Comentário de Henrique Cortez, do Ecodebate, sobre a matéria Carne de porco contaminada da Irlanda pode ter ido para 25 países
Publicado em dezembro 9, 2008 por HC
Tags: contaminação
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Embutidos feitos de carne de porco dispostos em refrigerador de supermercado de Belfast, Irlanda do Norte. Foto da AFP
[EcoDebate] Sempre me surpreendo com hipocrisia européia. Sempre buscam argumentos protecionistas para boicotar os produtos agropecuários do terceiro mundo, mas sempre são “compreensivos” com os problemas originados da própria Europa. A matéria “Carne de porco contaminada da Irlanda pode ter ido para 25 países” é um bom exemplo deste modelo convenientemente ambíguo.
Os recentes casos de febre aftosa na Inglaterra ou da língua azul no norte da Europa são exemplos típicos deste comportamento com dois pesos e duas medidas.
Na Itália, no caso da muçarela contaminada [Ministra italiana ordena retirar lotes contaminados de muçarela de búfala. CE não adotará mais medidas contra muçarela após a resposta da Itália], a hipocrisia chega ao limite, tendo em vista a sua contaminação por dioxinas. Tudo indica que a contaminação do leite ocorreu devido a substâncias tóxicas acumuladas no terreno ano após ano, devido a uma péssima gestão do lixo na região. Mas, tudo bem, nada demais e não se fala mais nisso
No caso atual, na Irlanda, segundo a matéria, a Associação Irlandesa de Processadores de Carne Suína afirmou que a ração contaminada veio de um fornecedor e que a fonte foi isolada. E nada mais. Se fosse do seu interesse protecionista, a Irlanda estaria fazendo uma campanha internacional de denúncia contra o fornecedor, que, por ser irladês, permaneceu com sua marca sob sigilo.
Para que possam compreender melhor os riscos do consumo de um produto contaminado com dioxinas, transcrevo a descrição da Wikipédia (in http://pt.wikipedia.org/wiki/Dioxina), para que os leitores julguem por si mesmos:
A dioxina, é um organoclorado altamente tóxico, carcinogênico e teratogénico. É um dos poluentes orgânicos persistentes sujeitos à Convenção de Estocolmo.
As dioxinas são subprodutos não intencionais de muitos processos industriais nos quais o cloro e produtos químicos dele derivados são produzidos, utilizados e eliminados. As emissões industriais de dioxina para o meio-ambiente podem ser transportadas a longas distâncias por correntes atmosféricas e, de forma menos importante, pelas correntes dos rios e dos mares. Conseqüentemente, as dioxinas estão agora presentes no globo de forma difusa. Estima-se que, mesmo que a produção cesse hoje completamente, os níveis ambientais levarão anos para diminuir. Isto ocorre porque as dioxinas são persistentes, levam de anos a séculos para degradarem-se e podem ser continuamente recicladas no meio-ambiente.
A dioxina mais potente que se conhece é a 2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD).
A exposição humana às dioxinas provém quase que exclusivamente da ingestão alimentar, especialmente de carne, peixes e laticínios. Exposições extremamente altas de seres humanos às dioxinas que acontecem, por exemplo, após exposição acidental/ocupacional, juntamente com experimentação em animais de laboratório, mostraram efeitos de toxicidade no desenvolvimento e reprodutiva, efeitos sobre o sistema imunológico e carcinogenicidade. Mais preocupantes ainda são dados de estudos recentes que mostram que as concentrações das dioxinas no tecido humano, na população de países industrializados, já estão – ou estão próximos – dos níveis nos quais os efeitos sobre a saúde podem ocorrer.
Henrique Cortez, henriquecortez@ecodebate.com.br
coordenador do EcoDebate




