Muda nativa recupera áreas degradadas

Em um hectare, a recomposição da vegetação em margens de rios com plantio de mudas nativas custa em média R$ 3 mil, segundo informações do biólogo Alex Marcel Melotto, que desenvolve estudos técnicos no Viveiro da Geonativa Florestal, localizado no Indubrasil, em Campo Grande.
Segundo ele, a solução primária para a recuperação de áreas degradadas é o florestamento, que significa plantar diversas espécies de mudas nativas. “Para você fazer o plantio, é preciso a avaliação sobre o que tinha antes e licitar as espécies. Cada área tem suas características”, comentou. Matéria do jornal Correio do Estado, MS, 14/01/2008

Além de consciência ambiental, para adotar o sistema de recomposição de área degradada, de acordo com o biólogo, é preciso investimentos no passo-a-passo do plantio de mudas nativas. “Primeiro, deve-se isolar a área. Se tem gado, essa área não poderá ser utilizada para a pecuária. Colocar cercas no local, definindo as áreas de pastagens, fazer o combate às braquiárias e o plantio e adubar”, explicou.

Consciência ecológica

O biólogo esclareceu que a população em geral deve desenvolver a consciência ecológica. Para ele, não é necessariamente obrigação só do proprietário de imóvel com área de preservação permanente fazer o florestamento. Segundo Alex Marcel Melotto, todo cidadão tem o dever de plantar uma árvore. “Para compensar o nível de emissão de gás carbônico”, disse.

De acordo com informações da Agência Brasil, é calculado que cada cidadão libera em média 2,07 toneladas de gás carbônico ou dióxido de carbono na atmosfera por mês. Segundo cálculos de entidades não-governamentais, para neutralizar essa quantidade de gases que causam o efeito estufa é preciso plantar árvores.

Considerando que o consumo médio por pessoa de energia elétrica é de 100 quilowatts-hora por mês, segundo o cálculo de uma ONG, isso gera uma emissão de 0,32 tonelada de CO². Por ano, essa emissão passa a ser de 3,84 toneladas desse gás por habitante e, com relação ao consumo de gás de cozinha por pessoa, por ano, a emissão é de mais 2,4 toneladas e, ainda, levando em conta que cada pessoa percorre de veículo cerca de 850 quilômetros por mês, em um carro pequeno movido a gasolina, com motor até 1.4, cada pessoa liberaria 1,55 tonelada de CO² na atmosfera por mês, ou 18,6 toneladas por ano.

Se uma pessoa consumir esses valores médios de energia elétrica, de gás e de combustível, estará liberando na atmosfera 2,07 toneladas de gás carbônico por mês, em média, ou 24,84 toneladas por ano. Para compensar esses níveis de emissões, é recomendado para que cada cidadão plante 14 árvores por mês ou 168 por ano. “As árvores absorvem o gás carbônico”, enfatizou o biólogo.

Espécies

No Viveiro Geonativa Florestal, segundo o biólogo Alex Melotto, são encontradas atualmente 17 espécies nativas. Entre elas: ipê roxo, amarelo, ximbruva, jenipapo, cedro rosa, paineira, jacarandá, guatambu, cumparu, guapuruvu, guanandi e ingá.

Em média, três pessoas preparam cinco mil mudas por dia. Segundo Melotti, o viveiro tem estrutura para produzir o número necessário de espécies, de acordo com a necessidade do plantio.

Além das mudas nativas, o biólogo informou que o viveiro produz plantas exóticas (cedro australiano, eucalipto, nim indiano), excelentes também para ornamentação e, ainda, as de esperas, que são vendidas com 1,5 metro de altura para arborização de calçadas, estacionamentos e jardins.

O técnico recomenda aos interessados na escolha de uma muda nativa a opção por aquelas plantadas em tubetes de propileno em 100 centímetros cúbicos. “Essa é a muda de melhor qualidade que sai pronta para o plantio”, demonstrou.

No viveiro, o cultivo das mudas passa pelo processo de estufa e de luminosidade. “Na primeira fase, ela fica na estufa e, depois, passa 50% de luminosidade e, por último, recebe o sol pleno que garante a sobrevivência no plantio”, explicou.

Paraná fez plantio de 76 milhões de mudas

O Programa Mata Ciliar, adotado desde 2003 pelo Governo do Paraná, já garantiu o plantio de 76,1 milhões de mudas nativas nas margens dos principais rios do Estado.

Enquanto não há políticas como essa em Mato Grosso do Sul de recomposição da vegetação, como vem ocorrendo em São Paulo e Paraná, o promotor de Justiça Alexandre Lima Raslan, que está afastado do Ministério Público Estadual (MPE) para conclusão de mestrado em Direito Ambiental, prevê a extinção das florestas nativas.

Para o promotor, a cobertura florestal nativa da Bacia do Paraguai, onde se encontra o Pantanal sul-mato-grossense, poderá acabar em 45 anos. Já a situação da Bacia do Paraná, endereço futuro para dezenas de novas usinas de cana-de-açúcar, segundo Raslan, se tornou ainda mais preocupante e o prazo reduz para 25 anos. “Esses prazos e efeitos são atingíveis. É preciso atuar para que isso não ocorra. Muito pouco dinheiro é reaplicado na questão ambiental. Empresários têm direito de empreender, mas é necessária a conversão dos recursos em favor do Meio Ambiente”, disse o promotor Raslan.

De acordo com as observações do promotor, a Bacia do Paraguai responde pela maior área desmatada (329.554,37 ha) ao ritmo de 457,1 ha desmatados por dia útil. Já na região da Bacia do Paraná, foram 226.086,58 ha em três anos, numa média de 316,79 ha por dia útil.

Segundo ele, a perda de cobertura florestal deve ocorrer até 2.052 na Bacia do Paraguai, que totaliza 188.991 quilômetros quadrados no Estado (31,4% do total no Brasil) e até o ano de 2.032 na Bacia do Paraná, numa área de 170 mil quilômetros quadrados, ou 31,4% do total. (NO)

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