SP: Área poluída da zona oeste terá parque

Estudo mostra contaminação em antiga usina de compostagem, mas longe da superfície, na Vila Leopoldina – A Prefeitura de São Paulo planeja inaugurar em dezembro uma parte do Parque Orlando Villas Boas, no terreno da antiga usina de compostagem de lixo da Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo. Um estudo encomendado à empresa Geo Company constatou que a contaminação no solo é ainda pior do que se pensava, mas a maior parte está restrita às águas subterrâneas, o que não inviabiliza o parque. A região espera por essa resposta há quatro anos. Por Sérgio Duran, do O Estado de S.Paulo, 01/04/2008.

As substâncias mais tóxicas nem surgiram da atividade da usina – e sim de uma fábrica vizinha desativada, a Sab Wabco, que produzia freios de trens. A empresa deixou a região – sem deixar contato. A principal substância a contaminar o solo é o clorofórmio, que está em níveis cinco vezes superiores ao máximo permitido pela Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). As demais – exceto o ftalato, que aparece no local na forma de ‘BIS (2-etil-exil) ftalato’ – são do grupo dos organoclorados, o cloreto de vinila, o tricloroeteno e o tetracloroeteno. Os organoclorados estão ligados à síndrome da fadiga crônica. Quando inalado em grandes quantidade, o cloroeteno provoca perda de consciência.

Há áreas de emanação de gases e nas quais a contaminação sobe ao solo – que estão fora do terreno do parque. Neste, as substâncias estão restritas às águas subterrâneas, o que poderá dificultar obras com fundações profundas. ‘É uma situação triste porque a contaminação é muito grave, difícil de ser retirada, mas, por outro lado, a limpeza daquela região será um benefício para a cidade. Se o lençol freático está contaminado, as substâncias vão para o Rio Tietê, ali do lado’, diz a subprefeita da Lapa, Luiza Nagib Eluf, que coordena o grupo intersecretarial que cuida do parque.

O fato de a contaminação pior estar fora do local, no terreno que pertenceu à Sab Wabco, acabou ajudando os planos da Prefeitura. Segundo Luiza, o lote da indústria foi comprado pela Cyrela, que planeja construir um condomínio no lugar. ‘Dessa forma, a parte mais cara da descontaminação ficará com eles’, explica a subprefeita. Procurada, a construtora não contestou a informação.

Segundo Hélio Neves, chefe de gabinete da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, a equipe que cuida do projeto do parque analisa o estudo para preparar o plano de manejo da futura área verde. ‘Não sabemos ainda da extensão da contaminação nem qual o mapa das áreas crônicas. O estudo tem cinco cadernos. Começamos a ler o material agora. Estamos analisando.’

FESTA

A notícia foi recebida com festa pelo Movimento Popular de Vila Leopoldina. Segundo a presidente da associação, Gláucia Mendonça Prata, ela e o movimento lutaram 12 anos pela desativação da usina de compostagem. ‘Era um cheiro horrível, azedo, causava enjôo, dor de cabeça, alergia na pele. O adubo fabricado ficava curando ao céu aberto, liberando um chorume preto. Isso provocava uma degradação indescritível no bairro’, diz. A usina foi fechada em 2004 e a lei que cria o equipamento de lazer foi sancionada somente há um mês.

O vereador Gilberto Natalini conta já ter intermediado com a viúva do sertanista Orlando Villas Boas, que morou na Vila Leopoldina, a doação do material da Expedição Roncador-Xingu, que desbravou parte do território brasileiro durante 20 anos e culminou na criação do Parque Nacional do Xingu.

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