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Fórum Social Mundial 2009: Participantes fazem debate sobre perseguição a religiosos e trabalhadores

Fórum Social Mundial 2009
Fórum Social Mundial 2009

“Sou missionário, sou povo de Deus, sou vida, sou caboclo e mestiço fazendo da vida a missão”. Cantado em coro por cerca de 300 pessoas, o verso religioso embalou o debate sobre a perseguição a defensores dos direitos humanos em áreas de conflito da Amazônia. A manifestação feita ontem (28) no Fórum Social Mundial lembrou a morte da missionária Dorothy Stang e de outros religiosos, trabalhadores rurais e ativistas na região.

Com um discurso radical, o padre italiano Humberto Guidotti afirmou que a Igreja “chegou tarde” ao reconhecimento dos direitos humanos, mas que a luta por esses ideais, atualmente, já é parte da atividade evangelizadora de alguns religiosos.

“Falta passar essa afirmação para a cabeça de bispos, padres e fiéis ligados a alguns grupos que acham que a Igreja deve se limitar aos cultos e à administração dos sacramentos”, afirmou para a platéia repleta de simpatizantes da Teologia da Libertação.

Guidotti afirmou que é “divino lutar pelos direitos humanos” e apontou o caso dos três bispos católicos ameaçados de morte no Pará, como exemplo para o trabalho missionário. “Será um bom sinal quando tivermos 200 bispos, 200 padres e 200 freiras ameaçadas”, argumentou.

Um dos bispos ameaçados, dom Luiz Azcona, criticou o andamento das investigações e disse que a perseguição é um estímulo para dar continuidade ao trabalho de denunciar violações aos direitos humanos.

Um representante quilombola do interior do Pará que teve a casa queimada e parte da família assassinada por fazendeiros, e a viúva do trabalhador rural José Dutra da Costa, morto em 2001 por pistoleiros, também deram depoimentos durante a apresentação.

O grupo fez também um minuto de silêncio em memória dos fiscais do trabalho assassinados por pistoleiros em Unaí (MG) em 2006 durante uma investigação de trabalho escravo.

Bispo critica lentidão das investigações de ameaças de morte no Pará

O bispo da Diocese da Ilha de Marajó (PA), dom José Luiz Azcona, um dos seis religiosos ameaçados de morte no Pará, criticou hoje (28), durante o 9º Fórum Social Mundial a lentidão das investigação sobre as ameaças de morte no Pará.

O religioso é ameaçado de morte por proprietários de terra que exploram o trabalho de crianças e adolescentes nos municípios de Altamira, Abaetetuba e na região da Ilha do Marajó. Ele afirmou que a perseguição é um estímulo para dar continuidade ao trabalho de denunciar violações aos direitos humanos.

“Sou bispo e não quero canonizar a mim mesmo. Se estou ameaçado por defender crianças e jovens da exploração de grupos poderosos isso é um estímulo para continuar minha luta”, disse.

Dom José Luiz Azcona declarou que não tem medo de morrer e orientou líderes religiosos da região a terem o mesmo comportamento. “Hoje eu sinto a morte de perto e penso muito nela. Não tenho medo de arriscar, de morrer, pela defesa dos direitos das pessoas”, afirmou.

Além de dom José Luiz Azcona, também estão ameaçados de morte no Pará, dois bispos, três padres e outras 200 pessoas, entre elas lideranças de trabalhadores rurais.

O bispo participou do seminário a Igreja e seus Mártires em Defesa dos Direitos Humanos, realizado na tenda Irmã Dorothy na Universidade Rural da Amazônia.

Matérias de Luana Lourenço, da Agência Brasil, publicadas no Ecodebate, 29/01/2009.

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