Por mês, 900 caminhões de lixo são retirados das rodovias paulistas. Parcerias com ONGs garantem reciclagem

lixo

Detritos aumentam o risco de acidentes, prejudicam a drenagem das pistas e causam mortes de animais

Todos os meses, as concessionárias que administram 4,3 mil quilômetros da malha rodoviária paulista retiram cerca de 900 caminhões cheios de lixo das estradas. O levantamento, realizado pela Agência Reguladora de Transporte (Artesp) a pedido do Estado, dá uma ideia do tamanho do problema causado por porcalhões que, ao viajar, parecem se esquecer de levar a civilidade junto com as malas.

“Nesta época do ano, por causa das férias, recolhemos 20% a mais de lixo”, revela Artaet Martins, assessor de Qualidade, Meio Ambiente e Responsabilidade Social e Empresarial da Ecovias. A média mensal de detritos retirados das estradas pela concessionária, que administra as rodovias Anchieta e Imigrantes, é de 147 toneladas – 30% a mais do que dois anos atrás. Matéria de Edison Veiga, do O Estado de S.Paulo, 18/01/2009.

A Artesp recebe relatórios de atividades das 12 concessionárias que atuam no Estado de São Paulo. Um dos itens que aparecem nesse material é a quantidade de lixo recolhido. Não há uma padronização – metade das empresas informa em volume, metade em peso, o que impossibilita uma estatística total consolidada. A média mensal de 2008, nas rodovias paulistas sob concessão, foi de 406,87 toneladas e 3.874,57 m³.

De acordo com a Ecovias, o perfil de quem suja as rodovias mudou. “Há dois anos, 60% da sujeira era depositada por moradores de comunidades próximas”, diz Martins. Assim, no acostamento era comum que fossem encontrados móveis velhos e detritos domésticos. “Hoje, a maior parte do lixo é jogada por ocupantes de veículos.”

As consequências podem ser desastrosas. “O lixo acumulado aumenta o risco de acidentes e obstrui a drenagem das rodovias”, explica Odair Tafarelo, gestor de Atendimento da AutoBAn, que administra as rodovias Anhanguera e Bandeirantes.

Há ainda um efeito colateral: a morte de animais. “São atraídos pelos odores de restos de comida e acabam atropelados”, conta Martins, da Ecovias. “Em 2006, eram 120 animais mortos por mês no Sistema Anchieta-Imigrantes. Hoje são 190.” Desses, 80% são cães.

Pelo lado das concessionárias, há ainda um ônus financeiro. “Só para recolher o lixo diariamente gastamos R$ 350 mil por mês”, diz Martins. “Investimos R$ 70 mil por mês na limpeza das rodovias”, afirma Antonio Mozelli, gerente de Conservação Rodoviária e Meio Ambiente da SPVias, que administra 516 quilômetros em trechos das Rodovias Castello Branco e Raposo Tavares, entre outras.

OPERAÇÃO LIMPEZA

Esse caro trabalho precisa ser constante. “Pelo edital da concessão, temos a obrigação de manter a rodovia bem conservada”, explica Mozelli. A SPVias divide sua malha viária em seis lotes, para organizar a operação. Em cada um deles ficam oito funcionários de limpeza e um caminhão. O lixo recolhido é depositado em pontos chamados por eles de “unidades de conservação”. “Ali fazemos uma pré-seleção, separando o que é reciclável e o que vai para lixões”, diz Mozelli.

Cinco caminhões e 58 funcionários cuidam da limpeza do Sistema Anhanguera-Bandeirantes. “Os agentes catam o lixo e acondicionam em sacos plásticos que ficam na beira da rodovia. Em seguida, passa um caminhão e recolhe”, conta Tafarelo, da AutoBAn. Os detritos ali recolhidos são encaminhados para dois lixões – um no km 33 da Rodovia dos Bandeirantes, outro em Limeira.

A Ecovias divide seus funcionários em duas equipes: uma mais próxima do litoral e outra mais perto da capital. Cada grupo conta com 40 pessoas. “O lixo é recolhido e vai para uma central de resíduos onde a gente faz a primeira triagem”, relata Martins. “Temos parcerias com quatro cooperativas de reciclagem em São Bernardo do Campo e Diadema e mandamos esse material para lá.”

A malha rodoviária paulista sob concessão responde por 68% dos deslocamentos intermunicipais no Estado. A Secretaria dos Transportes não tinha dados consolidados sobre o lixo recolhido nas outras rodovias.

NÚMEROS

406,87 toneladas e 3.874,57de m³ de
Lixo são retirados por mês nas rodovias paulistas sob concessão

20% é o aumento
registrado durante temporadas

R$ 350 mil
são gastos a cada mês só no Sistema Anchieta-Imigrantes

Parcerias com ONGs garantem reciclagem

Está na reciclagem a saída para a montanha de lixo retirada diariamente das estradas. Boa parte das concessionárias mantém parcerias com ONGs e cooperativas de reciclagem para que o lixo recolhido nas rodovias tenha um fim ecologicamente correto.

É o caso do Instituto Recicle, ONG que desde 2006 realiza projetos com a Ecovias, concessionária responsável pelo Sistema Anchieta-Imigrantes. “Sensibilizamos os moradores do entorno das rodovias para que não joguem lixo na estrada, levamos teatro educativo às crianças e ensinamos adultos a reaproveitar o lixo, transformando, por exemplo, papel em artesanato”, explica a coordenadora de Gestão Ambiental da ONG, Edilane Nogueira.

As 147 toneladas de lixo recolhidas mensalmente pela Ecovias passam por triagem. A concessionária encaminha o que é reciclável para quatro cooperativas. É uma iniciativa comum a boa parte das empresas que operam em São Paulo. “Todo dia recebemos dois caminhões carregados de lixo coletado nas estradas”, confirma Oscar Vieira Neto, coordenador da Cooperativa Renascer, de Tatuí, parceira da concessionária SPVias há dois anos.

[EcoDebate, 19/01/2009]

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