Inpe e Minc divergem sobre divulgação de desmatamento

Inpe diz que Lula quer ver dados antes, e Minc, que demora se deve a Casa Civil. Números de maio estão prontos há duas semanas; instituto considera positivo interesse do Planalto em ver dados antes de divulgá-los. Da Folha de S. Paulo, 07/07/2008.

Responsável pelos números do desmatamento, cuja divulgação está atrasada, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) diz considerar “positivo” o interesse do Palácio do Planalto em ver os dados antes de divulgá-los.

Os números relativos ao mês de maio estão prontos há duas semanas, mas, segundo o Inpe, a divulgação só será feita depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tiver acesso às informações, o que, segundo o órgão, poderia acontecer hoje ou amanhã. A apresentação, porém, não deve ocorrer, já que o presidente passará a semana toda em viagem oficial à Ásia.

Via assessoria de imprensa, o instituto afirmou ver com bons olhos o “interesse” do governo em conhecer e entender os dados do desmatamento.
Já o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) disse, na última sexta-feira, que não entendia exatamente o motivo da demora. Afirmou que a Casa Civil quer “harmonizar” os dados com outros levantamentos, como o da Embrapa.

“Como há dados diferentes, a Casa Civil resolveu, de alguma maneira, uniformizar, compatibilizar com dados da Embrapa, entre outros. (…) Eu confesso que não entendi exatamente a razão, mas a informação que eu tenho é de tentar compatibilizar, não esconder os dados”, declarou na ocasião. A assessoria da Casa Civil não confirmou a informação de que barrou a divulgação dos dados nem quis se manifestar sobre o assunto.

Por e-mail, o presidente do Inpe, Gilberto Câmara, disse apenas que está “essencialmente correta” a informação de que a demanda partiu do Palácio do Planalto.

A divulgação dos dados é em geral conduzida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
No começo do ano, o instituto foi alvo de polêmica após divulgar dados que mostravam um aumento no ritmo do desmatamento nos últimos cinco meses de 2007.

Os dados foram colocados em dúvida pelo Ministério da Agricultura, pelo governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, e pelo próprio Lula.

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