Prorrogação do licenciamento de usina nuclear em Nova Iorque expõe os seus danos ao meio ambiente

Publicado em setembro 2, 2008 por

Tags: energia nuclear, Henrique Cortez, licenciamento ambiental

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central nuclear de Indian Point, às margens do rio Hudson, no estado de Nova Iorque

Diversas usinas nucleares, que entraram em operação no início dos anos 70, estão propondo a prorrogação de suas licenças de operação. Licenciadas sem maiores preocupações ambientais estão, agora, expondo os seus reais impactos ambientais. É o caso da central nuclear de Indian Point, em Buchanan, às margens do rio Hudson, no estado de Nova Iorque. Por Henrique Cortez*, do Ecodebate.

Uma das questões que foram reavaliadas, no processo de prorrogação do licenciamento, foi a intensa utilização da água do rio Hudson, para o resfriamento dos reatores e os intensivos danos à ictiofauna. De acordo com J. Jared Snyder, comissário assistente do departamento de conservação ambiental (DEC, New York State Department of Environmental Conservation), o relatório é uma vitória dos críticos da central nuclear, os quais, há anos, afirmam que até 1,2 bilhão peixes e ovos são mortos, todos os anos, enquanto a central extrai continuamente água do rio para o uso como um líquido refrigerante

Por décadas, a central nuclear de Indian Point manteve firme o discurso de que seus sistemas de refrigeração não têm nenhum impacto nos peixes do rio Hudson, o que agora, é formalmente questionado pelo DEC, que afirma que a morte excessiva dos peixes é um impacto ambiental adverso.

Em maio, a comissão Riverkeeper emitiu um relatório, avaliando que, das 13 espécies de peixes do rio de Hudson, 10 epécies tinham sofrido declínios da população, desde o meados dos anos 70.

O relatório sugeriu uma variedade de causas, que incluem a exploração excessiva da água, o aquecimento global e a invasão dos mexilhões zebra, mas, igualmente, responsabilizou as centrais termelétricas, incluindo Indian Point.

A Entergy, empresa controladora da central nuclear, diz que a população de peixes continua saudável e abundante. Ela argumenta que suas telas de contenção evitam a morte de peixes na aspiração da água para refrigeração e que a água retorna segura para a maioria dos peixes adultos. A Entergy solicitou a extensão da licença para que os reatores de Indian Point possam funcionar até 2030. As licenças expiram em 2013 e em 2015.

Nos anos 70, as agências estaduais e a EPA afirmavam que o sistema de refrigeração de ciclo fechado era a tecnologia adequada para centrais como Indian Point. No entanto, agora, diante das novas tecnologias, o DEC exige o projeto de uma nova torre de refrigeração. A Entergy diz que as novas torres custariam aproximadamente $740 milhões. A Riverkeeper diz que seriam $200 milhões. A questão da exigência de novas torres e os custos reais será apresentada em processo legal, dirigido à suprema corte dos Estados Unidos.

Recentemente a Entergy enfrentou problemas de segurança na central nuclear de Vermont Yankee, em Vermon, no estado de Vermont, paralisada no dia 26/8, em razão de falha humana na operação do sistema de purificação de água para o reator.

Para acessarem as notas preliminares do Department of Environmental Conservation, sobre os impactos da central nuclear de Indian Point, cliquem aqui.

* Com informações do NY DEC, New York State Department of Environmental Conservation

[ O conteúdo produzido pelo EcoDebate é "Copyleft", podendo ser copiado e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor e ao Ecodebate, como fonte original da informação.][EcoDebate, 02/09/2008]



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