novembro 15, 2008

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Alimentação e medicamentos tradicionais aumentam o consumo de animais selvagens na China

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A China, reconhecidamente, é a maior responsável pela captura de animais selvagens, para fins alimentares e produção de medicamentos “tradicionais”. Relatório da Traffic, uma rede internacional monitoração do comércio de espécies selvagens, destaca que o consumo chinês está aumentando rapidamente, o que coloca diversas espécies em riscos adicionais de extinção. Por Henrique Cortez*, do EcoDebate.

O relatório “The State of Wildlife Trade in China” informa que a medicina tradicional chinesa cresce à taxa anual de 10%, com impactos nas populações de animais e de plantas medicinais, que têm diminuído rapidamente, em valores estimados de 15 a 20%.

O consumo de animais selvagens é, essencialmente, cultural e o relatório identifica que os consumidores são motivados pela crença de que alimentos ou medicamentos provenientes da natureza eram especiais, “poderosos” e despoluídos. A “pureza” natural é o argumento de consumo pela convicção de que a vida selvagem era nutritiva e tinha valor curativo.

O consumo atinge inclusive espécies ameaçadas, reconhecidas como tal na China ou nas listas internacionais de animais protegidos.

A pesquisa concluiu que 44 % dos consumidores entrevistados afirmaram ter consumido fauna silvestre nos últimos 12 meses, a maioria (36%) neste grupo havia consumidor animais selvagens como alimento, seguido de medicamentos.

A incidência do consumo de espécies altamente protegidas era mínima, com incidência de consumo de espécies menos ameaçadas e/ou protegidas.

Os consumidores de espécies ameaçadas ou protegidas o fizeram como medicamento, mais do que como comida.

Os homens foram, consistentemente, mais propensos a consumir como alimento do que as mulheres. Além disso, as pessoas com rendimentos mais elevados e os níveis educativos foram mais propensos a consumir animais selvagens como alimento.

O comércio da medicina tradicional chinesa cresce 10% ao ano, desde 2003. As exportações para a Ásia já estão avaliadas em US$ 687 milhões, mas também a Europa e a América do Norte são mercados cada vez mais importantes.

O problema central está no fato de que não existem sistemas de controle da gestão ou manejo dos recursos naturais (vegetais e animais) utilizados na produção dos medicamentos.

Diversas espécies vegetais já estão ameaçadas de extinção pelo simples fato de que não existem normas para garantir a sustentabilidade da coleta de plantas medicinais silvestres.

A produção de medicamentos tradicionais também foi responsável pela quase extinção do rinoceronte e do tigre asiático e continua ameaçando outras espécies.

O relatório “The State of Wildlife Trade in China in 2007” (PDF, 2,3 MB) está disponível para livre acesso ou download. Para acessar o relatório clique aqui.

[EcoDebate, 14/11/2008]

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