Pará: Invasores conhecidos como sem-toras deixam rastro de depredação, mas não são pegos por fiscais


Ibama flagra destruição

Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), acompanhados por homens da Polícia Militar, deslancharam na semana passada, em Pacajá, centro-oeste do Estado, uma operação para fiscalizar a ação de invasores em áreas de reserva florestal. Os fiscais do Ibama e a polícia encontraram um rastro de destruição deixado pelos chamados sem-toras, um grupo de homens ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), chefiados pelo invasor Antonio de Souza, o Sorriso, ligado à superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Marabá. Do Amazônia Hoje, PA, 12/08/2008.

Segundo o comandante do Destacamento de Polícia Militar de Pacajá, Sargento Correia, durante a operação foram encontradas provas de que os invasores estavam promovendo a derrubada da mata e retirando a madeira da área de forma ilegal de áreas privadas e de áreas públicas localizadas na Vicinal São Vicente, na rodovia Transamazônica, e na Vicinal Tozetti, na região do Rio Arataú. Segundo a polícia, nenhum invasor foi encontrado no local, mas eles deixaram as marcas da destruição: barracas, utensílios domésticos, motosserras, motocicletas e centenas de hectares de florestas destruídos. “Está cheio de trilhas que foram feitas para retirar a madeira”, atesta o sargento.

Os invasores estão no local desde o final do ano passado e os colonos que ocupam os lotes já denunciaram a situação no Incra, no Ibama e na Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente (Dema), localizada em Marabá. Esta é a segunda vez que fiscais do Ibama constatam crimes ambientais praticados pelos invasores, mas como eles sempre fogem antes das operações, ninguém foi preso. A informação é que Sorriso, o líder dos sem-toras, fugiu da região por causa da fiscalização, mas ele sempre volta para promover a extração e o comércio ilegal de madeira.

O sargento Correia informou que a operação contou com a participação, além dos fiscais do Ibama, de mais dois cabos, três soldados e ele mesmo, que deram segurança aos fiscais. Na operação, a polícia e o Ibama destruíram vários barracos que os invasores mesmos fizeram nas margens dos igarapés, que servem de base para as operações de destruição da floresta nativa. Segundo os fiscais do Ibama, os igarapés da região já estão ameaçados, pois os invasores estão destruindo a mata ciliar. “É um crime ambiental cometido por pessoas que têm a certeza de que permanecerão impunes”, reclama Isaias Galvão, proprietário de uma área de terra invadida desde o começo do ano.

Após a operação, Isaias registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Pacajá, denunciando a destruição provocada pelos invasores e pedindo providências contra os sem-toras. Ele relata que o grupo de invasores está usando tratores, motosserras e caminhões e que circulam de motocicletas, armados, denunciando os agricultores da área. O objetivo maior dos invasores, segundo a denúncia, é explorar ilegalmente a madeira na área, que é rica em madeira nobre, de alto valor comercial. Milhares de metros cúbicos de madeira já saíram da área ilegalmente.

[EcoDebate, 13/08/2008]

Um comentário em “Pará: Invasores conhecidos como sem-toras deixam rastro de depredação, mas não são pegos por fiscais

  1. SP 15 de agosto de 2008
    Qualquer ação tem que ter a parceria dos interessados, mesmo que clssifiquemos os interessados como “infratores”, “bandidos”, “sem toras” etc. Tem também que ter a parceria de moradores da região. Acho que sem o concurso das pessoas nenhuma ação vai dar bom resultado.
    É o que penso.
    Elson

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