Exaustão dos solos, artigo de Roberto Naime

Publicado em setembro 10, 2010 por

Tags: agricultura, conservação

[EcoDebate] O uso intensivo do solo com práticas convencionais, com a excessiva mecanização, tem reduzido a matéria orgânica e causado compactação. Ainda é comum, após o desmatamento, a implantação de lavouras sem adoção de práticas de conservação do solo.

Em áreas de declives os problemas são ainda mais sérios, incluindo o empobrecimento dos solos, a formação de voçorocas, a sedimentação e assoreamento nos cursos de água, destruição das estradas vicinais e enchentes e contaminação das águas.

A erosão é um grave problema e em muitos casos parece até que os agricultores fazem tudo para acelerar o empobrecimento das terras, pois as matas são derrubadas e queimadas desordenadamente, as encostas íngremes são aradas na direção da maior declividade, os pastos são superlotados com rebanhos e as terras cultivadas são submetidas a monoculturas (que reduzem a resistência dos ecossistemas e empobrecem as terras em nutrientes específicos).

Uma vez que o solo é a base fundamental de qualquer nação, a sua conservação assume grande importância econômica, sendo garantia da própria estabilidade social do país.

As conseqüências sócio-econômicas, ambientais e agrícolas da erosão são bem conhecidas. Ocorre empobrecimento do solo e queda de produtividade das lavouras, são comuns a perda de adubos, calcário, herbicidas e sementes, causando prejuízo econômico, também se registram encarecimento dos custos de produção devido ao aumento do uso de fertilizantes e corretivos e queda no valor da terra devido a presença de voçorocas e êxodo rural.

Além disto, ocorre o assoreamento de rios e represas hidrelétricas, o desgaste mecânico de turbinas pelas partículas de solo em suspensão na água da represa, a queda do poder energético pela diminuição do volume de água da represa e ainda a ocorrência de enchentes e inundações com ocorrência de epidemias.
Finalizando os moradores são expulsos devido à inundação das margens onde se localizam suas moradias e ocorre a obstrução de rodovias e impedimento nos transportes.

São impressionantes os dados sobre perdas de solo por erosão em áreas de declividade, de acordo com o tipo de atividade a que os terrenos estão submetidos. As perdas podem oscilar entre 4 kg/ano por ha (1 ha = 10.000 metros quadrados ou um terreno de 100m X 100m) para áreas com florestamentos ou culturas perenes, passando para 700 kg/ano por ha para usos em pastagens, e atingindo cifras que oscilam de 1 a 2 t/ano por ha para usos agrícolas em lavouras.

A formação de solos tem uma componente temporal importante. Os solos são a decomposição das rochas e podem se encontrar no local que se formam (solos autóctones ou residuais) ou serem encontrados fora do sítio de sua formação (solos alóctones ou aluviais), quando são transportados por agentes naturais (água nos rios, mares ou lagos ou vento).

Cada cm linear de solo leva em torno de 300 anos para ter sua formação completada ou seja haver a completa decomposição da rocha. Logo o solo tem um valor de difícil tangibilidade (avaliação). É intangível.

A conservação dos solos, maior patrimônio de uma propriedade, precisa ser concebida em termos econômicos e ambientais. Se um argumento ambiental não sensibiliza, nada mais poderoso do que um sólido argumento econômico. Como não ocorre germinação na rocha, de que vale uma propriedade sem seus solos preservados e mantidos em equilíbrio?

Roberto Naime, colunista do Portal EcoDebate, é Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS.

EcoDebate, 10/09/2010

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Comentários (1)

 

  1. Carlos Gama disse:

    Nos últimos dias foi chocante assistir pela televisão, o estado em que se encontram inúmeros animais silvestres – alguns deles em risco de extinção – por conta das queimadas autorizadas pelo Governo do Estado de São Paulo, nas áreas de canaviais. Não bastasse o anômalo novo Código Florestal, desprotegendo os mananciais e cursos d´água, vem o poder público permitir a degradação do solo, a colaboração com o efeito estufa e o ataque à saúde pública (o ar, nessas regiões, se torna irrespirável), através da oficialização das queimadas. O único intuito é dar ares de legalidade a esta prática perniciosa que só visa o aumento do lucro nos bolsos dos produtores rurais inconseqüentes.