TAC por desmatamento ilegal: Cosipar faz acordo com o Ibama

A Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar) vai plantar até 7 milhões de árvores em uma área de 32 mil hectares no Estado do Pará dentro do prazo de 10 anos. A ação é resultado de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a empresa e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) em dezembro e publicado no Diário Oficial da União em 16 de janeiro. Por Luciana Collet, Gazeta Mercantil, 29/01/2008.

O valor do investimento não foi divulgado, mas a empresa atualmente já detém uma reserva de proteção de 400 hectares no Pará, área que preserva e na qual estuda a biodiversidade, o que consome investimentos anuais de R$ 100 mil, informou o vice-presidente do Grupo Cosipar, Cláudio Monteiro. Além disso, a empresa possui um viveiro com produção anual de 7 milhões de mudas de eucaliptos, onde são aplicados R$ 12 milhões por ano.

Segundo o executivo, o viveiro passará por ampliação para poder cultivar também espécies nativas a serem plantadas na nova área. “Ainda estamos começando a desenvolver o projeto, escolhendo as áreas e estudando a modelagem, que pode ser de compra terras, arrendamento ou cessão de área. Tudo está para ser definindo”, disse.

Segundo a empresa, o TAC suspende todas as ações administrativas e judiciais que o Ibama tem contra a empresa e vice-versa, como a multa de R$ 65 milhões aplicada pelo instituto à Cosipar em 2005. Na época, o Ibama multou em R$ 500 milhões 12 siderúrgicas do Pará e Maranhão devido à não comprovação da origem do carvão vegetal utilizado pelas empresas. Desde então, as usinas vêm discutindo com o instituto Termos de Ajustamento de Conduta para tratar das questões. Segundo a Cosipar, a empresa foi a primeira a fechar um acordo.

Com a assinatura do TAC, a expectativa da companhia é que seja retomado o fornecimento de minério de ferro pela Companhia Vale do Rio Doce, suspenso desde outubro do ano passado, quando a Vale decidiu suspender o fornecimento da matéria-prima para todas as fabricantes de ferro-gusa que não estivessem cumprindo a legislação ambiental e trabalhista, o que penalizou oito empresas. “O mais difícil já foi feito, agora é o trâmite é burocrático, mas depois do carnaval tudo deve estar resolvido”, disse.

Com a suspensão do fornecimento, a Cosipar teve de reduzir a produção de ferro-gusa em 30%, ou 12 mil toneladas, das 40 mil/ mês. A receita da empresa em 2007 não foi divulgada. Em 2006, o Grupo Cosipar faturou R$ 200 milhões, incluindo as receitas com o braço de comercialização, que vendeu cerca de 1,2 milhão de toneladas.

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