Relatório da UNICEF identifica que partos são 300 vezes mais arriscados nos países pobres do que nos ricos

Publicado em janeiro 16, 2009 por

Tags: políticas públicas

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A diferença entre o risco de uma mulher que vive num país pobre e uma que vive num país industrializado morrer durante a gestação ou o parto representa a maior desigualdade no mundo frente à morte, destacou nesta quinta-feira Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em relatório publicado em Johannesburgo. Matéria da Agência France-Presse, com informações adicionais e complementares do EcoDebate.

As mulheres que vivem nos países menos avançados correm risco 300 vezes maior do que as dos países industrializados de morrer por complicações ligadas à gestação ou ao parto.

“Nenhuma outra taxa de mortalidade é tão grande em desigualdade”, indicou a Unicef em seu relatório anual dedicado em 2009 à saúde maternal e neonatal.

Assim, o risco de morte maternal numa vida inteira é de um em sete na Nigéria, contra um em 47.600 na Islândia. “É um dado assustador”, declarou à AFP a diretora geral da Unicef, Ann M. Veneman, durante a apresentação.

Em média, 1.500 mulheres morrem a cada dia no mundo por causa de sua gravidez, ou seja meio milhão por ano, e 95% destas mortes são na África ou na Ásia.

Um quarto destas mulheres morrem de hemorragias, 15% de infecções, 13% de complicações ligadas a um aborto, 12% de eclampsia (desregulamentação do metabolismo caracterizada pela hipertensão e por convulsões) e 8% de obstrução no trabalho.

“E para cada mulher morta em parto, 20 outras sofrem de complicações decorrentes de seqüelas duradouras”, lembrou Veneman, citando as fístulas que destroem os órgãos reprodutores para o resto da vida.

As mortes de mães pesam sobre a mortalidade neonatal que ocorre no período durante o qual a criança é mais vulnerável, ou seja os 28 dias após o nascimento.

“Aproximadamente 9,8 milhões de crianças de menos de cinco anos morrem a cada ano e 40% morrem durante seus 28 primeiros dias. Muitas destas mortes são ligadas à saúde da mãe”, insistiu Veneman.

“Os bebês cuja mãe morreu nas seis primeiras semanas de vida correm muito mais riscos de morrer antes dos dois anos do que os das mães que sobreviveram”, acrescentaram os autores do relatório. No Afeganistão, 75% dos bebês com mães mortas no parto não sobrevivem mais de um mês.

A taxa de mortalidade neonatal diminuiu 25% entre 1980 e 2000 no mundo, mas a um ritmo muito mais lento que a mortalidade entre crianças de menos de cinco anos, que beneficiaram de programas em torno do ambiente médico (distribuição de mosquiteiros, vacinação, etc.), enquanto os problemas dos recém-nascidos cabem geralmente à medicina pura.

Para lutar contra a mortalidade das mães e neonatal, a Unicef recomenda primeiro o reforço dos sistemas médicos. Aproximadamente 80% das mortes das mães podem ser evitadas se as mulheres tiverem acesso a cuidados de saúde primários ou obstétricos essenciais.

A agência recomenda ainda a adoção de “cuidados contínuos” com um acompanhamento regular das mulheres ao longo de sua vida em estruturas de fácil acesso.

“Da mesma forma é essencial formar pessoal médico, não somente cirurgiões cheios de diplomas, mas também parteiras (enfermeiras)”, acrescentou a diretora geral.

Além dos aspectos sanitários, a Unicef defende priorizar “a promoção da capacidade de autonomia das mulheres, melhorando seu acesso à educação e reduzindo as discriminações”.

Uma mulher educada geralmente tem filhos mais tarde, enquanto o risco de morrer durante um parto é cinco vezes mais elevado para as menores de 15 anos do que para as de mais de 20 anos.

A Unicef lamenta também que “nos países em desenvolvimento, inúmeras mulheres não tenham direito à palavra nas decisões relativas às suas próprias necessidades em termos de saúde.” No Mali, em Burkina Faso ou na Nigéria, mais de 70% das mulheres dizem que seus maridos tomam decisões por elas neste assunto.

* Matéria da Agência France-Presse, AFP, no UOL Notícias, 15/01/2009 – 11h15

Nota do EcoDebate: o relatório “The State of the World’s Children 2009”  está integralmente disponível para acesso e download.  Abaixo estão os links para os documentos da UNICEF:

Download do relatório na íntegra [PDF, 2.3 MB]

Download do sumário executivo [PDF, 1.0 MB]

Download dos quadros estatísticos;

Download das discussões;

Download das fotografias;

Download dos gráficos;

O quadro de debates/discussões também pode ser acessado em cada tema isoladamente, conforme abaixo:

All panels in one file [PDF, 475KB]

Panel 1.1 Challenges in measuring maternal deaths [PDF, 26KB]

Panel 1.2 Creating a supportive environment for mothers and newborns [PDF, 27KB]

Panel 1.3 Maternal and newborn health in Nigeria – Developing strategies to accelerate progress [PDF, 25KB]

Panel 1.4 Expanding Millennium Development Goal 5 – Universal access to reproductive health by 2015 [PDF, 40KB]

Panel 1.5 Prioritizing maternal health in Sri Lanka [PDF, 25KB]

Panel 1.6 The centrality of Africa and Asia in the global challenges for children and women [PDF, 122KB]

Panel 1.7 The global food crisis and its potential impact on maternal and newborn health [PDF, 61KB]

Panel 2.1 Promoting healthy behaviours for mothers, newborns and children – The Facts for Life guide [PDF, 40KB]

Panel 2.2 Primary health care – 30 years since Alma-Ata [PDF, 24KB]

Panel 2.3 Addressing the health worker shortage – A critical action for improving maternal and newborn health [PDF, 33KB]

Panel 2.4 Towards greater equity in health for mothers and newborns [PDF, 80KB]

Panel 2.5 Adapting maternity services to the cultures of rural Peru [PDF, 24KB]

Panel 2.6 Southern Sudan – After the peace, a new battle against maternal mortality [PDF, 24KB]

Panel 3.1 Eliminating maternal and neonatal tetanus [PDF, 24KB]

Panel 3.2 Hypertensive disorders – Common yet complex [PDF, 24KB]

Panel 3.3 The first 28 days of life [PDF, 27KB]

Panel 3.4 Midwifery in Afghanistan [PDF, 24KB]

Panel 3.5 Kangaroo mother care in Ghana [PDF, 33KB]

Panel 3.6 HIV-malaria co-infection in pregnancy [PDF, 26KB]

Panel 3.7 The challenges faced by adolescent girls in Liberia [PDF, 24KB]

Panel 4.1 Using critical link methodology in health-care systems to prevent maternal deaths [PDF, 24KB]

Panel 4.2 New directions in maternal death [PDF, 27KB]

Panel 4.3 Strengthening the health system in the Lao People’s Democratic Republic [PDF, 24KB]

Panel 4.4 Saving mothers and newborn lives – the crucial first days after birth [PDF, 30KB]

Panel 4.5 Burundi – Government commitment to maternal and child health care [PDF, 24KB]

Panel 4.6 Integrating maternal and newborn health care in India [PDF, 24KB]

Panel 5.1 Working together for maternal and newborn health [PDF, 27KB]

Panel 5.2 Key global health partnerships for maternal and newborn health [PDF, 27KB]

Panel 5.3 Partnering for mothers and newborns in the Central African Republic [PDF, 41KB]

Panel 5.4 UN agencies strengthen their collaboration in support of maternal and newborn health [PDF, 27KB]

Panel 5.5 Enhancing health information systems – The Health Metrics Network [PDF, 23KB]

[EcoDebate, 16/01/2009]

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