Grito dos/as Excluídos/as na Grande Belo Horizonte, por Frei Gilvander Moreira

Ontem, 7 de setembro de 2008, aconteceu a 14a edição do Grito dos Excluídos. Em todo o Brasil, mais de 500 mil pessoas, em mais de 2 mil cidades, saíram às ruas para gritar “Vida em primeiro lugar, por Direitos e por Participação Popular”.

Em Belo Horizonte a concentração teve início às 8:30 da manhã na Praça da Assembléia Legislativa. Cerca de 5 mil pessoas, militantes das Pastorais de Base e dos muitos movimentos Populares – Brigadas Populares, MST, MTD, MSU, Movimento Nacional dos Catadores de Papelão, Movimento Gay, ASMARE, Cáritas, e tantos outros marcharam pelas ruas de Belo Horizonte até a Praça Sete, onde às 12 horas foram ecoados muitos gritos: “A vida em primeiro lugar, por Direitos e por Participação Popular”; “Ribeirão das Neves merece Respeito! Mais cadeia, não!”; “Reforma Agrária, sim; agronegócio, não!”; “Transposição do rio São Francisco, não; Revitalização da bacia sãofranciscana, sim; Por um Projeto de Convivência com o Semi-árido!”; “Mineração depredadora, não; preservação ambiental, sim!” “Automovelatria, não; transporte público, sim!”; “Basta de política econômica neoliberal que empanturra os banqueiros e as transnacionais!”

A participação de 400 jovens dos colégios salesianos do Brasil, que estavam em encontro de formação em BH, deu mais alegria e encanto jovem ao Grito deste ano em Belo Horizonte.

Durante a caminhada, muito animada por sinal, as lideranças dos movimentos populares se revezavam no microfone do caminhão de som para gritar por direitos e denunciar injustiças. A caminhada continuava com palavras de luta, músicas inspiradoras e a divulgação das lutas de muitos setores excluídos.

Na parte da tarde, o Grito continuou na Praça central de Ribeirão das Neves, cidade da grande Belo Horizonte, com 350 mil habitantes. De lá ecoou um grito forte contra a construção de mais um grande presídio, além dos 5 grandes já existentes no município. Os manifestantes denunciaram o Governo Aécio Neves que insiste em privatizar os presídios em Minas, começando com a concessão de 3 mil vagas. O negócio envolve empresas nacionais e estrangeiras. O Governo pagará à iniciativa privada R$ 2.800,00/mês por preso. É um absurdo, pois em Minas até presídio virou mercadoria na mão do Governo estadual.

Deste modo foi que o povo foi para a praça principal de Ribeirão das Neves dizer que não aceita mais prisões. “Basta de Prisões! Queremos trabalho, escolas, hospitais, saneamento, arte, cultura e lazer”, gritavam!

Um grupo denunciava que vários bairros, como o São Luiz, estão sem água há oito anos. “Muitos dias não temos água nem para fazer o almoço”, desabafava uma jovem.

No mesmo tom dos anos anteriores o “Grito dos Excluídos” cumpre o seu papel histórico: mostrar que ainda existe uma grande distância entre o grito de 7 de setembro de 1822 e a efetiva conquista de direitos pelo povo brasileiro.

Frei Gilvander Moreira, e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br

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