UE deve ter dificuldade para cumprir meta de biocombustível

PARIS (Reuters) – A União Européia pode não conseguir nem um terço de sua meta de uso de biocombustíveis produzidos internamente no setor de transportes até 2020, e terá de importar muito para atingir o objetivo, segundo um relatório da Agência de Desenvolvimento Européia (ADE). A UE quer que, até 2020, 10 por cento do combustível usado em meios de transporte venha de fontes renováveis –principalmente biocombustíveis. Críticos dizem que a meta vai contribuir para o desmatamento em países em desenvolvimento, além de ajudar a aumentar o preço dos alimentos. Por Pete Harrison, da Agência Reuters, publicado pelo UOL Notícias, 04/07/2008 – 16h01.

O relatório, visto pela Reuters e enviado aos 27 países-membros do bloco, mostra que o cenário mais efetivo em termos de custos e sustentabilidade seria aquele em que a produção interna responderia por apenas 3,4 por cento dos combustíveis usados nos meios de transporte da UE.

Uma porta-voz da ADE disse que o relatório ainda está na fase inicial e não será publicado antes de setembro.

Um importante parlamentar da UE disse na sexta-feira que tem amplo apoio parlamentar para propor uma mudança nos planos da UE, estabelecendo que apenas 4 por cento dos combustíveis usados em transportes nas estradas venham de fontes renováveis até 2020.

Claude Turmes disse à Reuters que um quinto desses combustíveis renováveis teria de ser biocombustíveis de segunda geração ou veículos elétricos. Haveria uma grande revisão em 2015 para decidir se a meta seria alterada para 8 a 10 por cento até 2020. “Primeiro, isso desaceleraria a corrida por combustíveis não sustentáveis, e então criaria um incentivo real para a segunda geração de biocombustíveis”, disse após uma reunião de ministros de Energia da UE.

BANCO MUNDIAL

A polêmica em torno da meta européia é crescente devido ao aumento dos preços dos alimentos e aos temores de desmatamento.

Um relatório confidencial do Banco Mundial citado no jornal britânico Guardian na sexta-feira informou que os biocombustíveis impulsionaram em até 75 por cento os preços dos alimentos — muito mais do que havia sido estimado anteriormente.

A UE quer evitar esses efeitos indesejados, utilizando critérios sociais e ambientais estritos, incluindo mecanismos para prevenir que as terras ricas em biodiversidade sejam usadas para a produção de biocombustível ou que o uso de terras agricultáveis causem desmatamento.

Uma carta conjunta de nações produtoras de biocombustíveis, enviada aos parlamentares da UE nesta semana, apóia a meta de 10 por cento, dizendo que é a melhor maneira de estimular a produção sustentável.

A UE deve ser cautelosa ao mudar sua legislação em assuntos que ainda não são totalmente compreendidos, dizia a carta assinada pelos embaixadores da Argentina, Brasil, Indonésia, Malauí, Malásia, Moçambique e África do Sul.

“As questões sobre as quais ainda há um pouco de incerteza, como a mudança indireta do uso da terra, devem ser abordadas futuramente, assim que houver provas científicas que permitam isso”, dizia a carta vista pela Reuters.

“As medidas que visam à proteção da biodiversidade devem ser precisas e não se deve penalizar desproporcionalmente os países ricos em biodiversidade com restrições amplas e injustificáveis ao uso de seus territórios”, acrescentou a mensagem.

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