Cientista diz que aumento de biocombustíveis trará fome e falta d’água

Assessor científico do governo britânico criticou plantios para produzir energia. Para ele, não há como suprir demanda energética sem criar problemas agrícolas. O recurso crescente dos biocombustíveis representa uma ameaça para a produção mundial de alimentos e pode colocar em perigo a vida de milhões de pessoas de todo o mundo. Matéria Agencia EFE, publicada pelo portal G1, 07/03/2008 – 09h09 – Atualizado em 07/03/2008 – 09h53

Essa advertência foi dada em Londres pelo professor John Beddington, principal assessor científico do governo britânico, em seu primeiro discurso público importante desde sua nomeação para o cargo. “É muito difícil imaginar como o mundo vai poder produzir colheitas suficientes para gerar energia renovável e satisfazer ao mesmo tempo a enorme necessidade de alimentos”, declarou.

Segundo Beddington, até 2030 a população mundial terá crescido tanto que será necessário aumentar em 50% a produção de alimentos e para 2080 será inclusive necessário dobrá-la. Entretanto, a corrida atrás dos biocombustíveis significa que cada vez haverá mais terra arável entregue à produção deles, e não de alimentos.

Comida escassa

Segundo o professor Beddington, o risco de escassez de alimentos nos próximos vinte anos é tão agudo que políticos, cientistas e agricultores têm de se posicionar para procurar soluções. Os cientistas predizem que as secas serão mais freqüentes ao longo do século, e a demanda de água será cada vez maior não apenas pelo fato de que haverá muitos outros milhões de pessoas para bebê-la, mas também pelo fato de que haverá muita mais necessidade dela para as colheitas. A produção de uma tonelada de trigo requer, por exemplo, cinqüenta toneladas de água.

Segundo Beddington, assim como os Governos decidiram tomar medidas contra a mudança climática, é necessário fazer algo para evitar futuras crises de fome. “A demanda (de alimentos) cresceu muito no mundo, particularmente na China e na Índia. Até 2030 a demanda de energia terá crescido 50% e a de alimentos o fará na mesma proporção”, declarou o cientista. Beddington chamou de “loucura” a destruição das florestas tropicais para cultivar biocombustíveis.

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