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Seca na Austrália ameaça a produção de alimentos

A seca na Austrália, na principal da região produtora de alimentos, o sistema fluvial Murray-Darling, tem piorado ao longo dos últimos dois anos, prejudicando a produção de alimentos e trazendo sérios prejuízos à economia. Por Henrique Cortez, do EcoDebate, com Agências.

A seca já prejudica, seriamente, várias culturas irrigadas, tais como arroz, uvas e horticultura. O trigo, em princípio, terá uma redução de produção, mas a safra não está totalmente perdida, porque depende, em grande parte, de chuvas durante períodos específicos.

A precipitação, até agora, é suficiente para sustentar uma forte esperança para a colheita de trigo, mas não o suficiente para permitir a reconstituição das águas subterrâneas, o que preocupa os agricultores para a próxima safra.

O registro da seca, que tem dominado grande parte do país na última década, é a pior em 117 anos, com uma “mortalidade” de 80% de eucalipto, devastando uma região tão grande como a França e a Alemanha juntas.

As chuvas de julho mantiveram viva a esperança de uma boa colheita de trigo, estimada em 23,7 milhões de toneladas, de acordo com o Australian Bureau of Agricultural and Resource Economics (ABARE). A colheita do ano passado foi de apenas 13,0 milhões de toneladas.

O sistema fluvial Murray-Darling é responsável por 41% da agricultura na Austrália, gerando US$ 21 bilhões com as exportações de produtos agrícolas para a Ásia e o Oriente Médio. Cerca de 70% da agricultura irrigada ausraliana vem da bacia. A seca já causou prejuízos estimados em US$ 20 bilhões, desde 2002.

Em agosto, a precipitação foi abaixo da média e a vazão nas barragens e rios, durante o mês, era de apenas 275 gigalitros (GL), menos de um quinto da média de longo prazo, estimada em 1.550 GL.

As barragens de armazenamento, ao longo da bacia, estão com apenas 20% da capacidade nominal.

O aumento das temperaturas, em razão do aquecimento global, também agrava a crise. Cientistas australianos, especialistas em clima, afirmam que, para cada aumento de temperatura de 1°C há uma redução na vazão dos rios da bacia Murray-Darling em até 15%, decorrente do aumento da evaporação.

Especialistas afirmam que as secas na Austrália e na África subsaariana são o primeiro indicativo da futura crise hídrica global, decorrente do aquecimento global e das mudanças climáticas.

Sobre a crescente crise de escassez de água na Austrália sugerimos que leiam, também, “Seca na Austrália ameaça o abastecimento de um milhão de pessoas

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