outubro 9, 2008
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Ao portal EcoDebate
Att. Henrique Cortez – henriquecortez@ecodebate.com.br
Prezado:
Com relação à entrevista publicada dia 6 de outubro sob o título “O que pode ser feito pelo banimento do amianto?”, gostaria de esclarecer os seguintes aspectos.
Primeiro é preciso destacar que por trás da luta pelo banimento do amianto estão interesses comerciais enormes, travestidos de defesa da saúde da população. Só no Brasil, o mercado de telhas de fibrocimento com amianto crisotila movimenta cerca de R$ 2,5 bilhões ao ano. Este mercado, onde predominam empresas genuinamente brasileiras, sendo a maioria de pequeno porte, é alvo de cobiça de um grupo multinacional que pretende impor as fibras derivadas de petróleo que produz, em substituição às fibras naturais de crisotila.
Até hoje a Fiocruz, a Rede Virtual-Cidadã e a Abrea continuam dizendo que há no Brasil “milhares de pessoas doentes por causa do amianto”, mas são incapazes de emitir um documento confiável com os respectivos nomes, filiação e endereços das alegadas “milhares de vítimas”. Se o fizessem, as empresas responsáveis por esses alegados problemas de saúde ocupacional não se furtariam a providenciar tratamento para essas pessoas e amparo para suas famílias. Trata-se, portanto, de uma população-fantasma, de um número imaginário e não comprovado.
O Brasil não registra nem um caso sequer de doença relacionada com o amianto, entre os trabalhadores da cadeia produtiva de fibrocimento com amianto crisotila contratados a partir da década de 80. Isto demonstra – para infelicidade daqueles que lutam pela proibição do uso do amianto no País – que, desde que extraído, beneficiado e manuseado com os devidos cuidados, o amianto crisotila brasileiro não representa nenhum perigo para os trabalhadores nem para os consumidores de produtos como telhas e caixas d’água.
Se a União Européia optou por proibir o uso do amianto na construção civil, isto se deve a três fatores principais: as minas de amianto daquela parte do mundo se esgotaram; o amianto que produziu doenças pulmonares em milhares de trabalhadores naquele continente foi o amianto anfibólio (considerado 500 vezes mais perigoso do que o crisotila) e que foi aplicado por jateamento, ou seja, deixando as fibras do mineral soltas no ar durante o processo de produção e sem qualquer proteção aos trabalhadores; as abastadas economias da União Européia podem sem trauma substituir na construção civil o amianto por matérias-primas mais caras. Para se ter uma idéia, as telhas de cimento com fibras artificiais têm custo de produção cerca de 40% superior aos das que usam amianto crisotila.
Detalhe importante, mas sempre omitido pelos defensores da proibição do uso do amianto: a União Européia continua usando amianto crisotila para produzir cloro soda, essencial para tratar a água destinada ao abastecimento das suas cidades.
Até hoje, conforme atestam pesquisas realizadas em universidades brasileiras, não se consegue produzir telhas resistentes e de qualidade com fibras sintéticas ou escória proveniente de altos-fornos.
Atenciosamente,
Marina Júlia de Aquino, presidente do Instituto Brasileiro do Crisotila – www.crisotilabrasil.org.br
Goiânia, 08 de outubro de 2008.
Nota do EcoDebate:
A presente nota de esclarecimento refere-se à entrevista “O que pode ser feito pelo banimento do amianto? entrevista com Fernanda Giannasi“.











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