exploração mineral: Uma ameaça à ecologia, artigo de Luiz Leitão

[O Tempo] Embora o alto preço de um produto seja indicativo de sua escassez e devesse contribuir para a redução do seu consumo, para a maioria das commodities este dogma não tem funcionado.

Ameaças a santuários ecológicos e regiões ainda virgens do planeta crescem na proporção direta da cotação do petróleo e de alguns minerais, pois altos preços tornam viável a prospecção de óleo, gás e minérios nos mais inóspitos recantos, como o Ártico, onde se delineia uma disputa pelas generosas reservas de hidrocarbonetos lá existentes.

A exploração das recém-descobertas jazidas de petróleo nos reservatórios abaixo da camada de sal da costa brasileira não seria rentável há alguns anos, assim como a extração de óleo dos gigantescos depósitos de areia betuminosa do Canadá, mas os preços, bem antes dos atuais US$ 135 por barril já justificavam a ordenha do óleo das areias de Alberta, cujo betume os índios usavam para impermeabilizar canoas.

As areias são uma mistura de água, areia e óleo pesado; jazidas tão vastas que podem ser consideradas seis vezes maiores que as da Arábia Saudita. O custo de extração é de aproximadamente US$ 27 por barril, mas a tecnologia atual, no entanto, só permite a recuperação de 10% das reservas.

A extração do óleo demanda muito calor, com a queima de enormes quantidades de gás natural e água. Efeito colateral do processo, a chuva ácida está acabando com a vegetação.

A água retirada diariamente do rio Atabasca, suficiente para abastecer 1 milhão de pessoas, embora reciclada, não se presta ao consumo; é depositada em lagos artificiais. Parte dela é contaminada por metais pesados e hidrocarbonetos carcinogênicos.

Mas há outra fronteira ameaçada pela alta das cotações de commodities.

O leito marítimo tem grande concentração de metais e petróleo e já existem protótipos de equipamentos de mineração submarina para extração de metais depositados nas proximidades de fissuras vulcânicas no leito oceânico, na linha de frente da emergente indústria de mineração submarina, o que preocupa ambientalistas e cientistas.

Os equipamentos extrairão minérios com teores metálicos muito maiores que os retirados de terra firme: 8% a 10% de teor de cobre, enquanto os das minas em terra têm, em média, 0,59%.

O primeiro sítio de prospecção fica em Papua Nova Guiné, e já há licenças de operação em Tonga, Fiji e Nova Zelândia, locais escolhidos por causa de sua proximidade com regiões de atividade vulcânica, às margens de placas tectônicas.

Ambientalistas acreditam que essa atividade poderá espoliar a biodiversidade de vastas áreas do leito marinho, causando perturbações em seu frágil ecossistema.

A operação é rentável enquanto os preços do cobre na Bolsa de Metais de Londres se mantiverem acima de £ 1,50; hoje, estão em £ 3,80.

O custo ambiental dessas alternativas, contudo, poderá ser astronômico, inviabilizando o planeta.

Artigo originalmente publicado pelo jornal O Tempo, MG, 27/05/2008

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