Leitor comenta artigo Diversificação de Sistemas Agrícolas: O que pode ser feito?, de Carlos R. Spehar

“As políticas públicas de nosso país, como biodiverso, deveriam priorizar o biológico, o humano”
Leia a mensagem de Allysson Allan, graduando em Ciências Biológicas da UEPB, sobre artigo publicado no JC e-mail 3419, de 27 de dezembro:

“Agroecologia é a palavra, caro Carlos R. Spehar.

Temos o início da Agroecologia com Klages, Hanson, dentre outros, que na década de 30/40 destacavam a importância da ecologia na agricultura.

A Agroecologia vem ganhando espaço atualmente na Ciência com teóricos como Gliessman, Altieri, Flora, em discussões acadêmicas onde a palavra-chave é: sustentabilidade, tanto humana quanto dos recursos naturais extensamente extraídos e repostos, pelos sistemas agrícolas.

Para que extraí-los? Têm-se uma quantidade imensa de técnicas que podemos utilizar para construir a agricultura em conjunto com ambientes antes desfavorecidos, ditos como “mato” pelos agricultores, distribuindo plantas forrageiras, nativas, produtoras de grãos, diretamente contribuindo com diversidade da fauna e, conseqüentemente, com a sustentabilidade dos recursos naturais.

Variados desastres ambientais, que levam a escassez de comida em diversas localidades rurais brasileiras, não teriam acontecido pela constância dos fatores climáticos, onde a previsão do conhecimento tradicional do agricultor seria favorecida com o uso da Agroecologia.

No Nordeste, por exemplo, temos a problemática da cerca, e não da sêca. Crescendo exponencialmente, as propriedades de hectares com quatro dígitos são invadidas com pecuária e monocultura, devastando solos, desflorestando, acabando sistemas aquáticos (dentre outros problemas), antes de consultar a riqueza diversa da Caatinga, deixando as potencialidades regionais de lado.

A base da produção em cima lucro rápido, promovido pelo mecanicismo da Agricultura Convencional pode dar lugar, paulatinamente, a Agricultura Agroecológica com produção em longo prazo, buscando formas de rendimentos e consumo pela fusão de conhecimentos da população com a academia. A ação neste âmbito engloba as feiras agroecológicas utilizadas para negociação dos produtos cultivados.

Tecnologia, ecologia e fatores sócio-econômicos fazem com que o tema seja debatido pelos Movimentos Sociais, ONGs, Embrapa, MMA, Emater, MCT, Universidades, Mapa, MDA, e grande parcela dos que participam do agronegócio.

Mas não entre as empresas que detêm o poder das monoculturas, dos commodities. A agricultura não ao desenvolvimento humano, e sim ao voraz mercado de poucos e ecologicamente irresponsável, tem sido o grande obstáculo da Agroecologia nacionalmente.

As políticas públicas de nosso país, como biodiverso, deveriam priorizar o biológico, o humano, como amplamente discutido nas Conferências Municipais, Regionais, Estaduais e Nacionais do Meio Ambiente.

A Resiliência Social é de difícil adaptabilidade em prol da sustentabilidade, requer tempo, educação e debate intenso na mídia para, enfim, termos legitimidade em nossas urgentes ações profissionais multidisciplinares.”

Comentário publicado pelo Jornal da Ciência, SBPC, JC e-mail 3423, de 04 de Janeiro de 2008.

Nota: o artigo “Diversificação de Sistemas Agrícolas: O que pode ser feito?

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