Origami e o TAC por desmatamento ilegal, por Nelson Batista Tembra

[EcoDebate] Acabei de assistir nos telejornais que dentre as medidas adotadas pelo governo para conter o desmatamento na Amazônia, será admitido um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) a ser assinado com o propósito de perdoar as multas aplicadas pelo IBAMA aos infratores que vierem a reflorestar as áreas degradadas. A mesma notícia revelou que, das dezenas de milhões de reais nas poucas multas aplicadas, o governo não recebeu sequer o equivalente a sete por cento desses valores.

Será que o governo realmente acredita que isso vai funcionar? Será que realmente acreditam que poderão controlar o meio ambiente somente no papel? Pelo andar da carruagem, sou forçado a acreditar que sim. Mas não creio que aqueles que sequer pagaram as multas irão recuperar qualquer área degradada. Não acredito em estórias da carochinha. O problema é a certeza da impunidade. Os infratores não pagam as multas e o governo não faz qualquer esforço para recebê-las. Através do TAC, o governo faz de conta que está controlando o desmatamento, e os infratores farão de conta que irão reflorestar.

Diante do exposto, gostaria de sugerir ao governo do Lula que mande urgentemente todo o pessoal do Ministério do Meio Ambiente e do IBAMA ao Japão, para fazer um bom curso de Origami, que é a arte japonesa de dobrar o papel. A origem da palavra advém do japonês ori (dobrar) kami (papel), que ao juntar as duas palavras a pronúncia fica “origami”.

Explico: segundo a cultura japonêsa aquele que fizer mil origamis terá um pedido realizado. Assim, com cursos de pós-doutorado em papel no exterior, o problema do desmatamento na Amazônia será facilmente resolvido, mas não poderão esquecer de pelo menos formular o pedido. Vou parar por aqui, é tanta náusea que irei correndo para o banheiro…

Nelson Batista Tembra, Engenheiro Agrônomo e Consultor Ambiental, com 27 de experiência profissional, é colaborador e articulista do EcoDebate

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