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Governo segue com plano de hidrelétricas para Amazônia

[Amazonia.org.br] A Eletrobrás vai apresentar ao Ministério de Minas e Energia um projeto estimado em R$ 31 bilhões para a construção do Complexo Tapajós, na região Norte, que possui uma previsão de capacidade instalada para a geração de 10.682 mil megawatts (MW). O estudo de inventário, que identificou a viabilidade de cinco aproveitamentos ao longo dos rios Tapajós e Jamanxim, foi finalizado recentemente, em parceria com a CNEC, empresa de engenharia pertencente ao grupo Camargo Corrêa. As empresas realizam atualmente o estudo de viabilidade do projeto que prevê a instalação de cinco usinas, todas dentro do mesmo plano de investimentos.

No estudo de inventário de Tapajós teriam sido identificados um potencial de 14 mil MW a ser explorado, mas a Eletrobrás acabou optando por preparar um plano que exclua áreas habitadas por índios e parte do parque nacional da Amazônia. Com isso objetiva-se reduzir impactos ambientais e sociais e facilitar a aprovação do projeto, tendo em vista os inúmeros obstáculos que a construção das usinas na região amazônica – como as do Rio Madeira – vêm enfrentando para sair do papel. O Rio Tapajós nasce no estado de Mato Grosso, banha parte do Pará e que deságua no rio Amazonas ainda em terras paraenses. O Jamanxim tem sua nascente na região próxima a Serra do Cachimbo, e é o principal afluente do Tapajós.

Estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que após a aprovação desse estudo de viabilidade e inventário, o Complexo Tapajós levaria cerca de três anos até ser leiloado. Antes disso, outros projetos têm prioridade nos grandes leilões de energia. Além da usina Belo Monte – que o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) anunciou que será leiloada em 2009 – com capacidade de 11 mil MW, outros dois grandes projetos hidrelétricos com previsão de venda nos próximos anos são os de Teles Pires e Marabá, com capacidade média de produção de 2 mil MW cada um.

Para Rogério Paulo Hon, da Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a construção desse complexo serve apenas para dar viabilidade a um conjunto de obras para reservar água suficiente para a demanda local. ‘Em Juruti está sendo construído outro complexo, de alumínio, pela Alcoa, e esse complexo dos Tapajós tem relação estreita com isso, pela proximidade geográfica. Irá atender basicamente ao consumo da mineradora’, diz.

As empresas envolvidas alegam que entre os parques nacionais na Amazônia, região onde se pretende instalar o complexo, existem áreas sem donos e que a idéia seria fazer uma espécie de ‘cinturão’ nessas áreas. Outra das idéias é realizar o projeto com base em plataformas, semelhante às petrolíferas, sem que haja a necessidade de que as pessoas morem no entorno das usinas, evitando o impacto ambiental gerado pela ocupação desordenada da área.
Hon não acredita nisso. Para ele, ‘qualquer metro de água que seja levantado em um rio da região amazônica afeta a população ribeirinha, que representa grande parte da gente que lá vive. Essa alegação deles me parece mais discurso para encantar do que de fato uma questão técnica comprovada’

O dirigente do movimento disse ainda que a tarefa deles agora é aproveitar a boa articulação que possuem na região para levar o debate à sociedade, para que ela tome conhecimento das questões que envolvem um projeto desse e referende ou não a opção do governo pela construção das usinas. O projeto de Tapajós deve ficar dentro dos planos de investimentos do PAC Eletrobrás, que prevê investimentos de R$ 93 bilhões.

Publicado pelo Portal Amazonia.org.br e enviado por Rogério Almeida, colaborador e articulista do EcoDebate.

[EcoDebate, 29/09/2008]