EcoDebate

Plataforma de informação, artigos e notícias sobre temas socioambientais

Notícia

Fenômeno natural muda mapa do Maranhão

Mar arrancou pela raiz todo o manguezal e as ilhas menores estão debaixo d’água. Floresta de manguezais protege a costa Norte do estado e está sendo levada pelo Atlântico. Do G1, com informações do Bom Dia Brasil, 19/02/2008 – 09h11 – Atualizado em 19/02/2008 – 09h16.

Um fenômeno natural está mudando o mapa do Maranhão. A floresta de manguezais que protege a costa Norte do estado está sendo varrida pelo Atlântico. O mar arrancou pela raiz todo o manguezal em uma ilha. Árvores com até 20 metros de altura estão amontoadas como gravetos na imensidão de areia.

“O mar derrubou isso tudo”, aponta o pescador Antonio Gatinho. As ondas também mexem com a rotina dos pescadores de camarão. Os ganchos de pau-a-pique são erguidos nas alturas. “Se tiver mais baixo, fica tudo no fundo”, diz outro pescador.

As correntes do Atlântico Norte batem de frente com a costa. O efeito impressiona. O oceano inunda o continente. Com o choque das ondas na terra, o mapa do Maranhão mais parece uma renda.

Humberto de Campos é um município que fica a cem quilômetros do mar. A maré sobe rio acima. A força da água destruiu até o cemitério da cidade. As ilhas menores também estão sumindo debaixo d’água. Cerca de 1,5 mil famílias abandonaram o cajual em Apicum-Açu depois que metade da ilha afundou. “Havia mais de mil casas no local”, diz o pescador Catarino Pereira.

Os retirantes do clima deixam para trás, no passado, tudo o que construíram. Quem ficou no cajual conta as horas para sair em busca de um refúgio seguro, longe do mar.

O fenômeno ameaça uma das estações mais importantes na rota das aves que cruzam o continente, fugindo do frio nas regiões geladas do planeta. A Floresta dos Guarás é também abrigo de maçaricos, uma espécie de pássaro.

“O mar subindo vai cobrir a maior parte ou de lama ou de areia. E se ele faz isso, o mar também já está diminuindo a área de alimentação das aves migratórias”, afirma a bióloga Thais de Moraes.