Pecuária intensiva é uma das ferramentas contra efeito estufa

Publicado em julho 30, 2010 por

Tags: aquecimento global, mudanças climáticas, pecuária

Pasto tratado como lavoura, bem adubado e mais nutritivo permite que animal aproveite melhor o alimento

No Instituto de Zootecnia (IZ-Apta), em Nova Odessa, as pesquisas são feitas com bovinos, para avaliar e quantificar a emissão de metano. Segundo o pesquisador João José Assumpção de Abreu Demarchi, foi adaptada, há dez anos, a tecnologia de quantificação do gás gerado pelos bovinos. “Mais de 95% dos gases emitidos pelos ruminantes saem pelo arroto. Como esse metano é gerado no rúmen é chamado de metano entérico”, explica. “O boi transforma a energia do alimento em carne, leite e movimento. De 4% a 16% dessa energia perdida pelo animal vira metano.”

Por meio de convênio com a US Environmental Protection Agency (EPA), o método de quantificação foi adaptado do modelo americano para as condições de criação a pasto do Brasil, segundo a pesquisadora Magda Aparecida de Lima, da Embrapa Meio Ambiente. Reportagem de Fernanda Yoneya, em O Estado de S.Paulo.


Óxido nitroso. O próximo passo é comparar as emissões não só de metano, mas de óxido nitroso – que está relacionado à urina e fezes dos animais – e de gás carbônico em diferentes sistemas de produção. “Vamos fazer um balanço entre emissões de gases do efeito estufa e sequestro de carbono no solo pelas pastagens, por exemplo”, diz Magda.

Demarchi diz que é importante, ao avaliar o sistema produtivo, considerar o processo de forma completa, não só sob critérios pontuais. Por exemplo: um animal que come um pasto novo, com alto valor nutritivo, vai aproveitar melhor esse alimento e gerar menos metano por quilo de matéria seca ingerida do que um animal que come um pasto velho, pobre em nutrientes.

Porém, como o capim é de boa qualidade, o boi vai comer mais do que o outro. O que pode haver nesse caso é uma compensação, com dois animais consumindo alimentos diferentes e emitindo metano em quantidades semelhantes.

A diferença, porém, é que o animal que come melhor ganha peso mais rápido, é abatido mais cedo e o total de metano produzido em sua vida produtiva será menor. “É preciso analisar o processo. Mais adequado é calcular quanto de metano é produzido por quilo de carne produzida.”

Criação intensiva. Cabe ao produtor, portanto, investir na intensificação da produção para reduzir a produção individual de metano pelo animal. “Investir em uma dieta equilibrada pode reduzir em até 30% as emissões de metano”, garante Demarchi. Isso significa dar à pastagem tratamento de lavoura, com análise de solo, adubação, pastejo rotacionado, ajustando a lotação animal e colheita no ponto certo. “Um capim bem manejado pode sequestrar carbono e ajudar nessa equação.”

Para comprovar, tese de doutorado defendida em 2007 no Instituto de Química de São Carlos/USP constatou que um pasto bem manejado de Brachiaria decumbens pode armazenar até 223 toneladas de carbono; esse capim ocupa 80 milhões de hectares no País.

“Onde o manejo foi mais intensivo o sequestro de carbono foi maior”, completa o pesquisador Ladislau Martin Neto, da Embrapa Instrumentação Agropecuária.

Emissões – Quanto a agricultura contribui:

16% na emissão de CO2 é a participação da agropecuária, antecedida pelos setores de energia (58%) e processos industriais (22%).

70,5% na emissão de CH4 vem da agropecuária, cujas maiores emissões vêm de ruminantes (64,4%)

EcoDebate, 30/07/2010

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Comentários (1)

 

  1. hugo siqueira disse:

    “Um capim bem manejado pode sequestrar carbono e ajudar nessa equação.”
    Porfalar nisto, Napiê tambem sequestra? tanto quanto cana? e a florestas velhas?