Biocombustíveis: projeto europeu para salvar o planeta é contestado

BRUXELAS, 22 Jan 2008 (AFP) – Os biocombustíveis deverão compor 10% dos combustíveis consumidos pelos veículos dos europeus em 2020, um projeto denunciado por inúmeros críticos como não realista, e até perigoso para o planeta. Matéria da Agência France-Presse, publicada pelo UOL Notícias, 22/01/2008 – 11h42

Este objetivo faz parte do vasto plano contra o aquecimento global que deve ser apresentado em detalhes pela Comissão Européia. Mas o plano ambiental envolvendo os combustíveis de origem agrícola (etanol, biodiesel) é alvo de fortes ataques.

Aguardando uma segunda geração mais desenvolvida, mas ainda em estágio experimental, os biocombustíveis disponíveis ameaçam a biodiversidade e, em alguns casos, levando ao deslocamento de populações, de acordo com diversas ONGs.

Um relatório da Câmara dos Comuns britânica concluiu esta semana que “o apoio aos biocombustíveis foi prematuro em relação aos grandes riscos ambientais associados às tecnologias atuais”. A crítica também foi feita em um documento interno da Comissão.

“Este objetivo de 10% será difícil de ser atingido”, reconheceu um comissário europeu, que solicitou anonimato, pedindo que a flexibilidade “não se torne uma aberração”.

“Transformar os bosques em terras aráveis produz uma enorme quantidade de CO2”, ressalta o eurodeputado verde Claude Turmes, especialista em questões energéticas. Seria muito mais eficaz, segundo ele, pedir aos fabricantes de automóveis alemães e suecos que aumentem seus esforços para reduzir as emissões de CO2 dos motores dos carros novos.

Apesar do ceticismo, os critérios “verdes” que a futura produção de biocarbonetos terá que respeitar foram enfraquecidos, segundo uma nova versão do projeto da Comissão obtido pela AFP.

Nesse sentido, Bruxelas estipula que os biocarbonetos não deverão ser produzidos com matérias primas procedentes de selvas, zonas naturais protegidas e zonas pantanosas ou de bosque (mais de um hectare com árvores com mais de 5 metros de altura).

Contudo, a medida só se aplicará a partir de 2008, ao invés de 2003 como estava previsto inicialmente, o que significa “dar um cheque em branco” para todos aqueles que destruíram as florestas tropicais nesses últimos meses, indicam várias organizações ecologistas.

A comissão promete vigiar eventuais “mudanças de preços das matérias primas” e os eventuais efeitos sobre a “segurança alimentar” em países fora da UE.

Top