Volume de reservatórios teve queda acentuada, mas continua acima dos níveis de 2001

A escassez de chuvas no último trimestre de 2007 provocou queda acentuada no volume útil dos reservatórios do Nordeste e do Sudeste/Centro-Oeste, mas os índices são menos críticos do que os registrados no mesmo período de 2001, ano do “apagão” que provocou o racionamento do consumo de energia. Os dados comparativos são disponibilizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. Por Marco Antônio Soalheiro, repórter da Agência Brasil . (Leiam, também, nota do Ecodebate)

Em março de 2007 o reservatório de Sobradinho (a 556 quilômetros de Salvador, no norte da Bahia), tinha 98,62% de volume útil preenchido. De lá para cá, começou uma queda progressiva. Em outubro o índice não passava de 25,57%. Caiu para 18,77% em novembro e para 16,52% em dezembro. Apesar de baixos, os níveis recentes ainda significam certa folga em relação a 2001. Em outubro e novembro daquele ano, o volume útil no reservatório de Sobradinho era de apenas 6,3%. Foram as reservas mais baixas durante o período do apagão.

Considerando todos os reservatórios do Nordeste, o volume armazenado era de 40,15% em Outubro de 2007 contra 8,41% no mesmo mês de 2001. Até ontem(10) o índice de armazenamento era de 27,12%, valor bem superior ao pior índice regional do ano do apagão (7,84% em Novembro de 2001).

Os reservatórias do Sudeste, com volume atual armazenado de 44,47%, estão em queda desde abril de 2007, quando o índice era de 86,68%. Mas teriam de sofrer mais reduções progressivas para que se configurasse situação como a de setembro de 2001, durante o apagão, quando tinham apenas 20,61% de energia armazenada, valor mais baixo da região naquele ano.

Ontem (11), o Instituto Nacional de Meteorologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) confirmou que, com exceção de regiões pontuais, vai chover mais até março do que o volume registrado no último trimestre de 2007. A expectativa das autoridades do setor elétrico é que a situação dos reservatórios volte para níveis mais razoáveis, mas o governo adotou medidas preventivas para evitar que se repita a necessidade de racionamento de energia no país.

Já estão em funcionamento 31 usinas térmicas – 25 que geram energia a gás e seis, a óleo. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquin, também ressaltou nesta semana que, de 2001 para cá, foi dobrada a capacidade de transmissão de energia do Sul para o Sudeste do Brasil e aumentada em duas vezes e meia capacidade de transmissão do Sudeste para o Nordeste.

Nota do EcoDebate

De acordo com dados oficiais da CHESF: ” O reservatório de Sobradinho tem cerca de 320 km de extensão, com uma superfície de espelho d’água de 4.214 km2 e uma capacidade de armazenamento de 34,1 bilhões de metros cúbicos em sua cota nominal de 392,50 m, constituindo-se no maior lago artificial do mundo, garantindo assim, através de uma depleção de até 12 m, juntamente com o reservatório de Três Marias/CEMIG, uma vazão regularizada de 2.060 m3/s nos períodos de estiagem, permitindo a operação de todas as usinas da CHESF situadas ao longo do Rio São Francisco.”

Pelo que sei, o reservatório de Sobradinho pode suportar até dois anos de estiagem até chegar a 10% de seu volume útil. Então como foi possível que fosse reduzido de 98,62%, em março/2007, para 16,52% em dezembro/2007, com uma redução de 82,10% do volume útil em apenas nove meses.

Nenhuma estiagem, por sí só, explica tal redução, da ordem de 28 bilhões de metros cúbicos. Alguém mais, além de São Pedro, deve explicações para tal inacreditável redução.

Henrique Cortez, henriquecortez@ecodebate.com.br
coordenador do EcoDebate

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