Meio ambiente: é preciso agir agora!!, artigo de Ana Echevenguá

Publicado em setembro 15, 2009 por

Tags: crise ambiental

um planeta em frangalhos
Imagem: IHU

[EcoDebateCada homem é um ser social e sua sobrevivência depende do meio ambiente que o cerca. Ou seja, o homem da cidade precisa do arroz e da alface plantados pelo homem do campo. Partindo dessas premissas, podemos concluir que as lutas sociais prescindem de lutas ambientais já que buscam o mesmo objetivo: a sadia qualidade de vida de todos.

“O mundo de daqui a cinco décadas simplesmente não pode ser mantido com os atuais padrões de produção e consumo (…) Uma ampla transformação – começando nos países ricos – será necessária para assegurar que os pobres tenham a oportunidade de participar e que o meio ambiente não seja danificado de uma forma que arruíne gradualmente as oportunidades do futuro.”

Estas palavras não foram extraídas de um discurso de um ecochato. Ou de ‘O Capital’, de Karl Marx. Foram proferidas, em outubro de 2006, por Nicholas Stern, economista inglês, ex-economista-chefe do Banco Mundial, autor do “Relatório Stern”* que afirma que o prejuízo com o aquecimento do planeta é muito maior do que se imagina. E faz um alerta urgente: “É preciso agir agora”.

O desastre anunciado

De igual sorte, os entendidos que tentam estabelecer prazo de carência para a destruição das espécies são unânimes em pregar a urgência para adoção de medidas que contenham essa degradação ambiental.

Já há provas visíveis de que estamos destruindo a natureza que nos cerca. Isso comprova o que os ecochatos alardeiam desde o século passado: o homem está se matando ao matar o planeta.

Quais provas? Entre elas, estão as chuvas, tempestades, furacões e tornados que já assolaram várias regiões do mundo, inclusive a nossa bela Santa Catarina, resultantes da desertificação, do mau uso do solo e das águas, do aquecimento global do planeta provocado por emissões poluentes diversas…

Mas as medidas até agora apresentadas são paliativas. Uma delas é esse tal de Protocolo de Kyoto, com base no “mercado de carbono” ou “mercado do direito de poluir”. Quem assina este ‘acordo de cavalheiros’ pode dar continuidade às suas ações poluidoras – que não se restringem à sua base territorial – desde que comprem dos países pobres os benditos créditos de carbono.
Bom, quem não acredita em Papai Noel não pode crer nesse Protocolo para estabilizar o aquecimento global!

Soluções práticas

Cada homem é um ser social e sua sobrevivência depende do meio ambiente que o cerca. Ou seja, o homem da cidade precisa do arroz e da alface plantados pelo homem do campo. Partindo dessas premissas, podemos concluir que as lutas sociais prescindem de lutas ambientais já que buscam o mesmo objetivo: a sadia qualidade de vida de todos.

Uma das soluções pode ser a prática consciente do que nos impõe o artigo 225 da Constituição Federal: defender e de preservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações. Por quê? Porque este meio ambiente ecologicamente equilibrado é um bem de uso comum do povo e é essencial para a nossa sadia qualidade de vida.

E isso acontece à nossa volta sempre que:

- a sociedade civil organizada investe contra indústrias poluidoras;

- o usuário do transporte coletivo exige que este serviço seja mais eficiente e barato;

- o cidadão comum exige a redução da poluição sonora na sua rua;

- o contribuinte exige implantação dos serviços de saneamento básico: ele sabe que o uso da água não tratada e a falta de tratamento de esgoto podem matar seu filho.

Gente, lutar pela defesa e preservação do meio ambiente não é somente defender a baleia franca, o sapo da Juréia, a árvore da Amazônia, o degelo dos pólos… Também é brigar contra a fila do SUS e dos bancos, por praias limpas, pela proteção de áreas verdes nas cidades, contra administradores públicos corruptos…

Ana Echevenguá, advogada ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação, presidente do Instituto Eco&Ação e da Academia Livre das Água, e-mail: ana{at}ecoeacao.com.br, website: http://www.ecoeacao.com.br.

EcoDebate, 15/09/2009


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