Abelhas ajudam no reflorestamento da Amazônia

Elas são responsáveis por 30 a 90% do processo de polinização que resulta na produção de frutos – A importância das abelhas para o ecossistema vai além da produção do mel. Elas são responsáveis por 30 a 90% do processo de polinização que resulta na produção de frutos de plantas floríferas dos diferentes biomas brasileiros. Por Monalisa Silva – Assessoria de Comunicação do MCT.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) realiza pesquisas referentes a esse processo e comprovou o terceiro caso registrado no mundo de dispersão de sementes de plantas por abelhas.

De acordo com Alexandre Coletto da Silva, biólogo que acompanhou a pesquisa, os outros dois casos registrados foram na Austrália e na Amazônia, respectivamente. Coletto explica haver dificuldades para comprovar o fenômeno porque é necessário identificar as sementes dentro das colméias.

“No caso do nosso trabalho, conseguimos demonstrar que elas levam para dentro do ninho as sementes e que algumas caem no trajeto. Consegui filmar isso usando técnicas de escalada, para poder ter acesso aos frutos no alto das árvores. Confirmamos a presença das abelhas coletando a resina e as sementes”, relatou.

Hoje, o Inpa desenvolve estudo sobre a dispersão de sementes por abelhas sem ferrão para a reprodução do camu-camu (Myrciaria dubia), fruta nativa da Amazônia, encontrada nas áreas de várzea. Um das suas características é a riqueza no teor de vitamina C (ácido ascórbico) em quantidades maiores que as encontradas na acerola, no limão e na laranja, entre outras frutas.

Além da descrição morfológica do camu-camu, a pesquisa visa ao estudo da biologia floral e à exploração de técnicas de polinização nessas culturas com o intuito de aumentar a produção de frutos em plantio de terra-firme utilizando colméias racionais de abelhas sem ferrão da espécie Melipona seminigra merrilae Cockrell. Os principais polinizadores do camu-camu são abelhas do gênero Melipona e do grupo das Trigonas, embora outros grupos de insetos estejam envolvidos.

A bióloga Christinny Giselly Bacelar Lima, que participa do estudo, explica que o trabalho de dispersão de sementes é importante tanto para as plantas quanto para as abelhas. “O benefício é mútuo, para a abelha porque visitando a planta consegue o seu recurso floral e para a planta que por meio deste agente polinizador estará, conseqüentemente, frutificando e perpetuando a sua espécie”.

Ainda segundo Christinny, a pesquisa contribui para conservar a vegetação nas áreas de várzea, desde que se saiba fazer o manejo dessas plantas. Ela alerta que muitas vezes a própria população ribeirinha retira os frutos ou desmata, promovendo o desequilíbrio ecológico, visto que para coletar os frutos, as colméias são destruídas.

Proteção para as abelhas

O Projeto de Lei 1634/07, do deputado João Dado (PDT-SP), em tramitação no Congresso Nacional, prevê proteção especial às espécies de abelhas polinizadoras. Na sua justificativa o parlamentar diz que entre as ameaças que as abelhas enfrentam estão a monocultura, o uso intensivo de agrotóxicos, o desmatamento e as queimadas.

Com a redução das colônias de abelhas podem ocorrer diversos prejuízos para a biodiversidade e também para a agricultura, indústria e comércio de produtos derivados do pólen e do mel, além dos derivados obtidos das plantas que se reproduzem pelo processo de dispersão de sementes realizado pelo inseto.

A bióloga Christinny é a favor do projeto de lei. Ela assegura que os danos para a biodiversidade com a redução das populações de abelhas seriam inestimáveis. “Muito do que temos em nossa mesa como alimento depende exclusivamente dos polinizadores, desse processo natural. Então, se não há abelha, não teremos fruto e muitos outros alimentos”.

Matéria publicada pelo Jornal da Ciência, SBPC, JC e-mail 3458, de 27 de Fevereiro de 2008.

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