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Artigo

Chapada Limpa coletar bacuri do chão, por Mayron Régis

Chapada Limpa – área de 630 hectares no município de Chapadinha, Baixo Parnaíba maranhense – os bacurizeiros vicejam – os bacuris desapegam-se – na alvura do Cerrado, os homens não se apequenam – vão – desentortados, entortam-se – a torto e a não direito – o mundo dos brejos – o mundo das veredas – o mundo das chapadas – o de por perto – o que não está à vista.

Chapada Limpa – Cerrado: os bacurizeiros avolumam e lambuzam o chão da chapada com seus frutos e com suas folhas. Então, os homens ajoelham e arrebanham com suas pequeninas mãos os bacuris um por um e, entortados pelo peso dos sacos, eles os levam para forrarem suas casas, por dentro e por fora – por certo, os bacuris de hoje não são os de ontem que foram papados pela paca, pela cutia e pelo veado.

Chapada Limpa: Área de ocorrência do bacuri – a coleta direta da árvore, feita por estranhos, a danifica e desvaloriza o fruto. Os números gratificam as famílias que moram nas cercanias e que retiveram a tradição de coletar os bacuris do chão: 800 frutos por semana e uma renda média mensal de R$300,00 no ano de 2005. Área de ocorrência do bacuri – e de outras espécies: o açaí, o buriti, o babaçu e a fava-danta, que também movimentam a pequena economia da comunidade para perto da economia de Chapadinha, entortando a boca de quem deprecia o agroextrativismo.

Chapada Limpa – as chamas do fogo, aceso por vaqueiros, se alastram demasiadamente – novas áreas para a boiada pastar – os homens e as mulheres temem o fogo descontrolado – de como prejudicará suas vidas e o meio ambiente à sua volta – portanto, se unem para coibir seu avanço sobre as suas propriedades e sobre as áreas de bacurizais.

Chapada Limpa – Cerrado: os corredores das águas. Vinte e três nascentes e brejos – os brejos do Canto Escuro, da Bandeira e de Viana – a dispensa do sol – as palhas dos buritizais esvoaçando – o desabar da chuva – o sem-fim e o sem-princípio das águas pela vegetação rasteira – importante, para o futuro dos Cerrados e das bacias hidrográficas, as águas estacionadas nos brejos aos pouquinhos se depositam nas camadas inferiores – logo abastecerão os rios que banham e que povoam os povoados e cidades – como aqueles que o rio Munim banha, povoa e abençoa com suas águas.

Chapada Limpa – as comunidades do Meio, das Chapadas Limpas I e II, da Santa Rita, da Prata e do Buritizinho entroncam-se na comunidade de Juçaral – a maior das comunidades. Esta principiou com o Ibama, no ano de 2004, uma conversa sobre a criação de uma reserva extrativista na área batizada como Chapada Limpa – mês de janeiro de 2006, vistoria de equipe do Ibama na área – bate-papo com vinte e sete residentes – estes apalavraram entre si e para os analistas do órgão que a reserva extrativista maximizará a sua mobilização pela contínua valorização da fauna e da flora e pela conscientização dos problemas sócio-ambientais dessa região – Ibama a considerando como um importante exemplar do Cerrado do nordeste maranhense – excelente estado de conservação.

Mayron Régis , jornalista.

EcoDebate, www.ecodebate.com.br, 07/03/2006