Brasil se acomodou como exportador de mercadorias de cotação internacional, diz Gabriel Palma

mineração

O economista chileno Gabriel Palma afirmou ontem (16/1) que o Brasil se acomodou como um mero exportador de commodities (bens agrícolas e minerais com cotação internacional) e por isso, durante os últimos 50 anos, reduziu o nível de industrialização. Em sua última participação durante o Programa Avançado Latino-Americano para o Repensamento do Macrodesenvolvimento Econômico (Laporde, na sigla em inglês), Palma disse que o país padeceu do mesmo mal de outros países latino-americanos ricos em recursos naturais e, agora, terá que criar uma séria política industrial se quiser alcançar índices de crescimento mais altos.

“Hoje, não há uma política industrial verdadeira no Brasil. O que há crédito para a indústria”, criticou ele, citando as medidas anunciadas pelo governo federal no ano passado para estímulo do setor industrial brasileiro.

“Sem indústria, o Brasil pode continuar crescendo, em média, 3% ao ano. Crescerá até um pouco mais, como cresceu nos últimos anos”, afirmou ele. “Porém, nunca crescerá 6%, 7%, assim como crescem países asiáticos que apostaram na indústria.” Palma, que é professor da Universidade de Cambridge e estudioso da economia da América Latina e Ásia, afirmou que, nos anos 60, o Brasil tinha um nível de industrialização mais alto do que outros países com características semelhantes. Entretanto, a partir de 1980, esse nível começou a cair, devido, principalmente, à falta de investimentos. “O Brasil se acomodou como exportador de soja e outras commodities, assim como outros países latinos.”

Para ele, a economia brasileira tem um grande potencial, mas ele precisa ser mais bem aproveitado. “O Brasil tem que ser o transformador de commodities do mundo, parar de exportar minério e começar a exportar aço, por exemplo”, afirmou Palma. “Há um espaço aberto na economia e o Brasil tem que aproveitar.”

Matéria de Vinicius Konchinski, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 17/01/2009.

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