Nova droga atua contra o vírus causador do colapso das colméias, que dizimou abelhas nos EUA

Cientistas israelenses acreditam ter encontrado um remédio para o chamado Colapso das Colméias (CCD, na sigla em inglês). Desenvolvido pela empresa de biotecnologia Beeologics, o Remebee atua diretamente contra o vírus IAPV, que, acredita-se, seja o principal responsável pelo fenômeno, que atingiu 23% de todas as criações de abelhas nos Estados Unidos, entre 2006 e 2007, e 36%, entre o fim de 2007 e o começo deste ano. O CCD gerou um grande debate entre os pesquisadores, já que, na maior parte dos casos, os criadores americanos não encontraram animais mortos, mas apenas colméias vazias. O fenômeno atingiu também países da Europa e Ásia. Por Carlos Albuquerque, do O Globo, 01/10/2008.

– Esse debate ainda existe, mas adotamos uma posição pragmática, já que se trata de uma questão complexa, que pode levar anos para ser completamente esclarecida – explica o israelense Eyal Ben-Chanoch, diretor da Beeologics, que tem sedes em Tel Aviv e em Miami. – Focamos nossos esforços em torno do IAPV, que é considerado o principal causador do colapso, e desenvolvemos esse agente antiviral.

Ainda dependendo da aprovação da Administração de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) dos EUA, a droga foi testada em criações nos estados da Flórida e Pensilvânia, em parceria com cientistas da Universidade da Flórida e do Departamento de Agricultura dos EUA.

– Acreditamos que, em breve, poderemos criar mais desses chamados remédios de abelhas, que possam proteger as colméias da ação de outros vírus – conta Eyal.

Abelhas estressadas e colméias frágeis

No início do CCD, especulouse que a causa do fenômeno poderia ser a radiação de telefones celulares, a ação de pesticidas de colheitas geneticamente modificadas ou até mesmo o aquecimento global.

Embora a maior parte dessas hipóteses tenha sido descartada e o debate persista, já se sabe que o IAPV – identificado em 2004, por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém – desempenha um importante papel, talvez o principal, no CCD.

– Não há mais dúvidas de que o IAPV mata as abelhas – garante Eyal. – Nós mesmos provamos isso, em testes realizados em Israel e nos Estados Unidos, nos quais abelhas inoculadas com o vírus morreram em alguns dias. Além disso, um estudo, feito pela pesquisadora Diana Cox-Foster, da Penn State University, publicado na revista “Science”, no final do ano passado, mostrou claramente a relação entre o vírus e o seu impacto nas colônias. O trabalho provou que o IAPV era, disparado, o fator mais destacado entre todos os agentes analisados.

Segundo o pesquisador israelense, o vírus é altamente contagioso e pode ser transmitido tanto pelos criadores como pelo pólen de uma flor visitada por uma abelha contaminada.

– O IAPV é muito forte e se espalha rapidamente.

A atuação dos pesticidas no sumiço das abelhas, porém, não está totalmente descartada pelos pesquisadores.

– Os pesticidas também matam as abelhas. Isso foi comprovado recentemente, num acidente ocorrido entre a França e a Alemanha, no qual um produto mal produzido matou mais de 30 mil abelhas – conta Eyal. – Na verdade, por causa de diversos fatores, além do IAPV, como a monocultura e os parasitas, as abelhas estão estressadas e suas colônias, cada vez mais frágeis.

[EcoDebate, 02/10/2008]

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