desmatamento ilegal: Sem autorização, cidade de MT desmata 25 Ibirapueras

Permissões para cortes estão suspensas em Marcelândia (MT) desde fim de janeiro. Números gerais sugerem queda na devastação, mas concentração de nuvens atrapalhou visualização das áreas via satélite e análise. Matéria de Marta Salomon, da Folha de S.Paulo, 23/04/2008.

Num período de muita chuva na região amazônica, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectou em março uma das maiores extensões de desmatamento do ano concentrada numa única área em Marcelândia, em Mato Grosso, superior a 25 vezes o tamanho do parque Ibirapuera (zona sul de São Paulo).

O município é um dos 36 que mais derrubaram árvores na Amazônia e, por isso, teve suspensas autorizações para cortes desde o final de janeiro. A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) sobrevoou Marcelândia, em 30 de janeiro, e, segundo sua assessoria, “constatou a grande extensão do desmatamento”. Na ocasião, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), se encontrou com ela e disse que as informações sobre desmatamento são imprecisas. Nas imagens de março, divulgadas ontem pelo Inpe, Marcelândia é líder absoluta na devastação. Em cinco áreas da cidade, foram 65,5 quilômetros quadrados a menos de florestas. O número representa 45% do total do desmatamento medido no mês pelo Deter, o sistema de detecção em tempo real.

A contabilidade final, disponível na página do Inpe na internet, sugere um primeiro sinal de freio no ritmo acelerado de desmatamento registrado a partir do segundo semestre de 2007, e responsável por dois alertas seguidos do Inpe.

Em março, o Deter captou 145,7 quilômetros quadrados a menos de floresta na região amazônica, o equivalente a 20% do desmatamento captado no mês anterior. Em fevereiro, depois do anúncio de medidas do governo para conter o problema, o Inpe ainda registrou o abate de 725 quilômetros quadrados de matas.

Técnicos do Inpe alertam que o grande volume de nuvens em março -tradicional nessa época do ano- prejudicou as imagens. Boa parte da região ficou debaixo de nuvens. Praticamente não houve registros na segunda quinzena de março.

Dados mais precisos só deverão ser divulgados no segundo semestre, a partir do sistema Prodes, mais preciso que o Deter. Apesar de os dados sugerirem um sinal de freio no desmatamento, pesquisa nos dados do Inpe indica novamente dificuldade para o governo cumprir a meta do ano. Do início de agosto de 2007 ao final de março deste ano, o Deter registrou 4.732 quilômetros quadrados de desmatamento, equivalente a três vezes a cidade de São Paulo. De agosto de 2006 a julho de 2007, foram registrados 4.974 quilômetros quadrados a menos de florestas.

Ou seja, faltando quatro meses para o fechamento do período de aferição, a diferença é de apenas 242 quilômetros quadrados nos dados do Deter. Os registros feitos em tempo real são mais rápidos, mas menos precisos: captariam menos da metade do desmatamento real, projetado pelo Prodes.
O Ministério do Meio Ambiente evitou comemorar ontem a aparente queda. “A redução é expressiva, mas temos de considerar que houve um problema dramático de nuvens, não estamos vendo boa parte da região, e a análise está sujeita a questionamentos”, disse João Paulo Capobianco, secretário-executivo do ministério. Segundo Capobianco, o satélite pode ter captado, em Marcelândia, um estágio preliminar do corte raso de árvores.

Flávio Montiel, diretor de fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), disse que dados de satélite servem como base para a ação dos fiscais. O diretor não obteve ontem resposta da fiscalização em Marcelândia: “Até o final do mês, teremos pelo menos 250 fiscais do Ibama em campo em Mato Grosso”. Áreas de desmatamento ilegal serão embargadas assim que os fiscais chegarem ao local.

Meta
A meta do governo é conter o desmatamento entre agosto do ano passado e julho deste ano em menos de 11,2 mil quilômetros quadrados -número medido em 2007 pelo Prodes, no terceiro ano consecutivo de queda da devastação. Apesar da redução, o mais recente levantamento anual divulgado ficou acima da meta original.

Segundo Marina Silva, 2008 representaria o “teste de fogo” para a política de combate ao desmatamento por dois motivos: pressões típicas do período pré-eleitoral e, sobretudo, aumento do preço de commodities, como a carne e a soja.

Governo do Pará vai leiloar madeira ilegal

O governo do Pará vai leiloar em 15 de maio, em Santarém, 5.500 metros cúbicos de madeira derrubada ilegalmente apreendida em ações de fiscalização do Ibama. Será o primeiro leilão de madeira apreendida, segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Estado.
O lance mínimo do metro cúbico será de R$ 300 para toras e de R$ 500 para madeira já serrada. O dinheiro arrecadado será usado para ações de fiscalização e de segurança e para a recuperação de áreas degradadas.

Segundo a secretaria, o leilão poderá ser realizado devido a um termo de cooperação entre o governo e o Ibama a partir do qual o Estado se tornou o fiel depositário da madeira apreendida e responsável pela destinação dela.

O leilão será aberto a pessoas físicas e jurídicas, desde que apresentarem documentação. Não será permitido que infratores que tiveram madeira apreendida arrematem os lotes.

Mato Grosso : secretário afirma ser preciso verificar dados “em campo”

“Com relação a Marcelândia, não posso afirmar o que aconteceu lá. Eu teria de verificar em campo”, disse Salatiel Araújo, secretário-adjunto de qualidade ambiental da Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente) de Mato Grosso. Ele afirmou que os dados relacionados a São Félix do Araguaia “conferem” com os coletados pelo governo estadual na região. O governador Blairo Maggi (PR) não foi localizado.

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