Anatel e Ministério das Comunicações são notificados sobre divulgação de radiação de antenas de celulares

Publicado em janeiro 25, 2012 por

Tags: saúde

 

Com o avanço da telefonia no país, difícil é encontrar uma cidade que não tenha antenas de telefone celular localizada em bairros altos ou prédios centrais. A fim de auxiliar na fiscalização e conhecimento do assunto, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou ao órgão responsável, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e ao Ministério das Comunicações (MC) uma melhor divulgação em relação a radiação que as antenas e celulares emitem – chamada radiação não-ionizante (RNI). Os dados da auditoria e as recomendações foram divulgados pelo Tribunal no início deste ano e foram pedidos pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados.

Segundo o relator do texto, Raimundo Carreiro, órgãos oficiais deveriam melhorar a informação sobre radiação não ionizante tanto junto à sociedade quanto para quem presta serviço relacionado com telecomunicações e radiodifusão. Para o relator, é preciso buscar a “comunicação amigável”, como distribuir cartilhas, palestras, informação nos sites dos órgãos na Internet.

O físico da Universidade Federal de São Carlos/campus Sorocaba, Térsio Guilherme de Souza Cruz, concorda com a necessidade de informar. “O próprio nome radiação não soa muito bem junto à população, principalmente devido aos efeitos da radiação não ionizante. Mas creio que a ideia comum é a desconfiança, daí que ninguém quer uma antena perto de casa. Mas creio se tratar de um comportamento esperado já que, na verdade, não existe consenso nem na comunidade científica sobre o risco de câncer”, diz.

As radiações são ondas eletromagnéticas que diferem entre si pela energia que carregam. São dividas em duas categorias: ionizantes e não ionizantes. Na primeira, de alta frequência, a energia pode modificar ou danificar as células humanas. O exemplo mais conhecido são as nucleares.

Já a radiação não ionizante é emitida pelos aparelhos eletroeletrônicos, como TVs, liquidificadores e celulares. A RNI contém energia fraca e não causaria danos. Mesmo assim, os malefícios desse segundo tipo de radiação ainda não tem consenso entre cientistas. Por isso, o professor apoia a iniciativa do TCU. “A população precisa receber mais informações. Do ponto de vista da divulgação científica, o assunto resgata um aspecto muito interessante com respeito ao próprio método científico: a população, bem informada, deve saber que a ciência tem dúvidas sobre o assunto”, comenta.

No meio acadêmico, radiação não ionizante causa polêmica, já que é difícil realizar estudos sobre o assunto, como isolar as causas e analisar as consequências da exposição humana aos campos eletromagnéticos. “Contudo, a OMS (Organização Mundial da Saúde) já anunciou que a radiação emitida por celulares pode causar câncer”, ressalva Cruz.

Após a notificação, a Anatel incluiu em seu site perguntas e respostas mais frequentes em relação à radiação não ionizante, como efeitos, riscos de câncer e sobre morar próximo das antenas. Também está funcionando no site da agência um sistema de monitoramento de campos eletromagnéticos em tempo real, estabelecido pela Lei 11.934 de 2009.

Já o Ministério das Comunicações informou ao TCU que a divulgação compete à Anatel. O site do MC prossegue sem nenhum tipo de informação.

A pesquisadora do Núcleo de Pesquisa e Estudos Ambientais da Unicamp, Gabriela Di Giulio, desenvolve trabalhos relacionados com comunicação de risco. Ela concorda com as recomendações sobre cartilhas, palestras e informação nos sites. No entanto, afirma não ser o bastante. “As estratégias de comunicação deveriam passar por ações de diálogo e de envolvimento da sociedade nesse debate. O diálogo com a sociedade, quando iniciado na fase ‘pré-avaliação’ de risco, permitiria por exemplo que a sociedade manifestasse suas preocupações quanto à instalação de antenas celulares, quanto aos estudos que estão em andamento ou que deveriam ser feitos, compartilhasse as decisões que vêm sendo tomadas e colocasse, inclusive, suas demandas com relação às estratégias de comunicação – estratégias diretas e indiretas, através da mídia”.

Para Gabriela Di Giulio, o problema da divulgação científica em locais com riscos acontece, em geral, tardiamente e deixa a população interessada à margem do processo. “Quando as estratégias de comunicação são pensadas e adotadas é, na maioria dos casos, para informar sobre uma condição, uma ação ou uma decisão que já foi tomada”, explicou.

Reportagem de Romulo Orlandini, da ComCiência – Revista Eletrônica de Divulgação Científica (LABJOR/SBPC) publicada pelo EcoDebate, 25/01/2012

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Comentários (1)

 

  1. Olivares Rocha disse:

    Existem estudos, não divulgados, que atestam o aumento de casos de câncer entre pessoas que moram num raio de 200 metros das antenas de celular…
    Basta fazer um senso para verificar. Conheci um médico que fez esta pesquisas de campo… tenho medo de construirem uma antena destas perto de casa…
    Quem sabe, quando inventarem um substituto economicamente viável e interessante para as antenas, não comecem a vazar os prejuízos destas, para incrementar a difusão desta alternativa???