Verde volta ao Velho Chico

Participação da comunidade em iniciativas de preservação garante melhoria na qualidade da água e redução no assoreamento de afluentes. Agência pretende ampliar o projeto. Do Estado de Minas, 06/07/2008.

Vida nova para moradores da Região Centro-Oeste de Minas. O Programa de Revitalização do Rio São Francisco, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Agência Nacional de Águas (ANA) e Prefeitura de Luz, a 188 quilômetros de Belo Horizonte, aplicado desde 2006, conseguiu reduzir o índice de assoreamento e melhorar a quantidade e qualidade da água do Córrego da Velha, afluente do Velho Chico, que abastece os 17 mil moradores do município. Balanço do empreendimento foi apresentado em um seminário, no centro da cidade, promovido pelo parceiros do projeto, que custou quase R$ 400 mil. Hoje, em vez de seca, a população conta com mais qualidade de vida e esperança de um futuro melhor.

As principais intervenções ocorreram em área de pastagem ao longo do curso d”água na qual 40 mil mudas de árvores nativas foram plantadas, com participação de estudantes, produtores, além de agricultores e donas-de-casa. O especialista em Recursos Hídricos da ANA e gestor do projeto, Rossini Matos, explica que a iniciativa consistiu principalmente na contenção da água pluvial. “Com o plantio, recuperamos a mata ciliar e cercamos as nascentes. Para isso, construímos curvas de nível no terreno cuja finalidade é a redução do escoamento da água superficial. Em vez de bater no solo e ir direto para o rio, causando assoreamento, a água agora infiltra no solo e, aos poucos, chega no córrego, justamente no período de seca”, explica Rossini.

O projeto foi desenvolvido ao longo dos últimos 18 meses e a iniciativa será encerrada este mês. No entanto, a ANA se prontificou a fazer a manutenção do projeto para os próximos dois anos.

“Vamos medir o volume de água e fazer a comparação com o período anterior ao programa. Fizemos uma parceria com a Universidade Federal de Viçosa para nos auxiliar. Outro empreendimento importante foi a construção de microbarragens para abrigar a água da chuva”, afirma o especialista. A construção de cada barraginha durou cerca de quatro horas e custou R$ 336. A mesma iniciativa também é aplicada em Pains, Martinho Campos e Pedra do Indaiá, todas na mesma região.

“Nossa intenção é que o projeto se torne um exemplo para que outras prefeituras invistam na preservação do Velho Chico. São 504 cidades que compõem a microbacia. O desafio é que o município descubra suas fragilidades. Os principais problemas que contribuem para a deterioração do córrego, e conseqüentemente, do Rio São Francisco, são a ausência do esgotamento sanitário, instalação de indústrias e o desmatamento”, afirma Rossini.

O gerente do departamento de Revitalização de Bacias do MMA, Rogério Soares Bigio, acredita que o projeto teve investimento relativamente baixo e que, por isso, a ampliação para outras cidades seria viável. “Somente em Luz, o projeto atingiu 10% de toda a microbacia. O maquinário já foi adquirido e, por isso, seria mais fácil aplicar o empreendimento em outras cidades. Com ele, conseguimos ver nitidamente a interrupção da erosão”, observa.

A professora e coordenadora do projeto em Luz, Ione Lamounier Camargos Resende, conta que a educação e concientização ambiental foram fundamentais para o sucesso do programa. “Como a região era muito mais degradada, desde 1996, trabalhamos o assunto de revitalização do Velhas na cidade, principalmente nas escolas. O leito do córrego estava em baixa e havia muitos problemas. A força do programa está na população. Sem a ajuda dos moradores, tudo fica mais difícil. Acreditamos que com a melhoria, até a economia da cidade melhore”, observa Ione.

* * matéria enviada por William Rosa Alves

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