
“Há poucas semanas, enquanto voava com minha mulher sobre Paris, pensava: ‘Os franceses estão sentados sobre uma bomba-relógio. Eles precisam desconectá-la’. O que agora estou vendo, confirma a minha convicção”. Jeremy Rifkin, o profeta da era do hidrogênio, comenta, a partir do seu escritório em Washington, a série de incidentes nucleares no país dotado das tecnologias atômicas mais confiáveis. A entrevista foi publicada pelo jornal La Repubblica, 24-07-2008.
Eis a entrevista.
Por detrás da multiplicação dos alarmes (das centrais nucleares francesas) há um fator estrutural? Há o envelhecimento de um parque nuclear central?
O problema é duplo. De um lado, pesa a decisão, não somente na França, de alongar a vida média das centrais nucleares para evitar, frente às dificuldades crescentes de construir novas plantas, o colapso da produção elétrica do setor. Neste ponto não se pode mais pensar que a ameaça somente vem do Leste. O risco atinge toda a Europa. Mas há um outro fator estrutural do qual não se fala: o elenco dos maus funcionamentos e dos desgastes nas centrais nucleares é longuíssimo mesmo no caso de novos reatores. Isso pela simples razão que estas máquinas não são seguras. E as probabilidades de um incidente catastrófico não podem ser minimizadas.
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