um salário mínimo mensal.

* Texto do Movimento Água da Nossa Gente

[EcoDebate, 31/01/2009]

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