estiagem: Inpe alerta para racionamento

A falta de chuvas durante o verão – que ainda está na metade – nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste do País preocupa os pesquisadores do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe). Numa avaliação feita ontem, foi detectado que a situação de estiagem é a pior dos últimos quatro anos, e a energia armazenada em reservatórios é a menor também no mesmo período. A reportagem é de Simone Menocchi e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 10-01-2008.

“Estamos operando com apenas 30% da capacidade, segundo dados do ONS. Se continuar dessa forma, sem chuva, haverá racionamento”, alerta o pesquisador Marcelo Enrique Seluchi, chefe de operações do Cptec/Inpe, referindo-se ao Operador Nacional do Sistema Elétrico. Segundo Seluchi, a estação chuvosa está muito fraca. Em dezembro, por exemplo, choveu, em média, cerca de cem milímetros a menos nas regiões de São Paulo, Minas Gerais e Rio.

“A situação é grave porque choveu pouco em Minas, onde está a nascente do Rio São Francisco, e em São Paulo e Mato Grosso do Sul também, onde estão as nascentes do Rio Paraná.” O Rio Paraná abastece a Usina de Itaipu, considerada a maior hidrelétrica em operação no mundo.

A média de chuva dos últimos 30 anos para dezembro é de 250 milímetros por metro quadrado. Se dezembro foi ruim, a previsão para janeiro não é das melhores. “Nos primeiros oito dias, já vemos que está deficiente. Choveu menos do que deveria. Cerca de 60% menos em Minas e 40% menos em São Paulo e Mato Grosso do Sul.” De acordo com o especialista, o problema já se arrasta desde o ano passado. Em 2007, a estação chuvosa terminou mais cedo, em fevereiro.

“Não tivemos chuva em março, não houve as águas de março”, diz o pesquisador. Também no ano passado, a estação das chuvas, que deveria começar em outubro, começou um mês depois. “No início do ano passado, a situação era boa, mas a água foi acabando, os reservatórios baixando e acreditávamos que pudesse chover. Agora, se não chover nos próximos dois meses, entraremos numa situação perigosa”.

Frentes frias de fraca intensidade, chamadas de Zonas de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) – fenômeno que provoca a instabilidade do tempo – e até pancadas de chuva de verão diferentes, mais fracas, são apontadas como características dessa estiagem. De acordo com Seluchi, a pressão atmosférica está muito alta e faz com que o ar desça em direção à terra, em vez de subir para formar as nuvens. “Isso inibe a formação de chuva. Para chover, é necessária a ascensão do ar.”

O fenômeno La Niña, que é a redução da temperatura média das águas do Pacífico Equatorial, que neste ano atua sobre o planeta, também pode estar associado à estiagem. “Em 2001 também tivemos o La Niña e choveu menos. Pode ter alguma influência”, diz Seluchi.

(www.ecodebate.com.br) matéria publicada pelo IHU On-line, 10/01/2007 [IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

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