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Cana no Pantanal vira crise ministerial

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Ministro da Agricultura se irrita com as críticas. Meio Ambiente pode usar resolução do Conama que impede a instalação de usinas de álcool

À tarde, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, demonstrou irritação com as críticas feitas por ambientalistas, que vêem no plano de zoneamento da cana-de-açúcar uma ameaça à sobrevivência das espécies do Pantanal. Stephanes admitiu ao GLOBO que o governo vai mesmo liberar o plantio de novos canaviais nas terras elevadas da Bacia do Alto Paraguai, mas contestou a expressão Planalto Pantaneiro, usada na região e nos estudos científicos sobre o ecossistema local. Matérias de Bernardo Mello Franco, do O Globo, 27/08/2008

- Ninguém chama aquilo de Planalto do Pantanal. O que existe é a Bacia do Alto Paraguai - afirmou.

Stephanes diz que há novas usinas de álcool em estudo

Mapas oficiais mostram que a bacia ocupa áreas dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e inclui tanto a planície alagada quanto o Planalto Pantaneiro. Stephanes confirmou que a instalação de novas usinas de álcool na região também está em estudo. Mas descartou a possibilidade de que o vinhoto, um líquido tóxico liberado na fabricação do álcool, contamine os rios que correm no planalto e desça para as áreas alagadas do Pantanal.

- Vai ser feito o que for ambientalmente correto. Hoje, a questão do vinhoto não é mais problema - afirmou.

À noite, após ser informado das declarações de Stephanes, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, mudou de tom. Ele voltou a incorporar o discurso ambientalista e afirmou que não vai liberar a plantação de qualquer pé de cana na região, seja na planície alagada, no Planalto Pantaneiro ou na Bacia do Alto Paraguai. Desde sexta-feira, ele vinha dizendo que o plantio da cana seria permitido nas terras do planalto que hoje já são ocupadas por pastagens ou outras lavouras, como soja, milho e algodão.

- Não vai ter usina e não vai ter canavial. Nem na planície, nem no planalto. Não vai ter nada. Zero - afirmou Minc, por telefone.

Minc diz que acionará o Ibama, se for necessário

Minc disse que fará valer uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que impede a instalação de qualquer usina de álcool na Bacia do Alto Paraguai. Ele chegou a afirmar que acionará o Ibama, se for necessário, para impedir a instalação de novas fábricas na região.

- Independentemente de qualquer plano, qualquer implementação de usina será embargada imediatamente pelo Ibama. Isso inclui a parte de baixo e a parte de cima - afirmou, referindo-se à planície e ao planalto do Pantanal, um dos ecossistemas mais importantes do país.

Apesar da divergência de versões, Minc negou que tenha havido qualquer desentendimento entre ele e Stephanes durante a reunião a portas fechadas na Casa Civil, que se estendeu por duas horas e meia. O ministro do Meio Ambiente afirmou que a discussão ainda está em aberto e que o novo mapa da cana no país será decidido pelo presidente Lula. Ainda segundo Minc, o plano do governo federal é ampliar a área de plantio de cana para a fabricação de álcool dos atuais 7 milhões de hectares para 13 milhões de hectares.

Ministros divergem sobre plantio de cana no Pantanal

Stephanes confirma plano do governo de liberar produção nas áreas mais elevadas; Minc diz que não permitirá

Depois da reunião com a ministra Dilma Rousseff, versões diferentes sobre os planos de liberar o plantio de cana no Pantanal: Reinhold Stephanes (Agricultura) disse que está prevista a ampliação dos canaviais em áreas da Bacia do Alto Paraguai, mas Carlos Minc (Meio Ambiente) voltou atrás e disse que não permitirá o plantio.

Após uma reunião fechada com a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Agricultura) deixaram ontem o Palácio do Planalto com versões diferentes sobre os planos do governo de liberar os canaviais e aumentar a produção de álcool na região do Pantanal. Stephanes confirmou que o projeto do governo prevê a ampliação da lavoura de cana em áreas mais elevadas da Bacia do Alto Paraguai, onde correm os rios que deságuam nas áreas alagadas do Pantanal.

Minc voltou atrás e disse que, diferentemente do que havia afirmado anteriormente, não permitirá o plantio de novos pés de cana nem em áreas já degradadas do Planalto Pantaneiro.

Pela manhã, antes das declarações de Minc, a ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva (PT-AC) se disse preocupada com o assunto, e condenou qualquer plano de avanço da cana na região do Pantanal.

- Não pode haver expansão de canavial, nem no planalto, nem na planície. O ministro Minc falou que não haverá retrocesso. Espero que isso, de fato, seja mantido - disse.

[EcoDebate, 28/08/2008]


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