Especialista vê desigualdade social na raiz dos problemas de seca no Nordeste

Durante audiência pública no Plenário do Senado que discutiu o Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional, o representante da entidade Articulação para o Semi-Árido Brasileiro (ASA-Brasil), Luciano Marçal da Silveira, apontou a desigualdade social e econômica, e não a falta de água, como a principal causa dos problemas da população do semi-árido nordestino. Iara Guimarães Altafin, da Agência Senado.

Ele criticou o projeto de transposição do São Francisco por não ter como público prioritário as 10 milhões de pessoas que vivem no meio rural da região. Conforme observou, essa população difusa, que mobiliza a sociedade brasileira nas repetidas secas que ocorrem no Nordeste, não se beneficiará do projeto, que abrangerá apenas uma pequena parte da região.

– Ofertas concentradas de água nunca vão atender a demandas dispersas. A seca afeta muitas pessoas, que deveriam ser alvo de políticas integradas. Não sou contra uma grande obra, desde que seja o somatório de pequenas obras que beneficiem as pessoas que vivem no meio rural – opinou.

Luciano Silveira defendeu a mudança do modelo de desenvolvimento do país argumentando a favor da adoção de estratégias capazes de valorizar as potencialidades do semi-árido, com iniciativas descentralizadas e integradas. Ele lembrou ainda a existência de obras de irrigação inacabadas no Nordeste, que foram preteridas em favor do projeto de transposição.

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