Mulheres em luta contra a mercantilização: 7o Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

[Women in combat commercialization: 7th International Meeting of the World March of Women]

Aproximadamente 150 mulheres de mais de quarenta países de todos os continentes participaram no 7º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres que se realizou de 14 a 21 de outubro em Panxón (Galícia). Uma reunião que permitiu estabelecer as linhas mestras de trabalho da organização para os próximos dois anos, fortalecer as coordenações continentais e aprovar vários documentos estratégicos. Por Esther Vivas.

Dentre as principias conclusões do encontro, cabe destacar a convocação de uma ação global a favor da paz e da desmilitarização em 17 de outubro de 2010 na região dos Grandes Lagos, na África, paralelamente com a organização de ações locais simultâneas no resto do mundo. Essa iniciativa terá como objetivo fortalecer a solidariedade e visualizar a luta das mulheres. A temática da ação foi planejada, como mostram as conclusões do evento, porque “as guerras empobrecem as mulheres, provocam violência contra estas, facilitam que as grandes potências se apropriem dos recursos naturais e também porque as violações de mulheres são usadas como armas de guerra”.

Fórum e Feira

O encontro da Marcha Mundial das Mulheres contou com uma série de atividades públicas que vincularam o trabalho feminista à luta pela soberania alimentar. No fim de semana, nos dias 18 e 19 de outubro, organizou-se na cidade de Vigo um fórum e uma feira pela soberania alimentar na qual participaram centenas de pessoas e que contou com o apoio e a colaboração de coletivos galegos, como o Sindicato Lagrego, ONGs, cooperativas de consumo, lojas de comércio justo e grupos ecologistas.

No marco do fórum, mulheres representantes de organizações camponesas e de consumidores de distintos países assinalaram a soberania alimentar como uma estratégia de ação capaz de garantir o controle dos povos sobre as políticas agrícolas e alimentares e seu acesso aos recursos naturais e aos alimentos. As palestrantes indicaram as dificuldades das mulheres camponeses em ter acesso à produção de alimentos, à terra, às garantias administrativas etc. Como afirmava a ex-secretária do Sindicato Lagrego Galego, Lídia Senra: “É necessário reivindicar a titularidade compartilhada da terra, já que na produção familiar, normalmente, a titularidade está em nome do homem e a mulher, portanto, não tem garantido o direito a produzir”.

Outras intervenções coincidiram em assinalar o trabalho fundamental das mulheres na produção alimentar mundial: o trabalho de terra, a elaboração dos alimentos, o cuidado com o gado, o acesso à água etc. Temos que recordar que 80% da produção de alimentos nos países do Sul recai sobre as mulheres, quando, paradoxalmente, estas são, juntamente com as crianças, as mais atingidas pela fome. Dessa forma, a diretora da área de mulher da ALAI, Irene de León, enfatizou no fato de que “as mulheres alimentamos a humanidade; porém, não queremos continuar fazendo isso em posições de desvantagem”; e sublinhou a responsabilidade do sistema capitalista nessa invisibilização e usurpação do trabalho feminino: “Os conhecimentos acerca da produção de alimentos, acumulados durante séculos pelas mulheres têm sido patenteados por corporações transnacionais”.

Ações na rua

No marco do 7º encontro, as mulheres da Marcha convocaram também ações na rua. Cabe destacar a performance realizada em frente a um dos maiores supermercados em Vigo, onde se denunciou o papel das grandes empresas no empobrecimento camponês, o consumo irresponsável e a crescente insegurança alimentar. Várias mulheres com bandeiras lilases, disfarces, placas e representações gigantes de produtos da Danone, da Coca-cola e da Nestlé reivindicaram outro modelo de produção, de distribuição e de consumo de alimentos a serviço dos povos.

Outro momento de destaque foi a manifestação do domingo 19, que percorreu as ruas de Vigo com umas dez mil pessoas, majoritariamente mulheres. As consignas contra a violência machista, contra o patriarcado e a favor do direito ao aborto e à soberania alimentar foram alguns dos mais divulgados. A manifestação terminou com a intervenção de mulheres representantes de organizações da África, América Latina, Europa e Ásia, que denunciaram o impacto do sistema capitalista e patriarcal nas mulheres. Como afirmava a coordenadora do secretariado internacional da Marcha, Míriam Nobre, no final da manifestação: “Somos mulheres em luta contra a mercantilização do mundo, o capitalismo, o patriarcado, o colonialismo, o racismo e todo tipo de opressão e de exclusão”.

Artigo publicado em Diagonal, nº 88. Tradução: ADITAL.

Enviado por Esther Vivas, Red de Consumo Solidario.

[EcoDebate, 06/11/2008]

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