Estudo português aponta sucesso de cogumelo contra câncer

Coimbra, 2 mai (Lusa) – Um suplemento alimentar à base de um cogumelo revela “grande eficácia” no combate ao câncer do colo do útero, afirmou o diretor da Unidade de Patologia Cervical do Instituto Português de Oncologia de Coimbra, José Silva Couto. O especialista disse à Agência Lusa que o tratamento com Coriolus versicolor (cogumelo sem nome popular), aplicado a um grupo de 43 mulheres acompanhadas no IPO de Coimbra durante um ano, “revelou grande eficácia”. Matéria da Agência Lusa, 02-05-2008 18:26:57.

Couto disse que foi “muito positivo” o impacto terapêutico do Coriolus versicolor, realçando a eficácia do uso de comprimidos à base deste cogumelo, cujo “efeito imunomodulador” é conhecido em várias culturas antigas da Ásia.

“A biomassa do Coriolus versicolor é um imunomodulador não específico e, como tal, usada como coadjuvante nutritivo para equilíbrio do sistema imunológico em pacientes submetidos a quimioterapia e radioterapia”, diz uma síntese do estudo.

Estudo

Segundo Couto, a pesquisa foi realizada juntamente com o diretor do Serviço de Ginecologia do instituto, Daniel Pereira da Silva. Um grupo de 43 mulheres com lesões cervicais, provocadas pelo human papilona vírus (HPV), foi dividido ao acaso em dois subgrupos.

Ficou demonstrado que o Coriolus versicolor teve “grande eficácia, quer na regressão da displasia (lesão de baixo grau), quer no desaparecimento do HPV de alto risco”.

Um dos subgrupos, formado por 22 pacientes, recebeu suplementação com Coriolus versicolor durante um ano, tomando seis comprimidos por dia, num total de três gramas.

As demais 21 doentes, o denominado “grupo controle”, não foram abrangidas pelo tratamento.

Segundo José Silva Couto, nenhum dos subgrupos foi submetido a qualquer procedimento terapêutico, permitindo uma “avaliação dos efeitos” do cogumelo em doentes “não submetidos a tratamento cirúrgico habitual”.

Entre as 43 doentes que iniciaram o estudo, só 39 completaram o protocolo, levando até o fim um ano de acompanhamento. Das 18 que utilizaram Coriolus versicolor ao longo de um ano, 13 (72%) manifestaram “citologia cervical normal”.

Em contrapartida, das 21 pacientes que não receberam suplementação, apenas dez tinham “citologia cervical normal”.

José Silva Couto e Daniel Pereira da Silva concluíram também que o tratamento, além do “impacto positivo” na regressão das lesões de baixo grau, pode ajudar também as doentes sujeitas a tratamento por lesões de alto grau, quando “o HPV de alto risco persiste após a cirurgia”.

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