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Notícia

Fome já atinge 100 milhões no planeta

ONU diz que crise de alimentos afeta também a América Latina

A América Latina não está imune à crise mundial dos alimentos, mesmo sendo um dos principais locais de produção agrícola do planeta. O alerta é da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), ligada à ONU. A entidade publicou ontem um mapa da nova cara da fome no mundo, alertando que 100 milhões de pessoas já são atingidas e que o esforço de promover o desenvolvimento das regiões mais pobres do mundo nos últimos sete anos pode ser perdido com a atual crise. Por Jamil Chade, do O Estado de S.Paulo, 06/05/2008

Na América Latina, a alta nos preços dos alimentos pode levar 10 milhões de pessoas à camada mais miserável da população mundial. O caso mais grave é o do Haiti.

A ONU conta com apenas 13% dos mais de US$ 100 milhões que pediu aos governos para dar comida a 1,7 milhão de pessoas no país. Em El Salvador, a população hoje compra metade dos alimentos que adquiria há 18 meses.

Na Nicarágua, o preço da tortilla sofreu um aumento de 54% em um ano. Na Guatemala, o índice foi de 17%. A alta é conseqüência da inflação de 100% que atingiu o preço do milho em toda a América Central. O milho é o ingrediente básico da tortilla, uma espécie de massa de pão presente em diversos pratos da culinária local. Um outro problema reside na alta do preço do feijão, mais um alimento básico para a região.

Segundo levantamento do governo americano, a diferença entre o que a América Latina produz em alimentos e o que é consumido pela classe mais pobre cresce, apesar do cultivo recorde no continente.

De acordo com o Ministério da Agricultura dos EUA, a região pode passar por um “choque alimentar” nos próximos dez anos, se o modelo agrícola não for modificado. A diferença entre oferta e demanda seria três vezes maior na América Latina do que na Ásia ou África.

Diante da situação, a ONU iniciou nesta semana um estudo para tentar ajudar os governos latino-americanos. Um plano será apresentado a cada um dos países mais afetados na América Central. Mas a ONU admite que não tem um receita para evitar que a pobreza aumente na região.

NÚMEROS

10 milhões de latino-americanos podem ser levados à camada mais miserável da população mundial pela alta nos preços dos alimentos

13% dos mais de US$ 100 milhões que pediu aos governos é o que tem a ONU para dar comida a 1,7 milhão de pessoas no Haiti

100% é a inflação que atingiu o milho na América Central, elevando preços de alimentos tradicionais