Crise dos alimentos não deve matar de fome por enquanto, diz ONU

GENEBRA – A escassez de comida e o aumento do preço dos produtos alimentícios no mundo todo tendem antes a provocar subnutrição do que a matar de fome, ao menos no curto prazo, afirmou na quarta-feira o coordenador de uma nova força-tarefa da Organização das Nações Unidas (ONU). Por Laura Macinnis, da Agência Reuters, publicada pelo Estadao.com.br, quarta-feira, 30 de abril de 2008, 14:42.

John Holmes, que é também a maior autoridade da área de ajuda humanitária da ONU, disse ser cedo demais para fazer uma estimativa sobre quanto de dinheiro extra seria necessário para enfrentar as crises provocadas pela elevação do preço dos alimentos.

“As pessoas, em especial as de baixa renda, vão comer cada vez menos”, afirmou Holmes em uma entrevista coletiva em Genebra, de onde comanda grande parte das operações de ajuda da ONU.

“Mas não acredito que estejamos falando de uma fome generalizada ou de pessoas morrendo por falta de alimentos.”

Protestos, greves e distúrbios surgiram em países em desenvolvimento de várias regiões do planeta depois de a elevação abrupta dos preços do trigo, arroz, milho, óleos de cozinha e outros produtos básicos ter feito com que várias famílias encontrassem dificuldade para atender a suas necessidades básicas.

“Ainda não conseguimos fixar uma cifra para as carências humanitárias imediatas no ano que vem”, afirmou Holmes.

Na terça-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou a criação de uma força-tarefa para garantir uma resposta sólida e coordenada internacionalmente à crise da falta de alimentos.

Segundo Holmes, esse grupo deve incluir os chefes de agências importantes como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Programa Mundial de Alimentação (WFP), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a Organização Mundial do Comércio (OMC), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.

GRUPOS VULNERÁVEIS

A força-tarefa deve trabalhar para elaborar respostas de curto e longo prazo à crise dos alimentos, provocada, segundo economistas, por uma somatória de fatores, como a alta dos combustíveis e dos fertilizantes, o uso de terras aráveis para produzir combustíveis fósseis e uma onda especulativa nos mercados de commodities.

Holmes conclamou os países doadores a fornecerem dinheiro extra em resposta à crise que atingiu diversas regiões do mundo e vem dificultando os esforços do WFP para alimentar milhões de pessoas.

Crianças jovens, que podem enfrentar problemas de saúde perenes devido à subnutrição, bem como mães grávidas ou em fase de aleitamento encontram-se entre os grupos mais vulneráveis dos países em desenvolvimento.

“Os desafios aqui devem ser de dimensões tais que precisaremos de doações adicionais”, afirmou Holmes, citando a possibilidade de serem usadas as verbas do Fundo Central de Resposta a Emergências (Cerf), da ONU.

Ban fez das mudanças climáticas e da garantia de distribuição de alimentos duas das maiores prioridades de seu mandato à frente da entidade mundial, cargo que ocupa desde janeiro de 2006.

O sul-coreano criticou a comunidade internacional na terça-feira por não ter encarado com maior seriedade os avisos dados pela FAO e por outras entidades a respeito da alta dos preços.

“Previmos há dois ou três anos que esta crise aconteceria. Lamento que a comunidade internacional não tenha ouvido isso com mais atenção”, disse, em Genebra.

O antecessor de Ban no comando da ONU, Kofi Annan, disse em Salzburgo que os distúrbios ocorridos no Egito, nos Camarões, na Costa do Marfim, em Burkina Fasso, em Madagascar e em outros países da África eram um motivo de grande preocupação para o continente, onde os gastos dos países pobres com a compra de cereais deve aumentar mais 74 por cento em 2007/2008.

“Os custos econômicos, sociais e políticos são muito altos. Eles ameaçam transformar em pó as conquistas econômicas e políticas feitas pela África nos últimos anos”, disse Annan.

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