Conjuntura da Semana. Uma leitura das ‘Notícias do Dia’ do IHU de 29 de outubro a 04 de novembro de 2008
Publicado em novembro 6, 2008 por HC
Tags: conjuntura
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A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das ‘Notícias do Dia’ publicadas, diariamente, no sítio do IHU. A presente análise toma como referência as “Notícias” publicadas de 29 de outubro a 04 de novembro de 2008. A análise é elaborada, em fina sintonia com o IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT – com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
Sumário:
Crise financeira e climática
Entrelaçamento das crises financeira e ecológica
Sociedade global do risco. Estamos todos no mesmo barco
Crise do desenvolvimentismo e da esquerda
Silêncio da Igreja diante da crise financeira
A crise e a inserção subordinada do Brasil
A blindagem papel crepom
Brasil na contramão
Política brasileira pós-eleições 2008
Conjuntura da Semana em frases
Eis a análise.
Entrelaçamento das crises financeira e ecológica
A crise financeira, que estalou nos Estados Unidos em agosto de 2007 em decorrência da crise imobiliária, atraiu sobre si todas as atenções do mundo inteiro. Análises e mais análises se acumulam na tentativa de compreender o impacto e o alcance da crise sobre a economia mundial. Dada a sua inegável importância, ela também ocupou a nossa atenção nas últimas semanas, como se pode ver nas conjunturas das últimas três semanas.
Na semana passada, chamávamos a atenção para o impacto da crise financeira sobre os trabalhadores, um possível recorde mundial de desempregados no mundo e um recrudescimento do aumento das desigualdades sociais no mundo, especialmente entre os países mais pobres. E como ela vem sendo enfrentada pelo governo brasileiro.
Nota-se uma profunda sensibilidade e agilidade dos governos para com a sorte do sistema financeiro. A crise serviu para demonstrar que, caso os países ricos queiram e é do seu interesse, têm poder de decisão que já bateu todos os recordes. Em apenas poucas semanas, os Estados Unidos e a União Européia conseguiram levantar bilhões de dólares para salvar bancos e empresas que apostaram na especulação financeira.
Ao mesmo tempo, demandas históricas de países pobres, cujas urgências se arrastam há décadas – para ser generoso –, continuam sem solução. Os Objetivos do Milênio, só para tomar um exemplo, uma iniciativa da ONU para reduzir a pobreza, a fome e doenças facilmente elimináveis no mundo até 2015, estão aquém da metade da sua meta. E por absoluta falta de interesse e mobilização dos países ricos. Dois pesos e duas medidas.
Além disso, há outros temas que estão chamando a sua atenção não pela sua superexposição ao debate público, mas por sua ausência, silêncio ou incapacidade. Estamos nos referindo concretamente ao tratamento dado à crise ambiental, à ausência de um posicionamento mais claro e contundente das Igrejas, especialmente da Igreja católica, frente à crise financeiro-ambiental e à ausência de propostas para a crise financeira que superem a mera alternativa keynesianista e incorporem a perspectiva ambiental.
Ou seja, as duas crises encontram a esquerda também ela em crise, sem propostas mais ousadas, desafiadoras e, se se quiser, utópicas, isto é, não presas ao círculo de giz imposto pela “realpolitik” – a política do possível –, reminiscências do pensamento único imposto pelo neoliberalismo. Pena que tudo isso se dá num contexto em que mais se necessitaria das idéias de uma esquerda mais sonhadora e menos presa ao real.
É com a convicção de que há, hoje, uma relação umbilical entre a crise financeira e a crise ambiental que queremos trazer uma outra abordagem para a análise da crise, sempre na perspectiva da esquerda.
A segunda metade do século XX viu surgir em crescendo uma questão que se acredita hoje ser fundamental para o futuro do Planeta e da continuidade e preservação da vida e, especialmente, da vida humana neste Planeta. Nova, mas radical, a temática ambiental foi se postando no centro das preocupações de ecologistas, primeiramente, para depois se tornar central para toda a sociedade. Esse é um campo em que a tomada de consciência cresceu rapidamente, mas nem sempre acompanhada de urgentes ações práticas que a deveriam acompanhar, sob o risco de consciência e prática se separem.
A relação entre a crise ambiental e a intervenção da ação humana foi questionada até recentemente. Ainda hoje há quem ofereça resistências. Mas, as evidências da crise e da responsabilidade da ação humana no seu agravamento são cada vez mais fortes e inequívocas.
O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em fevereiro do ano passado, tem sua importância relacionada ao fato de que a sua afirmação central é categórica, sem espaço para mais dúvidas: é “inequívoco” que o aquecimento global se deve à intervenção humana sobre o planeta. O relatório, ao mesmo tempo prevê conseqüências rápidas e violentas. O estudo é fruto do estudo de 2,5 mil cientistas de 130 países e condensa as pesquisas realizadas por ambientalistas nos últimos 30 anos.
Estabelece-se uma relação entre o tipo de desenvolvimento econômico implantado, especialmente, ao longo dos últimos dois séculos, baseado no paradigma do crescimento econômico ilimitado, na idéia de progresso infinito e na concepção de que os recursos naturais seriam inesgotáveis e que a nossa intervenção sobre a natureza se daria de maneira neutra, ou ao menos, bem mais branda.
Novos estudos e pesquisas divulgados nos últimos dois anos confirmam os prognósticos. Na maioria dos casos, asseveram o quadro ambiental, colocando-nos já num limite de retorno duvidoso, caso nada for feito de maneira urgente e conjugada. Recentes relatórios atestam a insustentabilidade do nosso modo de produzir e consumir. “Essa crise ambiental não veio do nada. Não foi desastre natural, foi causada por homens”, diz, por exemplo, o britânico Nicholas Stern.
Segundo o relatório Planeta vivo 2008, divulgado no final de outubro pelo WWF, nosso consumo dos recursos naturais já excede em 30% a capacidade de o planeta se regenerar. Com outras palavras, a espécie humana já necessita hoje de 1,3 planeta para satisfazer suas necessidades e desejos de consumo. Também em outubro, a Agência Americana de Oceanos e Atmosfera deu outra informação aterradora: a temperatura no Ártico está 5°C acima da média, um recorde que demonstra uma forte diminuição do banco de gelo, provocada pelo aquecimento global.
O fenômeno, divulgado em meio a crise econômica americana, preocupa o economista e cientista político alemão Elmar Altvater, de 70 anos. Ele lamenta o fato de que a crise financeira ofusque a outra crise tão ou até mais importante que essa: a crise ambiental. “Nenhum cientista imaginou aumento da temperatura nesse patamar. E todo mundo só fala da crise financeira”, diz. Segundo ele, “o fenômeno é tão terrível quanto a questão econômica e ninguém está dando atenção”, emenda. “Não há dúvida que precisamos nos adaptar rápido a um novo tipo de vida. O mundo vive dois dramas: a crise financeira e a crise climática. As duas estão interligadas”, defende Altvater, um estudioso das relações entre economia e ecologia.
Um pouco antes, no final de 2006, na Inglaterra, foi divulgado o chamado Relatório Stern, que mede o impacto do aquecimento global na economia mundial. Nele, o seu autor, Nicholas Stern, chefe do serviço econômico do governo de seu país, discorre sobre os prejuízos econômicos no mundo com o aquecimento global, que chegam à cifra monumental dos 7 trilhões de dólares, e faz um alerta urgente: “Temos de agir fortemente nos próximos vinte anos para reduzir os riscos de que isso aconteça. Mas não há nada certo aqui. Estamos falando de investir agora para controlar e reduzir riscos de que tragédias ocorram”.
Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial, que é um liberal e, portanto, não de esquerda, aponta para a necessidade de não desvincular a crise financeira das mudanças climáticas. “A crise financeira ressalta a urgência das ações em relação às mudanças climáticas. Essa crise vem sendo gestada há 20 anos e mostra claramente que, quanto mais tempo se ignora o risco, maiores são as conseqüências”, escreve Stern. Segundo ele, a crise ambiental pode trazer graves conseqüências econômicas, se nada for feito. “Até meados deste século, o alto crescimento de carbono terá elevado as concentrações de gases-estufa até um ponto em que desastres climáticos de grandes proporções serão prováveis. Nesse ponto, correremos claro risco de sufocar o crescimento”.
Nesta semana, em São Paulo, Nicholas Stern reafirmou que os custos com o aquecimento global hoje já são mais que o dobro do previsto em seu relatório, concluído há exatos dois anos. O motivo é que as mudanças climáticas estão ocorrendo mais rapidamente do que o previsto e as emissões só têm aumentado. A previsão do Relatório Stern era de que o mundo gastaria 1% do PIB se agisse logo no combate ao aquecimento global. No final de junho deste ano, Stern alertou que os custos dobraram, pois nada foi feito e as emissões cresceram.
Sociedade global do risco. Estamos todos no mesmo barco
De acordo com a avaliação de Stern, já está claro que a capacidade de adaptação do planeta é menor do que a imaginada e os impactos econômicos poderão chegar a 2% do PIB mundial. Para Stern, a crise financeira mundial é uma prova clara de que “o risco ignorado acaba amplificado”.
Os riscos advindos da mudança climática, mas também da crise financeira nos situam, segundo o sociólogo alemão Ulrich Beck, numa “sociedade mundial do risco”. Por sociedade do risco ele entende “uma constelação na qual a idéia que guia a modernidade, isto é, a idéia da controlabilidade dos efeitos colaterais e dos perigos produzidos pelas decisões tornou-se problemática, uma constelação na qual o novo saber serve para transformar os riscos imprevisíveis em riscos calculáveis, mas deste modo produz, por sua vez, novas imprevisibilidades, o que constringe a reflexão sobre os riscos. Através desta ‘reflexividade da incerteza’, a indeterminabilidade do risco no presente se torna, pela primeira vez, fundamental para toda a sociedade”.
Esses riscos têm a característica de serem globais. “De ora em diante, nada do que acontece é somente um evento local. Todos os perigos essenciais se tornaram perigos mundiais”, diz Beck. E por essa razão, “a principal tarefa é a preocupação pelo todo”. As mudanças climáticas são um “problema global de escala sem precedentes”, dirá também Nicholas Stern. “Nenhum país pode resolver esse problema sozinho”, dirá Stern em outro momento, razão pela qual “só haverá uma mudança de rumo se todos os países agirem em conjunto”.
As crises financeira e ambiental nos dão a dimensão planetária dos acontecimentos. Os riscos decorrentes têm igualmente impactos planetários, o que nos confere a noção de que estamos todos no mesmo barco. Além disso, a dimensão humana presente nas crises nos defronta com a responsabilidade pelo presente e o futuro do nosso Planeta. O tremendo em tudo isso é que pela primeira vez na história da humanidade, o futuro está depositado em nossas mãos.
Em consonância com a dramaticidade com que a questão do aquecimento climático se apresenta, um grupo de cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançou um apelo pela redução de 80% nas emissões de gases do efeito estufa. Se o mundo conseguir implementar uma redução anual de 6% em suas emissões já a partir de 2015, será possível limitar o aquecimento do planeta em 1,4°C até 2100. Isso é suficiente para jogar mais 250 milhões de pessoas na África em situação de déficit hídrico, comprometer a sobrevivência de espécies tropicais e romper irreparavelmente geleiras na Groenlândia. Mas os efeitos podem ser muito piores se, em vez disso, o ritmo de corte for de 1% ao ano e começar somente em 2035. Nesse caso, o aquecimento será de 3,4° até 2100 – capaz de redesenhar totalmente o litoral dos cinco continentes, eliminar mais de 40% das espécies amazônicas e elevar em 40% as regiões áridas da África.
As duas crises se relacionam ainda de outra maneira. A crise financeira mundial periga cortar investimentos realizados por governos e empresas para pesquisar alternativas que façam frente à crise climática. Diante da crise, projetos socioambientais das empresas podem sofrer cortes ou mesmo interrupções.
Mas, o retrocesso nesta área mais forte até o momento é a decisão do bloco europeu de adiar até 2015 as novas regras pró-clima voltadas a carros fabricados e vendidos na Europa. A estimativa era de que os investimentos para emitir menos CO2, o principal gás-estufa, seriam equivalentes a 44 bilhões (cerca de R$ 120 bilhões) por ano. A decisão significou uma vitória das montadoras. Mais uma prova de que diante da escolha entre economia e meio ambiente, a primeira ainda tem primazia sobre este.
Outro aspecto do paradigma de desenvolvimento econômico em vigor é que ele coloca paradoxos de difícil solução. Todos estão de acordo em que a “civilização do automóvel” é insustentável a longo prazo devido ao seu impacto ambiental e social. Por outro lado, a crise financeira, que faz a economia desacelerar ou mesmo entrar em processo recessivo, agrava o problema do desemprego, que contribui para aumentar as desigualdades sociais. Ou modelo de desenvolvimento se apresenta como sistêmico, razão pela qual é difícil escapar da armadilha do círculo. Mas, quem sabe, a temática ambiental pode ser esse “campo de outra ordem” – de que fala o psicanalista Tales Ab’Saber no longo debate que teve com o economista Eduardo Giannetti – para sair desse impasse.
Crise do desenvolvimentismo e da esquerda
À luz das reflexões realizadas até aqui, se pode perceber que as saídas nacionalistas, desenvolvimentistas ou keynesianas não dão conta da complexidade do momento atual. As políticas nacionalistas e desenvolvimentistas foram desenvolvidas numa época em que a questão ambiental ainda não se colocava. Hoje, ela não pode mais ser ignorada. As políticas nacional-desenvolvimentistas são reféns de uma lógica econômica que não contempla a questão ambiental.
O que importa em última instância é o crescimento econômico. O resto é secundário. Se for possível compaginar desenvolvimento e meio ambiente, que se faça; caso contrário, que os “bagres” paguem a conta. Isso explica em parte a política do governo Lula.
Entretanto, presume-se que a própria esquerda adotou o mesmo paradigma nacional-desenvolvimentista. E tem dificuldades para enxergar além. Ela vê na crise financeira uma possibilidade de fortalecimento do Estado via políticas keynesianas, para o que nem a direita hoje oferece resistências. Pelo contrário, vê nelas uma possibilidade de seguir adiante com o capitalismo. Não que se deva simplesmente descartar essa via, mas como ultrapassá-la, como perceber a insuficiência desse tipo de política econômica.
A esquerda sempre se caracterizou pela sua contestação ao fático e a pensar, em conseqüência, o que deveria ser, a sonhar o impossível. Como diz Slavoj Zizek, “devemos voltar a ser utópicos”. No contexto atual, em que duas crises – a financeira e a ambiental – se encontram, também a esquerda está em crise. Assim, possivelmente, as crises poderão ser solucionadas sem a efetiva participação das forças de esquerda. O que seria lamentável, pois a esquerda sempre manifestou um caráter de transformação.
“É impossível evitar uma catástrofe climática sem romper radicalmente com os métodos e a lógica econômica que reinam há 150 anos”, escreveu André Gorz há pouco mais de um ano. Diante da necessidade de reduzir as emissões de CO2, para limitar o aquecimento climático global, ele dirá que “o decrescimento é um imperativo de sobrevivência”.
Gorz, já na década de 1970, alertava para a relação entre economia e ecologia, sendo, por essa razão, um dos precursores dessa temática ecológica. Segundo ele, um outro paradigma de desenvolvimento “supõe uma outra economia, um outro estilo de vida, uma outra civilização, outras relações sociais. Na sua ausência, o derrocamento só será evitado impondo restrições, racionamentos, alocações autoritárias de recursos característicos de uma economia de guerra. A saída do capitalismo, portanto, se dará de uma ou outra maneira, de modo civilizado ou bárbaro”.
Como Gorz alerta, há hoje um consenso cada vez maior em torno da necessidade de “mudança de mentalidade”, mas a natureza desta mudança, suas condições de possibilidade, os obstáculos a serem superados parecem sufocar a imaginação”. Neste horizonte, propor uma mudança dos modos de produção e de vida “é visto como algo ‘irrealista’, como se a sociedade da mercadoria, do assalariamento e do dinheiro fosse impossível de ser superada”.
Silêncio da Igreja diante da crise financeira
A crise financeira, sobretudo, é sintomático ainda do obsequioso silêncio da Igreja católica, especialmente. Tão ágil e enfática ao se posicionar diante de temas mais relacionados à moral, demora e se enterra no silêncio, quando está em jogo o destino de milhões de pessoas, particularmente, os mais pobres deste mundo.
Isso se deve, segundo o teólogo espanhol José María Castillo, pela perda da dimensão profética dentro da Igreja. O escândalo, escreve Castillo, “é que os políticos denunciam essa atrocidade da ‘economia canalha’ (Loretta Napoleoni), enquanto aqueles que se apresentam como os representantes oficiais de Cristo na terra não levantam a própria voz contra semelhante vergonha. Naturalmente, eu não tenho soluções para a situação crítica que estamos vivendo, nem posso ser eu quem ofereça soluções. A única coisa que posso (e devo) dizer é que na Igreja abundam os funcionários e faltam os profetas. E tenho a impressão que, neste momento, para fugir da confusão em que estamos, mais importante do que a consciência dos economistas é a audácia dos profetas capaz de dizer onde se situa exatamente a cobiça que, como já disse, está na raiz do desastre que estamos sofrendo”.
O grande problema, segundo Castillo, é que as autoridades eclesiásticas estão mais preocupadas em “manter as melhores relações possíveis com os responsáveis da economia e da política de cada país” e, por essa razão, “não se arriscam a levantar a voz quando temem que os interesses da religião possam ser postos em perigo”.
E, notemos, um pronunciamento, inclusive coletivo, poderia ter sido feito até porque não faltou ocasião para isso. Enquanto a crise financeira grassava pelo mundo afora, no Vaticano, cerca de 250 lideranças estavam reunidas no Sínodo dos Bispos, que, ironicamente, teve como tema central a Palavra de Deus.
Por essa razão, deve ser saudado o gesto do Comitê Executivo da Federação Luterana Mundial (FML). Reunido em Helsinque, de 24 a 26 de outubro, o Comitê divulgou comunicado em que reivindica uma análise das causas e das conseqüências da crise, denunciando a responsabilidade e a imediata prestação de contas por parte de governos, bancos, instituições financeiras, líderes empresariais e investidores.
Os dirigentes luteranos criticaram o fato de que bancos e instituições financeiras estejam sendo beneficiados através da aprovação de pacotes de resgate, enquanto a população pobre e vulnerável “suporta a maior carga”. “É doloroso observar a rapidez com que recursos financeiros massivos são mobilizados para socorrer os mercados e as instituições neste momento de crise, enquanto uma fração desses recursos não pode ser direcionada para eliminar a pobreza extrema em todo o mundo”, advertem os dirigentes da igreja luterana.
A crise e a inserção subordinada do Brasil. A blindagem papel crepom
O anúncio de que o Fed – o Banco Central americano – injetou US$ 30 bilhões na economia brasileira coloca por terra a tese da alardeada solidez da economia nacional. A operação denominada de swap (troca) de dólares americanos por reais tem como objetivo na linguagem do economês melhorar a liquidez nos mercados financeiros e fortalecer o controle do câmbio. Entre os emergentes, além do Brasil, foram beneficiados por essa linha de crédito o México, a Coréia do Sul e Cingapura.
Nos últimos anos, o Brasil vinha anunciando uma posição confortável frente à crise em função de que as suas reservas internas eram superiores a US$ 200 bilhões. O país chegou até mesmo a anunciar em fevereiro desse ano o fim da dívida externa.
Na oportunidade, o presidente Lula propagandeou o feito em grande estilo: “Não sei se vocês sentiram o orgulho que eu senti. O Brasil deixar de ser devedor para virar credor internacional, para quem chegou ao governo como nós chegamos, em que a gente não tinha crédito nem para pagar as nossas importações”.
O anúncio da linha de crédito ao Brasil de US$ 30 bilhões por parte do Fed revela que a solidez da economia nacional, apesar dos avanços realizados, não é a fortaleza que se quer crer. A injeção do Fed – pouco comentada e debatida pela grande imprensa – equivale, tendo presente as devidas nuances conjunturais, aos criticados empréstimos pontes realizados pelo FMI durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo o economista Mendonça de Barros, “é um empréstimo do FMI sem condicionalidades”.
A origem da injeção está relacionada ao fato de que “a maior parte das reservas foi formada com capital externo de curto prazo, atraído ao Brasil pelos juros altos e aqui distribuídos em ativos dotados de elevada liquidez. As reservas brasileiras são a contrapartida de um passivo líquido que, ao se mover, pode reduzi-las a pó. Enquanto o governo comemorava o ‘fim da dívida externa’, formava-se uma nova dívida mais perigosa”, diz Cesar Benjamin.
Segundo Benjamin, a operação do Fed com o Banco Central coloca a nu as mistificação sobre a nossa blindagem: “A fase aguda da crise mal começou e já tivemos de recorrer a um empréstimo de US$ 30 bilhões do Fed (o banco central dos EUA), que dispensou intermediários e passou a operar como emprestador de última instância a bancos centrais vulneráveis”. O mesmo diz o economista Ricardo Carneiro ao afirmar em entrevista especial ao IHU que “a blindagem do Brasil é falsa. É uma blindagem de papel crepom”.
O economista alerta que as reservas brasileiras não apresentam nenhuma solidez porque são resultado da jogatina do mercado financeiro. “Ao mesmo tempo em que vocifera contra o Banco Mundial, o FMI e o sistema financeiro internacional, que teria se transformado em um verdadeiro cassino segundo suas palavras, o presidente Lula vai inserindo seu governo cada vez mais profundamente na lógica da globalização financeira”, comenta Merval Pereira sobre a linha de crédito do Fed. Segundo ele, “com a linha aberta pelo Fed, o governo Lula agora estará ajudando os estrangeiros que ganharam ‘na jogatina do cassino’ a levarem seus recursos e lucros para o exterior. O que faz parte do jogo que estamos jogando, e não do jogo que Lula finge jogar”.
O jornalista esclarece a lógica da operação citando o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn que “definiu com clareza a situação dos países emergentes se referindo a ‘uma certa ironia da história’, a de que atualmente é mais atraente repatriar aos países altamente industrializados o dinheiro investido nos últimos anos com altos rendimentos nas economias emergentes, por causa das medidas aplicadas pelos dirigentes dos países ricos para sustentar os bancos nacionais em dificuldades”.
Como constata Cesar Benjamin, “desde 2002, mais de 80% do que recebemos do exterior, na forma de saldo comercial, foi enviado de volta, na forma de remessas de serviços e rendas. O pequeno saldo restante fica longe de explicar o acúmulo de cerca de US$ 200 bilhões em reservas, alardeado como sinal de solidez”. É evidente que os US$ 30 bilhões do Fed funcionam como uma salvaguarda para os especuladores que apostaram no mercado financeiro nacional.
Brasil na contramão
A subordinação à lógica financista e rentista da economia nacional fica evidenciada em outro fato da semana: a manutenção da taxa de juros no extravagante patamar de 13,75% ao ano. “A todos, exceto os beneficiários de sempre, deve estar ocorrendo perguntar o que nos torna tão particulares a ponto de irmos na contramão das decisões dos principais bancos centrais do mundo, cuja atitude, diante da ameaça de uma crise de grande intensidade, tem sido a de reduzir suas taxas de juros básicas, algumas das quais já em níveis negativos, como no caso americano”, pergunta o economista Ricardo Carneiro.
Segundo ele, “o caso é grave não só porque o Brasil trilha um caminho oposto ao das principais economias globais, mas, também, porque ao manter a taxa de juros realiza uma política contraditória com o conjunto das medidas postas em prática pelo Governo, após o agravamento da crise”. Para Ricardo Carneiro, “não é possível acreditar que num momento de crise tão grave, e de riscos de uma forte recessão global, o BC tenha apostado em uma redução ainda maior do crescimento para assegurar que no futuro longínquo a taxa de inflação se mantenha exatamente dentro da meta. Logo, a quem interessa a postura do BC?”, pergunta ele.
O mais curioso é que o presidente queria um sinal político do Banco Central, com um viés de baixa [da taxa de juros] na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) o que não aconteceu. Segundo a imprensa, “Lula avalia que o Banco Central assumiu uma posição conservadora no momento de crise e tem ficado incomodado com as notícias de que os bancos centrais de outros países baixam os juros. Para Lula, o BC brasileiro está na contramão dos bancos análogos”.
Kennedy Alencar, destaca que “se o BC insistir numa política monetária conservadora no momento de crise, Lula poderá voltar a pensar na substituição do presidente da instituição, Henrique Meirelles. No início do ano, Meirelles esteve a um passo de deixar o governo”. O jornalista comenta que “Lula autorizou que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, seu conselheiro informal, fosse convidado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para substituir Meirelles. A dúvida de Belluzzo e o agravamento da situação econômica seguraram Meirelles no posto”.
A decisão do Banco Central em não alterar para baixo a taxa de juros demonstra que apesar de Meirelles e Mantega em público demonstrarem grande afinidade no discurso ao combate da crise, há divergências. Meirelles estaria aliado a um grupo mais conservador sempre atento aos interesses do mercado financeiro e faria o jogo dos monetaristas, já Mantega se perfilaria na corrente dos desenvolvimentistas que julga necessário o Estado flexibilizar a sua ortodoxia monetária.
A manutenção da taxa de juros agrada aos bancos, ou seja, o capital financeiro, e irrita o capital produtivo. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que “é hora de o BC reagir fortemente, pressionando os grandes bancos. Quando falo em grandes bancos incluo o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a emprestarem a custos razoáveis. O Banco do Brasil está cheio de dinheiro, a Caixa Econômica Federal está cheia de dinheiro, grandes bancos particulares estão cheios de dinheiro e o mercado, não só a indústria, está com muita dificuldade de obter crédito, sejam empresas grandes ou pequenas”. Segundo ele, “nesse momento [da crise] eu diria que os grandes bancos só estão ganhando”.
Não há dúvidas que com crise ou sem crise, os bancos nunca perdem. Um dos exemplos é o Santander e os seus lucros de R$ 2,23 bilhões.
Política brasileira pós-eleições 2008
Economia e política não se dissociam. A literatura sociopolítica é abundante de casos que mostram como crises econômicas alteram profundamente o mundo da política. Na conjuntura da semana passada destacávamos que as implicações da crise mundial na economia brasileira, e o resultado das eleições no segundo turno, poderão alterar o cenário político nacional com vistas a 2010.
Com a forte chegada da crise no Brasil, o prognóstico sobre o que acontecerá daqui alguns anos fica em stand-by, embora hipóteses possam ser traçadas, inclusive até a possibilidade de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, ser o candidato à presidente de Lula. “A candidata de Lula à sua sucessão é Dilma Rousseff, certo? Em princípio, sim, e nada indica mudança de rumo por enquanto. Mas Lula, daquele jeito brincalhão dele, tem dito algo parecido com isto: ‘Aos que acham que o meu arsenal de possibilidades acabou, que esperem. Quer um exemplo? Imagine o nó na cabeça deles se lançarmos o (Henrique) Meirelles para a Presidência’”, destaca o jornalista Lauro Jardim.
O sítio do IHU vem repercutindo o resultado das eleições municipais, inclusive, com uma série de entrevistas especiais que analisam os resultados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Nordeste, entre outros.
Dentre os vários links publicados nas Notícias do Dia que analisam o resultado da eleições de 2008, encontra-se a análise de André Singer, para quem essas eleições consolidam o PT como partido do proletariado, e o PSDB, como partido da classe média. Na análise do cientista político, “o PT está se consolidando como um partido do proletariado”. Diz ele: “Se você olha para a Grande São Paulo, o PT perde na capital, que é um distrito eleitoral predominantemente de classe média, mas ganha na maioria das cidades do cinturão proletário de São Paulo – São Bernardo, Diadema, Osasco, Guarulhos. No Rio Grande do Sul, o PT perdeu em Porto Alegre, mas ganhou em Canoas; no Rio, o partido teve pouca expressão na capital, mas ganhou em Nova Iguaçu e Belford Roxo; em Minas, não disputou diretamente em Belo Horizonte, mas ganhou em Betim e Contagem”.
Ainda segundo ele, “o PSDB vai bem em Franca e São José dos Campos, que têm uma classe média forte. A grande capital que o PSDB ganhou foi Curitiba, típica cidade de classe média. A vitória dos Democratas em São Paulo é também uma vitória do PSDB”.
Para André Singer, uma futura parceria entre PSDB-PT é inviável. A sua análise, entretanto, precisa ser relativizada, uma vez que a aliança entre PT e PSDB em Belo Horizonte manifestou uma outra dinâmica por mais que haja componentes locais que expliquem o que lá aconteceu. Por outro lado, PT e PSDB estiveram na mesma chapa em mais de mil municípios nas eleições de 2008. A constatação é de que PT e PSDB estão mais próximos do que se imagina. O sociólogo Francisco de Oliveira tem manifestado outra opinião, e para ele, cada vez mais, “PSDB e o PT são as duas metades da laranja”. A sua afirmação diz respeito ao caráter ideológico que se diluiu entre as agremiações.
A direitização do PT que ruma cada vez mais para o centro é uma das explicações, por exemplo, para a acachapante derrota de Marta Suplicy em São Paulo. Na análise de Maria Inês Nassif, “é mais plausível imaginar que, na tentativa de cativar um eleitorado conservador, a campanha de Marta tenha ido tão para a direita, inclusive assumindo o julgamento moral, moralista mesmo, que tenha levado o eleitor a desconsiderar o fator ideológico na hora de votar, preferindo eleger alguém que não tivesse uma postura tão ofensiva”.
Se há discordâncias sobre a possibilidade de uma possível aproximação futura entre o PT e o PSDB, o mesmo não acontece sobre o caráter e o papel que o PMDB desempenha no quadro da política nacional. O PMDB, na análise de André Singer, é um partido da classe política e não um partido de classe. Segundo ele, “o PMDB tem características muito adequadas para abrigar lideranças políticas locais, pois tem a flexibilidade para que essas lideranças possam negociar posições junto ao governo federal e isso significa que o PMDB, ao contrário do que tem se dito, não é o fiel da balança: ele é o termômetro”. Segundo o cientista político, “o PMDB vai se inclinar para onde o vento estiver soprando. Pouco provavelmente o PMDB estará unido em qualquer das circunstâncias, como já não está unido hoje. O PMDB de São Paulo está com Serra, e o PMDB do Rio está com Lula”.
A análise de André Singer remete para o papel decisivo que o PMDB jogará nas eleições majoritárias de 2010. E nessas condições, segundo o sociólogo Leonardo Avritzer, “o maior benefício que o PMDB colhe das urnas será o preço de uma futura coalizão: Vai ficar mais caro”, referindo-se ao fato de que o partido cobrará caro o seu apoio exigindo ainda mais espaço no aparelho do Estado. O PMDB vem sendo definido como o ‘centro móvel’, apto a invadir o corpo de um governo à esquerda ou conservador, comenta Christiane Samarco.
Ainda segundo Leonardo Avritzer uma das novidades dessas eleições é a falta de capacidade do PT “convencer o eleitorado de classe média que, tradicionalmente, decide na última semana da campanha e, agora, já não vota mais no PT. No passado, os petistas entusiasmavam uma certa classe média progressista, que já não encanta mais. O PT podia até não vencer, mas chegava perto. Essa parece ser a dificuldade do PT pós-mensalão”. Para o sociólogo, o PT não conseguiu se recompor com o discurso da ética, campo político com o qual hegemonizava até 2005.
Conjuntura da Semana em frases
IU
“Isso é do que o Brasil precisa, de gente que acredita” – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, ao ser informado, domingo, 18h, por Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles da fusão dos bancos Itaú e Unibanco – O Estado de S. Paulo, 04-11-2008.
“Fusão Itaú-Unibanco: bom para o sistema, coitado do cliente” – Eliane Cantanhêde, jornalista – Folha de S. Paulo, 04-11-2008.
A centralidade do financeiro
“Em alguma outra época da história da humanidade já se atribuiu tanta importância ao econômico e financeiro como na nossa? (…) Vemos pessoas acompanhando bolsas de valores em cinco continentes, todos os dias, e às vezes elas não conhecem seu vizinho” – Eduardo Giannetti da Fonseca, economista – O Estado de S. Paulo, 02-11-2008.
“Em época de crise, se você ouvir dois banqueiros juntos, eles mentem. Se você ouvir um de cada vez, eles choram” – Elio Gaspari, jornalista, afirmando ser esta uma antiga lição do professor Delfim Netto – Folha de S. Paulo, 02-11-2008.
“Se, nessas circunstâncias, comuns ao planeta, todo mundo reduz os juros, só o BC brasileiro acerta ao mantê-los?” – Clóvis Rossi, jornalista, comentando a decisão do FED em reduzir os juros para 1% e o Banco Central em mantê-los em 13,75% – Folha de S. Paulo, 30-10-2008.
“Nas últimas três décadas, o Estado foi renegado, criou-se a idéia de que o mercado é onipotente. Só que o mercado é um ovo sem gema, e quem corre para socorrer o sistema financeiro é o Estado, que não vale nada” – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – O Globo, 01-11-2008.
“Eu tive uma alegria imensa no dia em que chamei o presidente do FMI, um espanhol chamado Rato (Rodrigo de Rato), e lhe disse: ‘Não preciso mais dos seus US$ 16 bilhões, pode levar’” – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – O Estado de S. Paulo, 01-11-2008.
Política
“A candidata de Lula à sua sucessão é Dilma Rousseff, certo? Em princípio, sim, e nada indica mudança de rumo por enquanto. Mas Lula, daquele jeito brincalhão dele, tem dito algo parecido com isto: “Aos que acham que o meu arsenal de possibilidades acabou, que esperem. Quer um exemplo? Imagine o nó na cabeça deles se lançarmos o (Henrique) Meirelles para a Presidência” – Lauro Jardim, jornalista – Veja, 05-11-2008.
“O partido tem uma vinculação cerrada com o governo Lula, da qual discordo. Tenho disposição de apoiar o governador Serra. Hoje, o pessoal está ligado ao presidente Lula porque é mais fácil. Mas tenho conversado com companheiros que gostam muito do Serra. Na hora certa, vamos começar o diálogo” – Orestes Quércia, o ex-governador paulista – PMDB – que lidera a ala oposicionista do partido – O Estado de S. Paulo, 02-11-2008.
Nas últimas eleições, o PMDB sempre apoiou candidatos dos outros partidos. Agora que saímos fortalecidos das urnas, podemos perfeitamente lançar nosso próprio candidato. O cara é tu, Sérgio” – Pedro Simon, senador – PMDB-RS, na presença de José Sarney, Garibaldi Alves e Renan Calheiros, entre outros senadores – Zero Hora, 30-10-2008.
“Sérgio Cabral (governador do Rio) é um excelente nome para ser candidato à Presidência. O PMDB deveria deixar de se apequenar” – Germano Rigotto, ex-governador do RS – PMDB – Zero Hora, 30-10-2008.
Anistia
“Torturadores e vampiros têm horror à luz, pois se alimentam das trevas, do silêncio, da escuridão. Mas não haverá pedra em cima do assunto” – Paulo Vannuchi, secretário especial de Direitos Humanos criticando o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que considera perdoados pela Lei da Anistia os crimes de tortura cometidos durante a ditadura, O Estado de S.Paulo, 31-10-2008.
Negro
“Da mesma forma que o Brasil elegeu um metalúrgico, a Bolívia, um índio (Evo Morales), a Venezuela, o Hugo (Chávez) e o Paraguai, um bispo (Fernando Lugo), seria extraordinário a maior economia do mundo eleger um negro” – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – O Estado de S. Paulo, 01-11-2008.
“Que um negro chegue à Presidência dos Estados Unidos não é pouco; que esteja à altura da história é outra coisa” – Hugo Chávez, presidente da Venezuela – Folha de S. Paulo, 04-11-2008.
“O mundo vai acordar e dormir vendo o rosto de um negro no centro do poder mundial, não nas páginas policiais, como vemos, infelizmente, no Brasil” – Paulo Paim, senador – PT-RS – comentando, emocionado, a possível vitória de Obama – O Globo, 04-11-2008.
Universidade
“Nos últimos anos, a USP vem sofrendo forte crise de liderança, a qual se manifesta em politização excessiva, de fôlego curto, distante das considerações de mérito acadêmico. Foram esquecidas as grandes questões nacionais, praticamente não se pensa o país, mas há muito interesse em cargos e favores, na perpetuação em postos da administração universitária” – Elcio Abdalla e Sílvio Roberto de Azevedo Salinas, professores titulares do Instituto de Física da USP e membros titulares da Academia Paulista de Ciências e da Academia Brasileira de Ciências – Folha de S. Paulo, 03-11-2008.
“No centro nobre da Cidade Universitária, instalaram-se pelo menos sete agências bancárias, mas não há um museu de ciências, uma bela livraria, um bom teatro ou cinema” – Elcio Abdalla e Sílvio Roberto de Azevedo Salinas, professores titulares do Instituto de Física da USP e membros titulares da Academia Paulista de Ciências e da Academia Brasileira de Ciências – Folha de S. Paulo, 03-11-2008.
Intelectuais
“Intelectuais que elogiam governos têm algum problema. Provavelmente querem um emprego” – Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em geografia – Veja, 05-11-2008.
(http://www.EcoDebate.com.br, 06/11/2008) publicado pelo IHU On-line, 05/11/2008 [IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]
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