Crescimento entre 1995 e 2007 não se traduziu em melhorias salariais no Brasil, revela OIT
Publicado em novembro 27, 2008 por HC
Tags: desigualdade, modelo de desenvolvimento, políticas públicas
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Os ganhos de produtividade proporcionados pelo crescimento econômico nos últimos 13 anos no Brasil não se traduziram em melhorias salariais. Isso foi o que comprovou levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado no dia 25/11.
Entre 1995 e 2007, constatou o estudo, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita – soma das riquezas produzidas no país no período dividida pelo número de habitantes – atingiu 16%. No mesmo período, no entanto, a renda média dos trabalhadores do país caiu 6%, passando de R$ 1.023 para R$ 956 mensais.
A combinação de queda na renda dos trabalhadores e de crescimento da economia fez a participação dos salários no PIB cair. De 2001 a 2007, apontou o relatório, esse percentual foi de 37%. Nos Estados Unidos, os trabalhadores detêm em torno de 75% do PIB.
O estudo, no entanto, revelou que a tendência mudou nos últimos anos, embora não o suficiente para recuperar as perdas na década anterior. De acordo com a OIT, a renda média dos trabalhadores ocupados no país voltou a subir desde 2004, crescendo 15,6% desde então.
Essa alteração de rumos, segundo a organização, deve-se principalmente à política de recuperação do salário mínimo. Atualmente em R$ 415, o salário mínimo aumentou 43% desde 2004. Em relação a 2000, o valor é 50% maior, o que mostra que o crescimento se concentrou nos últimos quatro anos.
Como o salário mínimo é vinculado a vários benefícios sociais, como a aposentadoria rural e a lei de assistência orgânica, a recomposição dos últimos anos teve efeito marcante na redução das diferenças sociais no Brasil. O estudo destacou que o Coeficiente de Gini, índice que mede a desigualdade de renda e no qual o zero representa a igualdade absoluta, caiu de 0,563 em 2000 para 0,528 em 2007.
Além da relação com as políticas sociais, o estudo apontou que o salário mínimo tem efeito significante na redistribuição de renda porque incide sobre as parcelas menos favorecidas da sociedade do país, como mulheres, negros, jovens, idosos e pessoas com baixa escolaridade. Quase 30% dos trabalhadores domésticos, que representam 17% da ocupação feminina no país, ganham um salário mínimo.
Apesar dos avanços na redução das desigualdades sociais, a OIT destacou que o Brasil não progrediu no combate às diferenças de gênero. No ano passado, as mulheres, em média, ganhavam 33,9% a menos que os homens no país.
Matéria de Wellton Máximo, da Agência Brasil, publicada no EcoDebate, 27/11/2008.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/11/25/materia.2008-11-25.4251646370/view
Nota do EcoDebate: sobre este tema leiam, também: “Salários médios cresceram no mundo, mas não o suficiente, diz OIT”.
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