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Crise, alimento e valores, artigo de Selvino Heck

[Crisis, food and values, article by Selvino Heck]

desperdício de alimentos
desperdício de alimentos

Uma família brasileira joga fora, em média, meio quilo de comida por dia. Um hipermercado pode desperdiçar por mês até 2000 quilos de alimentos bons para o consumo, mas não para a venda. A perda de alimentos nas feiras livres de São Paulo é estimada em 1000 quilos por dia.

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), no Brasil ocorre o desperdício de 26 milhões de toneladas de alimentos por ano, volume suficiente para alimentar bem 35 milhões de pessoas. De 100 caixas de produtos alimentares colhidas no campo, 39 não chegam à mesa do consumidor. Das 43,8 milhões de toneladas de lixo geradas anualmente no Brasil, 26,3 são de comida. 60% do lixo urbano produzido no Brasil é composto por restos de alimentos.

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Mais de um bilhão de pessoas deverão passar fome em 2009

[More than a billion people should go hungry in 2009]
Mapa da Fome, FAO
Mapa da Fome, FAO

A recente queda dos preços das matérias-primas alimentares não mudará nada, ao menos de imediato. O número de pessoas que deverão passar fome aumentará em 2008. E ultrapassará um bilhão de indivíduos em 2009, alertou Olivier de Schutter, relator da ONU para o direito à alimentação, nesta segunda-feira, dia 27 de outubro. A reportagem é de Hervé Morin e publicada no Le Monde, 29-10-2008. A tradução é do Cepat.

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Soberania alimentar e a agricultura, artigo de João Pedro Stedile e Dom Tomás Balduíno

Atualmente, não mais do que 30 conglomerados transnacionais controlam toda a produção e o comércio agrícola mundial

Em 1960, havia 80 milhões de seres humanos que passavam fome em todo o mundo. Um escândalo! Naquela época, Josué de Castro, que agora completaria 100 anos, marcava posição com suas teses, defendendo que a fome era conseqüência das relações sociais, não resultado de problemas climáticos ou da fertilidade do solo.

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Falhas de longo prazo no sistema alimentar mundial, artigo de Ricardo Abramovay

“A principal proposta para enfrentar este desafio crucial está no termo intensificação ecológica. O aumento dos rendimentos terá que ser compatível com a preservação dos ecossistemas. Mais que isso: não poderá apoiar-se na energia fóssil que acompanhou a produção de sementes de alta potencialidade durante a revolução verde. Interromper imediatamente a perda de biodiversidade a que conduziu o crescimento agrícola até aqui é indispensável”

[Valor Econômico] A expressão que dá título a este artigo foi empregada recentemente por Joachim von Braun, diretor geral do International Food Policy Research Institute (IFPRI), de Washington (Responding to the World Food Crisis. Three Perspectives. IFPRI (2008).. A celebração, hoje, do Dia Mundial da Alimentação realiza-se num ambiente em que os preços agrícolas conhecem não só aumentos espetaculares, mas uma volatilidade que põe a insegurança alimentar no centro da agenda internacional.

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mistura da mandioca ao trigo: Vender ilusões, artigo de Nagib Nassar

“A mistura da mandioca ao trigo é uma solução extremamente eficiente para substituir importações e evitar o risco da dependência”

A notícia sobre o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei que regulamentaria a adição de derivados de mandioca à farinha de trigo deixou espantados a nós cientistas, aos economistas e até aos observadores neutros de outros países.

O que o senhor presidente vetou foi aquilo que ele mesmo colocou como prioridade máxima e uma vez chamou de melhorar a vida dos pequenos agricultores e outra vez de fome zero. Tantos nomes são dados: mudam-se as palavras, mas o conteúdo fica mesmo.

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A mesa da vida, artigo de Marcelo Barros

[Adital] Em todas as culturas, a convivência humana e a comemoração das alegrias ocorrem em torno da mesa e dos alimentos. A alimentação tem a finalidade de sustentar a vida biológica, mas vai além disso: é expressão de convívio e instrumento de comunhão fraterna. Infelizmente, esta tradição cultural não é valorizada pela sociedade moderna. Esta prefere o lucro à partilha e valoriza mais a concorrência do que a colaboração.

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FAO pede que países ricos não se esqueçam da crise de alimentos

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) quer lançar este ano uma mensagem para que a crise dos alimentos não seja esquecida ou ofuscada pela atual turbulência financeira, disse hoje à Agência Efe José María Sumpsi, número dois do órgão, por ocasião do Dia Mundial da Alimentação.

“Não esqueçam a fome nem a crise dos alimentos” é a mensagem por meio da qual a FAO expressa seu principal temor: que a crise financeira desloque a dos alimentos do primeiro plano da agenda política mundial, afirmou Sumpsi. Por Antonio Lafuente, da Agência EFE.

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Carta ao Betinho Souza e ao presidente Lula, artigo Apolo Heringer Lisboa

Aqueles que sempre viveram com fome, tendem a não reagir; adaptam-se à pobreza total, inclusive com direito a religião apropriada, que valoriza o jejum e os faquires. Mas, se não é o caso de perder a cabeça com a própria fome, muito menos se justifica perdê-la com a fome alheia, menos dolorosa. A atual campanha contra a fome não é comandada pelos que têm fome; mas pelos que estão de barriga cheia, e se comoveram com a fome alheia. A campanha, na verdade, não é propriamente contra a fome, mas contra a falta de alimentos e outras necessidades do povo. Ter fome é sinal de saúde e argumento para alta hospitalar. E fome não se reduz a comida.

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O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres? artigo de Frei Betto

[Folha de S.Paulo] O abalo dos muros - No próximo ano, completam-se 20 anos da queda do Muro de Berlim, símbolo da bipolaridade do mundo dividido em dois sistemas: capitalista e socialista. Agora assistimos ao declínio de Wall Street (rua do Muro), na qual se concentram as sedes dos maiores bancos e instituições financeiras.

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A fome expressa a natureza da desigualdade, entrevista com Rosana Magalhães, da Fundação Oswaldo Cruz

Ao analisar os programas de transferência de renda no Brasil, a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Rosana Magalhães acredita que “tais programas enfrentam o desafio de não se tornarem uma ajuda e sim um direito social associado ao fortalecimento de novos horizontes para a maior inserção social”. Em entrevista concedida por e-mail para a IHU On-Line, ela ainda afirma que “outro dilema importante é garantir de fato a convergência de políticas sociais e, portanto, o maior acesso ao conjunto de bens e serviços coletivos”. Rosana acrescenta que “fome e pobreza não são sinônimos, embora sejam processos associados de maneira complexa e contraditória. A efetividade da renda na redução da insegurança alimentar, sabidamente importante para a compra de alimentos no mercado pelas famílias, só será plena se articulada a fortes investimentos em educação, promoção da saúde, inserção ocupacional, saneamento básico e acesso à terra”.

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O inferno do Haiti depois dos furacões: morte, lixo, fome e desolação


Foto: UN World Food Programme

O ar é pegajoso. O sol bate sem piedade, ainda que já seja quatro horas da tarde e, em duas horas, será noite. O cheiro golpeia. Mistura de águas paradas, montanhas de lixo e animais mortos. Gonaives, a terceira cidade em importância no Haiti, segue inundada depois da passagem de dois furacões e de uma tempestade tropical no mês passado.

A reportagem é de Carolina Brunstein, e publicada pelo jornal Clarín, 22-09-2008. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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O alimento tornou-se uma mera mercadoria, entrevista com Francisco Menezes, diretor do IBASE


Em entrevista concedida por e-mail para a IHU On-Line, Francisco Menezes, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), anuncia: “O mundo se depara, nesse momento, com um enorme desafio. O sistema de produção e consumo alimentar é insustentável econômica, social e ambientalmente”. Para ele, “a raiz do problema está no fato do alimento ter se transformado em mera mercadoria”. No entanto, Francisco sugere uma solução. “Mudar esse quadro somente será possível com o convencimento de governos e sociedades que alimento é um direito de todos.”

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11,5 milhões de brasileiros passam fome. Entrevista especial com Francisco Menezes

Em entrevista concedida por e-mail para a IHU On-Line, Francisco Menezes, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), afirma: “O mundo se depara, nesse momento, com um enorme desafio. O sistema de produção e consumo alimentar é insustentável econômica, social e ambientalmente”. Para ele, “a raiz do problema está no fato do alimento ter se transformado em mera mercadoria”. No entanto, Francisco sugere uma solução. “Mudar esse quadro somente será possível com o convencimento de governos e sociedades que alimento é um direito de todos.”

Francisco Menezes é também membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), do qual já foi presidente, e fundador e coordenador do Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional (FBSAN).

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crise alimentar: Famintos crescem 8% com alta de alimentos


Depois de uma década em queda, o número de famintos volta a subir na América Latina e no mundo. O alerta é da agência da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) que concluiu em seu recém-publicado relatório anual que a alta dos preços de alimentos fez disparar os números da fome pelo planeta. Por Jamil Chade, do O Estado de S.Paulo, 22/09/2008.

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O mundo está perdendo a batalha contra a fome


Foto de arquivo mostra catadores de lixo assando bifes para o almoço no meio do aterro sanitário conhecido como Lixão da Estrutural. Relatório divulgado ontem (18) pela FAO mostra que o problema da fome se agravou com a inflação dos alimentos Foto: Janine Moraes (Estagiária sob sup. Marcello Casal Jr/ABR

Número de desnutridos no planeta cresceu 75 milhões no ano passado e chegou a 923 milhões, cada vez mais distante dos Objetivos do Milênio, segundo as Nações Unidas. Na América Latina e Caribe, aumento foi da ordem de seis milhões.

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crise alimentar: FAO afirma que o número de famintos no mundo aumentou para 925 milhões de pessoas

O número de pessoas com fome no mundo subiu de 850 milhões para 925 milhões em 2007, por causa da disparada dos preços dos alimentos, anunciou nesta quarta-feira em Roma o diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Jacques Diouf.

“O número de pessoas subnutridas antes da alta dos preços de 2007-2008 era de 850 milhões. Este número aumentou durante 2007 em 75 milhões, alcançando os 925 milhões”, declarou Diouf em audiência nas Comissões das Relações Exteriores e de Agricultura do Parlamento italiano. Da Folha Online*, 17/09/2008 - 12h26.

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Crise mundial na produção de alimentos evoca hoje o drama vivido pela Europa durante o século 14, artigo de Manolo Florentino


[Folha de S.Paulo] Os sem-marmita - Diz-se que a época moderna teve início no século 16. Os critérios utilizados variam entre a afirmação do indivíduo e a expansão do comércio, passando por invenções, outros mares e uma nova relação entre os homens e Deus. Agrada-me mais quem encontra algumas de suas mais férteis sementes 200 anos antes, regadas por uma insidiosa inflação que, como a de hoje, a todos inquietava.

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Josué de Castro e a crise dos alimentos, artigo de Walter Belik

No momento em que comemoramos o centenário de Josué de Castro, legendário brasileiro autor de “Geografia da Fome” (1946) e primeiro presidente da FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (1952) –, precisamos nos perguntar se o mundo está melhor hoje que na sua época. Essa é uma boa oportunidade para analisar a nossa evolução dentro de uma perspectiva histórica.

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