março 6, 2008
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Ao defender o crescimento econômico do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem, em Campinas (95 km de SP), países europeus que falam sobre o desmatamento da Amazônia. Lula minimizou também ocorrências de trabalho análogo à escravidão no país. Matéria de MAURÍCIO SIMIONATO e SÍLVIA FREIRE, da Agência Folha, em Campinas, publicada pela Folha Online, 05/03/2008 – 07h49.
março 6, 2008
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Não é a primeira vez que o presidente minimiza as péssimas condições de trabalho nos canaviais ou que qualifica os usineiros como “heróis”. Mas é hipócrita comparar as condições de trabalho nas minas de carvão no século XIX com o trabalho escravo e/ou degradante nos canaviais brasileiros em pleno século XXI.
março 6, 2008
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março 6, 2008
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Os órgãos ambientais vão embargar áreas onde forem constatados desmatamentos ilegais, degradação, queimada ou exploração vegetal sem permissão. Instrução normativa do Ministério do Meio Ambiente regulamentando os procedimentos administrativos em relação ao embargo de obras ou atividades desmatadoras foi publicada hoje (5), no Diário Oficial da União. Com isso, a fiscalização será feita também em empreendimentos agropecuários e florestais que, potencialmente, tenham como fornecedores proprietários que desmatam. Matéria de Lana Cristina, repórter da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 06/03/2008.
março 6, 2008
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A disputa travada no Rio Grande do Sul entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Stora Enso, empresa líder no mercado mundial de papel e celulose, caminha para o impasse. Em entrevista ao Estado, o presidente do instituto, Rolf Hackbart, disse ontem que a instalação de uma nova indústria de papel em território gaúcho, próxima à fronteira com o Uruguai, afronta a legislação brasileira. Matéria de Roldão Arruda, para O Estado de S.Paulo, 05/03/2008.
março 6, 2008
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A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das ‘Notícias do Dia’ publicadas, diariamente, no sítio do IHU e na revista do IHU. A presente análise toma como referência as “Notícias” publicadas de 27 de fevereiro a 04 de março de 2008. A análise é elaborada, em fina sintonia com o IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT – com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
Sumário:
De que esquerda falamos?
O embaralhamento entre a esquerda e a direita
A ‘nova esquerda’. A radicalidade anticapitalista
‘O melhor lixo é aquele não produzido’
As mulheres e a sociedade contemporânea
O conflito na Colômbia. Estaríamos às portas de uma guerra?
Eis a análise.
De que esquerda falamos?
O capitalismo deve ser combatido por meio de reivindicações impossíveis ou se deve almejar a conquista do poder do Estado? Quem formula a pergunta é Slavoj Zizek em provocante artigo no qual debate os rumos da esquerda mundial. Trata-se de uma pergunta instigante que remete para a essência de um debate de fundo: os projetos da esquerda para a superação do capitalismo. ‘Projetos’ – no plural porque há mais de uma concepção de esquerda.
Mudar o mundo através do Estado foi o paradigma que predominou até hoje. Quem não lembra do clássico debate entre Rosa Luxemburgo e Bernstein sobre Reforma ou Revolução? Na realidade não havia grande desacordo entre os dois. A proposta da ‘reforma’ propunha uma transição gradual do Estado através das eleições – a conquista do Estado via institucional. A outra proposta, a ‘revolução’, propunha uma transição rápida. Porém os dois enfoques se concentravam no Estado, na conquista do poder estatal. A tese que fundamenta essas concepções é simples: conquista-se o Estado que até então era um instrumento da burguesia e o transforma em um instrumento da classe trabalhadora. Antes era manipulado pelos capitalistas, agora será manipulado em, e pela, defesa dos trabalhadores.
Passados tantos anos do debate original entre Rosa Luxemburgo e Bernstein nos damos conta de que a idéia da conquista do Estado como centro irradiador da mudança foi um rotundo fracasso. Um fracasso histórico. Ambos os enfoques, o ‘reformista’ e o ‘revolucionário’ fracassaram no seu projeto de mudar radicalmente a sociedade. De um lado, os países socialistas que encetaram revoluções certamente diminuíram as desigualdades sociais, mas fizeram pouco diante da promoção da liberdade, da radicalização da democracia, da real e efetiva emancipação de todos, de criar novas relações sociais e ecológicas – o comunismo como meta. Do outro lado, as experiências social-democrata levaram ao capitalismo.
“Durante mais de cem anos o entusiasmo revolucionário da juventude foi canalizado para a construção do partido ou para pegar em armas. Os sonhos de outro mundo, ou se burocratizaram ou se militarizaram. Durante o último século, traição foi a palavra chave para a esquerda, governos traíram os ideais que o levaram ao poder”, diz John Holloway.
Na realidade, a reflexão de Holloway vale também para os primeiros anos desse século, o que dá ainda mais relevância à pergunta de Zizek formulada no início dessa análise. Senão vejamos. O que aconteceu à esquerda mundial que se apresenta como pretensamente moderna? O próprio Zizek já em 2003, olhando o que acontecia em toda a Europa afirmava que determinada esquerda se deixou fascinar pela democracia liberal. Em artigo reproduzido no CEPAT Informa n. 95, mar. 2003, Zizek dizia que “a nova esquerda da Terceira Via faz o trabalho para os liberais econômicos conservadores, desmontando o Estado de Bem-Estar, levando as privatizações até o fim etc. etc.”.
Zizek denunciava a rendição ao “pensamento único” propalado pelo capitalismo global, cuja ascensão “é apresentada como um destino contra o qual não se pode lutar – ou nos adaptamos a ele ou perderemos o passo da história e seremos esmagados. A única coisa que podemos fazer é tornar o capitalismo global o mais humano possível, lutar pelo ‘capitalismo global de face humana’”. A sua formulação cabal para o que via então: “A esquerda faz o que até mesmo a direita não foi capaz”.
No artigo de Zizek , o sociólogo volta a falar a mesma coisa: “No Reino Unido, a revolução thatcheriana foi, no seu tempo, caótica e impulsiva, marcada por contingências imprevisíveis”, porém, destaca Zizek, “foi Tony Blair quem conseguiu institucionalizá-la ou, nas palavras de Hegel, transformar (o que num primeiro momento parecia) uma contingência, um acidente histórico, numa necessidade. Thatcher não era thatcherista, era simplesmente ela mesma. Foi Blair (mais que o primeiro-ministro John Major) quem realmente deu forma ao thatcherismo”.
Ora, não foi o mesmo com matizes diferenciadas, é evidente, o que aconteceu nos EUA? Foi Clinton – um democrata com ares de esquerda – quem legitimou a ‘Era Reagan’, ou seja, o ‘Consenso de Washington’ e os valores neoliberais. O mesmo aconteceu com Miterrand na França, com Massimo D’Alema na Itália, para ficar em poucos países. O Norte do hemisfério foi engolido pelo ‘pensamento único’. Mas quem o legitimou, sobretudo, foi aqueles que se diziam de esquerda.
O mesmo aconteceu no Brasil. Quem abriu as portas para a entrada do neoliberalismo no país foi primeiro Collor e depois Fernando Henrique Cardoso, mas quem o habilitou como política de Estado foi Lula. Como explicar a afirmação do presidente nesses dias?: “De vez em quando as pessoas tentam fazer com que eu tenha uma briga com o sistema financeiro porque ele está ganhando demais. E eu digo sempre: ‘Graças a Deus, o sistema financeiro está ganhando’”, E justificou: “Porque, se ele perder, nós vamos ter de criar um novo Proer e vai ficar muito mais caro para o País”.
Ou ainda mais, como explicar o desembaraço e a tranqüilidade com que um ministro de Lula defende abertamente a privatização de tudo o que restou? Foi o que fez nesses dias o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, ao afirmar que não apenas é favorável à privatização da Infraero, mas também de outras estatais não ligadas a áreas estratégicas para a administração do país, como saúde e educação. Entre as empresas que o ministro defende serem privatizadas, estão os bancos estatais Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil e os Correios.
Nas últimas semanas causou também surpresa a maneira agressiva com que o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, agiu por dentro do governo para defender os interesses do agronegócio. Tudo isso em um governo que conquistou o Estado através de um partido que se propunha mudar profundamente a sociedade brasileira e atacar a doutrina neoliberal. O que se viu depois foi tudo diferente.
O embaralhamento entre a esquerda e a direita
Nesta perspectiva não causa estranheza o embaralhamento cada vez maior entre o PT e o PSDB. Na análise da última semana registramos que a polêmica do governo Lula de ‘zerar a dívida externa’ foi saudadA efusivamente por gente do PSDB – algo como “nós não conseguimos, mas eles conseguiram”. Nessa semana, Luiz Carlos Mendonça de Barros, o ministro de FHC que privatizou as telecomunicações, manifestou entusiasmo com a política econômica de Lula, que para ele inicia um ciclo sustentável. O ex-ministro proclama, em alto e bom som: “A economia brasileira é, agora, um foguete que venceu as forças gravitacionais e atravessou a atmosfera”.
Sobre a identidade cada vez maior do PT e do PSDB, o governador de Minas Gerais Aécio Neves, declarou que “o PSDB e o PT não precisam ser inimigos declarados por toda a vida. Nós, que já temos identidade em tantas questões, em especial nas econômicas, quem sabe não podemos estar juntos na construção de um grande projeto futuro”.
Nessa semana, a ousadia foi ainda maior. “Uma aliança entre PT e PSDB seria de grande proveito para o Brasil”, defende Marco Vinício Petrelluzzi, fundador do PSDB, ex-secretário de segurança de governos tucanos em São Paulo, Entusiasmado, ele apóia a aliança entre Aécio Neves, governador de Minas pelo PSDB e Fernando Pimentel, prefeito de Belo Horizonte, pelo PT. Segundo ele, aí pode estar “o embrião de um compromisso histórico, no mesmo sentido do defendido outrora pelo líder comunista italiano Enrico Berlinguer, que vise à consecução de uma política transformadora e ao resgate de práticas políticas fundadas na ética e nos princípios republicanos”.
A confusão entre direita e esquerda, na opinião de Marcos Nobre em artigo reproduzido no sítio do IHU essa semana, está relacionado ao uso do Estado. Segundo ele, com as lutas de massa “o Estado foi pressionado a alterar estruturalmente sua relação com a sociedade civil e o resultado foi o reconhecimento, por parcelas significativas da esquerda, de que a democracia de massas e a forma que tomou o Estado sob o capitalismo não eram meramente instrumentos de dominação, mas correspondiam também ao produto de muitas décadas de lutas de resistência e transformação social, que conseguiram, entre outras coisas, introduzir importantes direitos sociais”.
Portando, diz o filósofo, “parte da esquerda passou a ver na política institucional uma arena legítima de disputa e não apenas uma maneira de denunciar a farsa da democracia existente. Passou a ver no direito não apenas um instrumento de dominação de classe, de uniformização e limitação da ação, mas também um campo fecundo de luta por ampliação da igualdade e da liberdade. Quando isso aconteceu, parcelas significativas tanto da direita quanto da esquerda tiveram de aceitar o adversário como legítimo e não simplesmente como um inimigo a ser abatido”. Conclui ele: “Eis aí, a meu ver, a origem da confusão atual. O que embolou a distinção entre esquerda e direita foi exatamente a virtude desse processo: a aceitação do jogo democrático por importantes parcelas dos dois lados como solo político comum”.
A interpretação de Marcos Nobre ajuda a compreender a confusão que se instalou entre a esquerda e a direita, porém não dá conta do acontecimento fulcral que enredou a esquerda e nela não encontrou resistências: A colonização da economia pela política. “A economia colonizou a política”, repete sempre o sociólogo Francisco de Oliveira.
A subordinação da política à economia é um fato mundial. A economia de mercado triunfou e, na versão mais recente, poder-se-ia dizer que o mercado financeiro triunfou. É sempre ele que cada vez mais determina à política o que deve ser feito. Até as guerras precisam da permissão do mercado financeiro. “Nos EUA, é certo que decisões como a invasão do Iraque foram até mesmo planejadas no Salão Oval, mas antes o celerado Bush filho teve que pedir permissão a Alan Greenspan, o ex-todo-poderoso presidente do Fed”, destaca Francisco de Oliveira.
Para o sociólogo, “o capitalismo, em sua fase globalitária, torna inútil a política e irrelevante a participação dos cidadãos” e cita o que aconteceu com o PT: “Entre nós, mesmo a própria democratização brasileira, de que o PT foi co-autor importante, é hoje irrelevante: em lugar da transformação prometida pelos longos anos da ‘invenção democrática’, o PT e Lula transformaram-se em fiadores do capitalismo globalitário no Brasil”, diz ele.
A capitulação fica clara quando se vê os lucros dos bancos – do qual Lula dá graças a Deus – vis-à-vis ao que é aplicado nas políticas sociais. Em 2007, os R$ 20 bilhões do lucro dos quatro maiores bancos se aproximaram dos R$ 21 bilhões de todo o Orçamento social aplicado pelo governo Lula – incluindo-se a seguridade social, o Bolsa Família e os outros programas de caráter social. Na análise da semana passada registrávamos que em um mês – janeiro de 2008 – com os juros da dívida, o Brasil gastou praticamente o mesmo que utiliza para bancar o Bolsa-Família durante o ano todo.
Aliás, o poderio do mercado financeiro é analisado pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo em entrevista especial ao IHU ao afirmar que o mercado financeiro comete “abusos” e depois corre atrás do Estado para que o socorra. Segundo Belluzzo, o mercado internacional sempre acreditou que poderia cometer “qualquer insensatez que os Bancos Centrais seriam capazes de salvar o cenário”. Ora, um Estado que passa de provedor social dos pobres para provedor dos rombos financeiros dos grandes grupos, apenas se explica pela colonização da política efetuada pela economia.
É esse Estado colonizado pela economia – contestado até por Delfim Netto – que não encontra resistência por parte da esquerda. É o que constata a economista Leda Paulani em entrevista especial ao IHU: “Os interesses financeiros predominam em todos os espaços econômicos e, por isso, os governos se submetem a esses imperativos. E, como isso é muito facilmente vendido como algo que é uma expressão da seriedade, da responsabilidade com a coisa pública, então, com muita facilidade, os governos ditos de esquerda, que chegam ao poder a partir de partidos de esquerda, acabam fazendo uma política conservadora porque essas políticas liberais são facilmente tidas como responsáveis, de governos que fazem o que tem que ser feito”.
Há ainda um problema, o de ordem cultural. Holloway em sua obra Mudar o mundo se tomar o poder (2003) considera que a tomada do Estado como ponto de partida para mudar as coisas é uma luta perdida desde o início. Segundo ele, “uma vez que a lógica do poder se converte na lógica de relações de poder”. Para Holloway, “não se pode construir uma sociedade de relações de não-poder por meio da conquista do poder. Ao se chegar no que se quer, se chega também no que não se quer”. Para ele, “o que está em discussão no mudar o mundo, não é de quem é o poder, mas como criar um mundo baseado no mútuo reconhecimento da dignidade humana, de relações sociais que não sejam de relações de poder. A idéia dos marxistas clássicos (Lênin, Trotsky, Rosa Luxemburgo, Mao, Che, Gramsci); primeiro ganhamos o poder (temos aqui o manual – O que fazer de Lênin) e em seguida criamos uma sociedade valiosa para a humanidade falhou”.
A ‘nova esquerda’. A radicalidade anticapitalista
Considerando-se que o Estado se tornou refém dos interesses financeiros e é o centro irradiador de uma cultura autoritária e conservadora, retornamos aqui à pergunta de Zizek: “O capitalismo deve ser combatido por meio de reivindicações impossíveis ou se deve almejar a conquista do poder do Estado?”.
A resposta a essa pergunta auxilia na compreensão do surgimento de uma ‘nova esquerda’ que escapa à compreensão da esquerda tradicional, aliás, essa última tem dificuldade de compreender o significado dessa nova esquerda. A nova esquerda não se orienta pela tomada do Estado, tampouco enxerga nos partidos políticos e nas organizações tributárias da sociedade industrial, como o movimento sindical, o sujeito político determinante para as mudanças sociais.
Nas palavras de Zizek, a nova esquerda acredita na possibilidade de “minar o capitalismo global e o poder do Estado não por meio de um ataque direto, mas transferindo o foco da luta para as práticas cotidianas, com as quais se pode ‘construir um mundo novo’. Desse modo, as fundações do poder do capital e do Estado ficarão cada vez mais abaladas e, em algum momento, o Estado acabará desabando (o exemplo dessa visão é o movimento zapatista, no México)”, destaca ele.
Diz ainda mais sobre a nova esquerda: “Ou enveredar pelo caminho ‘pós- moderno’, transferindo a ênfase da luta anticapitalista para as múltiplas formas de disputa político-ideológica pela hegemonia, enfatizando a importância da rearticulação do discurso”. Zizek comenta ainda que a nova esquerda aposta “que é possível repetir, no nível pós-moderno, o gesto marxista clássico de incorporar a ‘negação’ do capitalismo: com a ascensão contemporânea do ‘trabalho cognitivo’, a contradição entre a produção social e as relações capitalistas tornou-se mais aguda do que nunca, sendo possível pela primeira vez a ‘democracia absoluta’ (essa seria a posição de Michael Hardt e Antonio Negri)”. Zizek de forma aguda percebe que há algo de novo na esquerda mundial.
A nova esquerda é radicalmente anticapitalista e as lutas sociais que faz emergir sinalizam para a ruptura com o capitalismo. A matriz da nova esquerda é o movimento ecológico – tem-se aqui a tese do decrescimento sugerida por Georgescu-Roegen, Ivan Illich e retomada por Serge Latouche [arquivo pdf]; a ecologia da ação proposta por Morin, o movimento de mulheres, a dignidade rebelde que se pode ver nos movimentos indígenas – como o movimento zapatista, o movimento anti-globalização, o novo olhar sobre a radical mutação do trabalho e suas consequências como analisam Negri e Gorz, avançando para a proposta da renda mínima.
A nova esquerda sinaliza para a crise civilizacional em que estamos metidos – na qual o trinômio capitalismo, trabalho e ecologia é fulcral – e sugere uma outra economia, um outro estilo de vida, uma outra civilização, outras relações sociais – um outro paradigma como destaca Alain Touraine.
Quem move, impulsiona, e dá vida às lutas radicalmente anticapitalistas, já não são mais os partidos políticos, os sindicatos. É sobretudo a multidão e sua capacidade biopolítica: “O capital quer transformar a multidão numa unidade orgânica, assim como o Estado quer transformá-la num povo. É aí, através das lutas do trabalho, que a verdadeira figura biopolítica produtiva da multidão começa a surgir. Quando é aprisionada e transformada no corpo do capital global, a carne da multidão vê-se ao mesmo tempo no interior dos processos da globalização capitalista e contra eles. Mas a produção biopolítica da multidão tende a mobilizar o que compartilha em comum e o que produz em comum contra o poder imperial do capital global. Com o tempo, desenvolverá sua forma produtiva baseada no comum, a multidão pode mover-se pelo Império e sair do outro lado, para se expressar autonomamente e governar a si mesma”, destacam Hartd e Negri no livro Império (2001: 142) .
O sítio do IHU e a revista IHU On-Line tem sido entre poucos, no Brasil, a reproduzir o pensamento inovador dessa nova esquerda. Entre os autores que estimulam um novo debate e apresentam conteúdos inovadores para a esquerda e, são citados regularmente no sítio do IHU, encontram-se Antonio Negri, Michael Hardt, André Goz (falecido no ano passado), Morin, o próprio Zizek, Giorgio Agambem, Alain Badiou, Alain Touraine – entre outros.
Recentemente a revista Cult publicou um dossiê, intitulado ‘O novo pensamento de esquerda’ em que incluía muito dos autores acima citados. Para o leitor regular do sítio do IHU a nomeação desses autores vinculados a elaboração teórica da ‘nova esquerda’ não foi uma novidade.
“O melhor lixo é aquele não produzido”
Um paradoxo acomete a nossa geração: por um lado, a consciência ecológica nunca foi tão forte e tão na ordem do dia, mas, ao mesmo tempo, nunca a procura por recursos naturais foi tão grande e tão predatória. A tal ponto que a temática ambiental se impõe como divisor de águas. E o Brasil se insere no cenário global por sua capacidade de oferecer matérias-primas para alavancar o desenvolvimento de países como a China – hoje o maior aspirador de commodities – ou para manter o modo de consumo dos países ricos. As questões relativas aos biocombustíveis, ao desmatamento, ao reflorestamento, aos transgênicos, tornam-se cruciais para compreender esta tendência mundial. São questões que, vale lembrar, retornam com freqüência nas nossas análises. Sempre consideramos que o Brasil poderia entrar no século XXI com uma política estratégica que soubesse aproveitar inteligentemente as riquezas naturais de que dispõe e não simplesmente continuar a política de inserção subordinada no cenário globalizado, processo iniciado nos governos de FHC, ainda que de outra maneira.
Um rico material selecionado nas Notícias do Dia nos faz retornar à temática ambiental, uma vez que em torno dela também se cruzam temas de fundamental importância para a economia, como a noção de desenvolvimento.
Reportamo-nos primeiramente às reflexões trazidas pelo economista francês Serge Latouche, um dos propositores do “decrescimento”, palavra que por si só causa estranheza e a recusa de muitos. As análises de Latouche são graves, mas sua pedagogia tenta mostrar as vantagens positivas de se deixar para trás um modo de vida em que a felicidade das pessoas conssite em consumir mais, para procurar as vantagens de se consumir menor, isto é, de ser feliz com menos. “Viver com menos é fácil e até divertido”, é o slogan de seu projeto e que procura propagar.
“Os poderes fortes nos chantageiam, mantêm como refém a nossa imaginação. Dizem-nos que com o decrescimento cairá sobre nós a tristeza de uma infinita quaresma. Nada disso é verdade. Inverter a corrida ao consumo é a coisa mais alegre que existe”, insiste.
Para isso é preciso se libertar da idéia de desenvolvimento, que se tornou a bem da verdade uma “mística, mitologia, religião. Um fetiche enganador que anestesia suas vítimas. O verdadeiro ópio dos povos”. Dizem-nos que para sair da crise econômica devemos trabalhar mais. Tornar-nos chineses. Que a China vá ao desastre e se afogue na poluição, são objeções irrelevantes. Vai-se em frente da mesma forma. “É desta cegueira que devemos libertar-nos”, diz Latouche.
Para ilustrar a sua idéia de desenvolvimento, mas também de trabalho que ela implica, Latouche recorre a um episódio da sua passagem pela África, onde, diz ele, “perdeu a fé” na visão ocidental de desenvolvimento: “Anos atrás encontrei um cidadão laociano. Estava sentado à beira de um campo e não fazia nada. Perguntei-lhe: o que faz? Respondeu: escuto o arroz que cresce. ‘J’écoute le riz pousser’. Reencontramos o prazer da vida, antes da ânsia de fazer”.
A discussão abordada por Latouche está perfeitamente conectada àquela levantada por André Gorz, e à qual já fizemos referência novamente nesta conjuntura, mais acima. Um dos ideários da nova esquerda, da esquerda radical, diz respeito a uma crítica radical da concepção de desenvolvimento desenvolvida ao longo da modernidade e que precisa ser revista.
“É impossível evitar uma catástrofe climática sem romper radicalmente com os métodos e a lógica econômica que reinam há 150 anos”, diz Gorz. E prossegue: “o decrescimento é um imperativo de sobrevivência. Mas ele supõe uma outra economia, um outro estilo de vida, uma outra civilização, outras relações sociais. Na sua ausência, o derrocamento só será evitado impondo restrições, racionamentos, alocações autoritárias de recursos característicos de uma economia de guerra. A saída do capitalismo, portanto, se dará de uma ou de outra maneira, de modo civilizado ou bárbaro. A questão é somente de que forma se dará esta saída e qual a cadência com que vai se dar”.
A saída civilizada da crise, diz Gorz, “conduz geralmente a propor uma necessária ‘mudança de mentalidade’, mas a natureza desta mudança, suas condições de possibilidade, os obstáculos a serem superados parecem sufocar a imaginação. Propor uma outra economia, outras relações sociais, outros modos e meios de produção e modos de vida é visto como algo ‘irrealista’, como se a sociedade da mercadoria, do assalariamento e do dinheiro fosse impossível de ser superada”.
Portanto, e nisso Gorz e Latouche coincidem, faz-se necessário questionar os pressupostos antropológicos e econômicos do capitalismo.
Está hoje em voga todo um debate em torno da necessidade de reciclar as crescentes montanhas de lixo produzido diariamente pelo mundo afora, que, aliás, periga transformar o planeta num imenso lixão. Uma das urgências é reverter o “use e jogue fora” para passou a reger a nossa sociedade, em que os produtos têm vida útil cada vez mais curta, chegando inclusive a ser de minutos, como no caso dos copos de plástico. Essa mentalidade, dizem Latouche e Gorz, precisa ser revista, pois a obsolescência dos produtos não pode continuar nesse ritmo.
A consciência do reciclar amainou a questão de fundo do problema, pois se se alcança a reciclar tudo o que é produzido, se pode continuar a produzir e consumir indefinidamente. Entretanto, a questão a descobrir é a seguinte: “O melhor lixo é aquele não produzido”, diz Latouche. Da mesma forma se poderá dizer, em relação a outra questão, a necessidade de preservar as florestas via compra de créditos de carbono: “O melhor crédito de carbono é aquele que não se emitiu”. Novamente, essa maneira de raciocinar remete à questão mais de fundo e que diz respeito ao modo de produzir e de consumir. Esses sim merecem ser repensados.
Nesta perspectiva, são bem-vindas pequenas mas significativas atitudes que mexem com o nosso cotidiano, como o uso de sacolas retornáveis e dos copos de vidro, entre muitas outras. Começa a ganhar força novamente o incentivo ao uso de sacolas retornáveis para carregar as compras dos supermercados ou de outros estabelecimentos comerciais. O governo chinês tomou a atitude mais drástica, proibindo o uso de sacolas plásticas nos supermercados. Em um único dia, os chineses gastavam 3 bilhões de sacolas, o que acabando tendo um impacto ambiental nada desprezível.
O governo brasileiro, através do Ministério do Meio Ambiente, também está iniciando uma campanha para incentivar o uso de sacolas retornáveis. A campanha “A Escolha é Sua, o Planeta é Nosso”, que será realizada entre os dias 10 e 15 de março, pretende despertar a consciência dos brasileiros para diminuir a circulação das sacolas plásticas, um dos vilões da degradação ambiental.
Qual polui menos: o copo de vidro ou de plástico? Quem de nós já não ouviu a seguinte argumentação para usar copo de plástico: ao usar o copo de vidro se gasta água e detergente, que também acaba poluindo a água. Entretanto, Gil Anderio, 67, professor do departamento de engenharia química da Poli-USP, responderia que assim mesmo é preferível usar um copo de vidro. Isso porque consumir uma bebida em embalagem durável – caso do vidro – não gera resíduos sólidos nem usa combustíveis fósseis como matéria-prima. Assim mesmo, é preferível realizar, segundo o professor, uma avaliação do ciclo de vida dos materiais.
Na ausência de uma avaliação do ciclo de vida nesse caso, Hélio Mattar, 61, presidente do Instituto Akatu, diz que o melhor é optar pelo vidro. “Para se alcançar o desenvolvimento sustentável, temos que mudar da sociedade do descartável para a sociedade do durável”, afirma. Ele lembra que os produtos descartáveis também precisam de água na sua produção. Além disso, têm custos ambientais extras, como de transporte, mesmo se forem reciclados.
Outra discussão se em relação à velocidade das mudanças climáticas e à urgência de tomar atitudes que possam evitar, ou retardar, as catástrofes. “Temos dez anos para evitar uma catástrofe climática”, diz Chris Flavin, presidente da respeitada organização Worldwatch Institute. Caso não for feito, o que se avista para o futuro é uma “catástrofe”. Diz que “estamos prestes a perder a guerra. É preciso reduzir já a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento”.
Contudo, essa análise não é compartilhada por outros cientistas, entre eles o climatologista americano Richard Lindzen, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts – MIT. Ele nega que haja consenso entre os partidários da intervenção humana nas mudanças climáticas. Contra o alarmismo, ele se apóia na tese de que estaríamos entrando numa nova era glacial, portanto, as mudanças em andamento seriam explicadas por um processo natural e não pela intervenção humana, tese defendida pelo outro grupo.
Lindzen acredita que os seres humanos não temos tanto poder para influir no clima do planeta. “Não há evidência de que podemos destruir ou salvar a Terra. Isso é balela. Um pouco de humildade nos faria bem”.
As mulheres e a sociedade contemporânea
No próximo sábado, dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Em vista desse acontecimento, o IHU preparou uma série de entrevistas e que estão publicadas na Revista IHU On-Line na edição 249, de 03-03-2008. A revista quer contribuir para debater o papel e a importância da mulher em nossa sociedade, que muda sob o impacto das tecnologias da informação.
Mais do que entrar no debate, queremos aqui remeter os leitores e leitoras para as entrevistas publicadas nesta edição da Revista. Destacamos especialmente as entrevistas da Darli de Fátima Sampaio e da Adriana Braga. Darli é mestra em sociologia e trabalha no CEPAT. Suas reflexões focam a participação das mulheres num setor fortemente afetado pelas mudanças tecnológicas e também pelas mudanças na organização do trabalho, que é o setor automotivo. Darli está convencida de que as mulheres levam para dentro da fábrica uma contribuição específica. “Este estilo está presente não só no que diz respeito ao exercício de liderança, na maturidade com relação à aprendizagem, à destreza, ao cuidado, à minúcia, ao compromisso e responsabilidade profissional, mas também no que diz respeito à sua forma de relacionar-se no trabalho. A mulher dialoga e é mais perceptiva, contribui e investe para obter um bom ambiente de trabalho, na medida em foi treinada para estar sempre mais atenta ao seu entorno e dar conta de várias responsabilidades ao mesmo tempo. Ela percebe as dificuldades e trabalha melhor com as frustrações presentes. Atua no sentido de resolver as pelejas e conflitos humanos que costumam aparecer em grupos plurais”, diz.
Além disso, ressalta Darli, “as mulheres se superam cotidianamente no mundo do trabalho com a mesma disposição, garra, perspectivas, com que tocam tudo ao seu redor. São capazes de seguir sempre adiante, sem descuidar dos aspectos, sejam eles estéticos, emocionais, afetivos de todos que estão à sua volta, não se esquecendo delas mesmas. Elas criam resistências domésticas e profissionais, burlam normas. Assumem um papel integrador, unindo o que está separado”.
Destaca também que “algumas empresas procuram destacar as ‘habilidades’ femininas a partir de uma visão essencializada de gênero. Busca-se naturalizá-las enquanto qualidades presentes nas mulheres e não enquanto resultado de um longo treinamento ao qual foram submetidas, desde muito jovens”. Ou seja, sob este ponto de vista, as ‘habilidades’ das mulheres são exploradas a serviço da maior produtividade. Entretanto, e a Darli, também mostra isso, elas podem servir de resistência”.
Adriana Braga, por sua vez, é doutora em Ciências da Comunicação, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), e professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC-Rio. Adriana faz suas reflexões a partir do viés tecnológico e dentro dele da cibercultura. “Não acredito que a possibilidade de mudança na representação feminina esteja na tecnologia, mas na cultura que utiliza esta tecnologia para se expressar”, diz.
Falando sobre o impacto da cibercultura sobre as crianças, Braga afirma: “A influência do contato com a cibercultura na formação de uma criança é e sempre será impossível de discernir ou mensurar. Qualquer característica que a criança apresente será motivada por múltiplos fatores, sendo equivocada uma redução a apenas um deles. Mas uma coisa é certa: como qualquer outra influência a que a criança esteja exposta, a atividade on-line deve ser orientada e acompanhada pelos responsáveis. A mediação familiar no consumo desses meios muitas vezes é mais importante do que o próprio conteúdo”.
Há ainda as entrevistas da pesquisadora argentina Maria Elina Estébanez, acredita que ainda não se avançou tão claramente no acionar político e na definição de políticas específicas para o sucesso da eqüidade de gênero. Entrevistamos também a antropóloga Mirian Goldenberg, que faz uma análise das transformações nos modelos familiares.
O conflito na Colômbia. Estaríamos às portas de uma guerra?
A morte do guerrilheiro Raúl Reyes, ocorrida na madrugada de sábado, dia 01 de março, não é a primeira, mas seguramente é o fato mais importante. As circunstâncias que envolveram a morte do número 2 das Farc causaram crises diplomáticas e estão angariando a atenção – e a preocupação – dos países vizinhos, da América Latina, mas também da União Européia e de organismos internacionais. As possibilidades de o incidente desembocar numa guerra são remotas, mas não descartadas.
O conflito escancara a divisão na América Latina e opõe em campos diferentes a Colômbia, aliada aos Estados Unidos, e os demais países da região, dificultando ainda mais os processos de negociação para se unir o subcontinente. “Esse é o início de uma crise política que pode dividir os países e dificultar projetos de aproximação no futuro”, diz Umberto Celli Jr., professor de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP).
A maioria dos presidentes da América do Sul desaprovou a operação de Uribe. O governo brasileiro condenou publicamente a Colômbia pelo ataque às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano, o que deixa o presidente Álvaro Uribe isolado no continente. Ao mesmo tempo, o Brasil se coloca como o principal mediador na crise aberta entre os dois países e alimentada pela Venezuela.
O único país a apoiar a ação militar de Uribe foram os Estados Unidos. Washington apóia “o governo colombiano em seus esforços para responder a essa ameaça [as Farc]“, declarou Tom Casey, porta-voz do Departamento de Estado americano. A pré-candidata democrata à Presidência dos EUA, Hillary Clinton, também concorda em que a Colômbia tem “todo o direito de se defender de organizações terroristas”.
A morte de Reyes aconteceu na madrugada de sábado em território equatoriano. O presidente de Colômbia, Alvaro Uribe, assumiu a responsabilidade pela morte de Reyes e classificou a ação como “um passo a mais na luta contra o terrorismo”. O presidente colombiano justificou o combate que matou Reyes como reação às Farc que teriam atacado militares colombianos a partir do território equatoriano.
Entretanto, esta versão de Uribe é frontalmente desmentida pelo mandatário equatoriano Rafael Correa: “Os cadáveres estavam de pijama, isto é, não houve nenhuma recepção quente. Foram bombardeados e massacrados enquanto dormiam, com uso de tecnologia de ponta, que os localizou na selva, seguramente com a colaboração de potências estrangeiras”, disse. Correa acrescentou que o ataque matou 20 membros das Farc, “quase todos em roupas de dormir, o que descarta qualquer versão de que foi uma perseguição imediata e em legítima defesa, contrariando a versão oficial colombiana”. “Os aviões ingressaram ao menos dez quilômetros em nosso território para realizar o ataque. Logo, chegaram tropas aerotransportadas em helicópteros, que culminaram a matança, inclusive se encontraram cadáveres com tiros nas costas”.
As reações mais duras à ação colombiana vieram de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, país que, assim como o Equador, faz fronteira com o território colombiano, com a diferença de que é pelo lado norte. Assim que soube do incidente, Chávez fez duras críticas a Uribe e determinou o pronto deslocamento do Exército para a fronteira com a Colômbia. Chávez advertiu que uma eventual incursão militar em seu país em busca de guerrilheiros das Farc será o equivalente a uma declaração de guerra. “Presidente Uribe, pense bem o que vai ocorrer aqui, porque seria algo sumamente grave e seria ‘causus belis’, causa de guerra, uma incursão militar na Venezuela. Não há desculpa”, disse Chávez. Além disso, Chávez fechou a Embaixada venezuelana na Colômbia e cortou relações diplomáticas. Analistas e o governo brasileiro, consideraram as atitudes exageradas, desproporcionais e perigosas.
As Farc
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) surgiram em 1964 com uma proposta revolucionária, ideário para o qual foram ganhando simpatizantes e adeptos. Hoje, porém, são uma organização extemporânea, atrasada e esclerosada. Tem uma estrutura hierárquica muito forte, mas que pode desembocar numa miríade de grupelhos assim que o chefe Manuel ‘Tirofijo’ Marulanda Vélez, codinome de Pedro Antonio Marín, desaparecer. O que pode não demorar. Ele “está muito doente, tem um limite contado de vida, que se calcula em seis a oito meses”, conta fonte confidencial que está envolvida na delicadíssima tarefa de facilitar um acordo de paz entre as FARC e o governo colombiano que inclua a liberação dos reféns da guerrilha.
Um dos prováveis cenários com a morte de Marulanda, conta a fonte, é entrarem num “processo de feudalização total. O secretariado se desestrutura e surgem muitas forças nos mandos à frente dos enclaves. Se isso acontecer não há solução, não há interlocutor”.
Segundo a fonte confidencial, a pergunta central a se fazer em relação ao futuro das Farcs é se elas “têm vontade de pacificar ou não. Se eles não acreditam que precisam da paz, esqueça. Te diria que lhe interessa uns 10% e, por outro lado, a reinserção lhes interessa muito pouco. Tem um bom negócio com a droga, não querem se transformar em agricultores, não lhes interessa romper o status quo. Mas não se trata de um dilema insolúvel. É preciso perceber as oportunidades”.
A forma hierarquizada tem suas vantagens, ao menos para fora. Raúl Reyes, pseudônimo de Luis Édgar Devia Silva, morto no ataque de sábado em ação que matou 17 ou 20 guerrilheiros e um soldado colombiano, era o porta-voz das Farcs e considerado o número 2 da organização. Era também o principal articulador das Farc. Reyes era apontado por analistas como a face mais civilizada da liderança da guerrilha, em oposição ao dirigente ‘Mono Jojoy’ – morto no ano passado -, que intensificava as operações de seqüestro e os vínculos com o narcotráfico.
Além disso, Reyes era também o maior interlocutor dos guerrilheiros com o governo da França nas conversações para a libertação dos reféns políticos mantidos pelas Farc. Aliás, o governo francês, através do diplomata francês Fabrice Delloye, referindo-se à morte de Reyes acredita que se trata de “sabotagem” por parte do governo colombiano. “É sabotagem, um golpe do presidente Uribe que torna ainda mais difícil qualquer possibilidade de encontrar uma solução humanitária para salvar a vida dos seqüestrados e de Ingrid”, disse.
Ataque colombiano envolveu alta tecnologia e brasileira
Da operação realizada pelo exército colombiano contra guerrilheiros das Farc, um aspecto chama a atenção e que merece uma análise. A manobra realizada pelo exército colombiano na selva equatoriana só foi possível graças à utilização da mais alta tecnologia. No ataque foram usados dois caças fabricados no Brasil, pela Embraer, os turboélice Super Tucano, rebatizado A-29B na Força Aérea da Colômbia (FAC). O ataque aéreo foi feito de noite contra um alvo escondido na floresta: objetivo dificílimo, mas possível graças ao equipamento eletrônico moderno das aeronaves.
O A-29B leva 1,5 tonelada de cargas de ataque, mais duas metralhadoras .50. A tripulação de dois pilotos (arranjo escolhido pela FAC) tem ao seu redor o mesmo pacote de recursos eletrônicos encontrado a bordo de caças da última geração – inclusive sistemas de visão noturna.
Além disso, a operação valeu-se do benefício de uma das tecnologias que os EUA repassaram às Forças Armadas da Colômbia, que foi o rastreamento eletrônico das comunicações.
O ataque foi feito, pelo que se sabe, com bombas brasileiras do tipo cluster: elas se abrem no ar e fazem chover 2.200 flechas metálicas de 1,3 gramas sobre o alvo. A FAC usa também a mesma classe de armas com até 60 pequenas granadas de fragmentação de fabricação americana e francesa. Essas bombas estão no centro de uma polêmica internacional. O problema desse tipo de munição, segundo os movimentos contrários ao uso dessas armas, é que muitas submunições não explodem e ficam indefinidamente no solo, até se desintegrarem por causa de chuvas fortes ou da aproximação acidental de animais ou pessoas, com tragédias semelhantes às causadas por minas terrestres. O governo brasileiro mostrou-se contrário à discussão.
Manobra foi uma aplicação da “guerra preventiva”, tese defendida pelos EUA
Entretanto, o mais grave em tudo isso, segundo alguns analistas, é o uso da tese da “guerra preventiva” subjacente ao ataque e baseada na doutrina da “guerra ao terror”. “O Exército colombiano está operando com o conceito de guerra preventiva. Uribe está comprometido com uma guerra profunda e definitiva contra as Farc. Em seu conceito estratégico, estaria disposto a sacrificar as relações com países vizinhos, sacrificar a vida dos reféns, se isso for conduzir ao que ele considera que é um bem maior, o extermínio das Farc, pleito de meio século. É a lógica bélica pura. Ele se baseia na confiança de que, com ajuda dos EUA e da União Européia, em alguns meses ou anos vai reparar as relações com os vizinhos. Entra na conta de danos colaterais”, conta o analista chileno Raúl Sohr.
E destaca que “foi uma atividade calculada, com grande aparato de inteligência, como disse Uribe. Eles calcularam os custos e decidiram lançar a operação. Com o apoio dos EUA, a Força Aérea colombiana é hoje muito precisa e efetiva. Foi uma ação extraordinariamente exitosa para Uribe e a morte de Raúl Reyes é um grande troféu. Ele teve algumas vitórias contra as Farc, como liberação de estradas nacionais. A economia está bem. O momento interno para Uribe não poderia ser melhor”.
No caso de um eventual conflito militar, especialistas acreditam que a Colômbia estaria melhor equipada militarmente em termos de equipamentos bélicos e de recursos humanos treinados. Por conta disso, levaria vantagem sobre a Venezuela e o Equador.
Segundo reportagem do Estadão, “essa condição foi atingida por meio do Plano Colômbia, mantido pelos Estados Unidos, ao custo de US$ 4,15 bilhões em sete anos. O pacote de apoio incluiu helicópteros Black Hawk em versões sofisticadas, treinamento especializado em bases dos EUA, preparação física, disciplina e adequação de material. Corporações militares privadas como a DynCorp, a ManTech, TRW e Matcom, foram contratadas para cuidar do diferencial: a produção de informações de inteligência. Uma rede de sete radares de vigilância funciona em toda a área sensível, no interior do país e nas fronteiras da Venezuela e Equador (…) A vigilância é feita também por aviões eletrônicos como o RC-7, comprado em 2001, e os grandes Awacs americanos”.
Além disso, o poderio militar colombiano é reforçado com máquinas brasileiras, como os blindados sobre rodas, Urutu e Cascavel, modernizados por empresas americanas, helicópteros e a frota dos Super Tucanos, da Embraer.
O lacônico é que a modernidade brasileira, a modernidade técnica, é posta a serviço de projetos imperialistas e de dominação. Mais, é uma modernidade forjada, no caso da Embraer, mas também da Petrobrás – ver a este respeito os acontecimentos na Bolívia há alguns anos – pelo Estado.
março 6, 2008
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O mundo presenciou algumas condições climáticas de inverno extraordinárias em ambos os hemisférios no ano passado: neve em Johannesburgo em junho e em Bagdá em janeiro, o gelo do oceano Ártico retornou com ímpeto vigoroso depois de uma derrocada recorde no verão passado, nevascas paralisantes na China, e uma queda considerável na temperatura média do globo. Por Andrew C. Revkin, do NY Times, publicado pelo UOL Notícias, Mídia Global [Vejam também nota do EcoDebate]
março 6, 2008
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março 6, 2008
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[EcoDebate] “Minha renda mensal vinda da energia solar é de mil Euros. Se não fosse essa energia, essa propriedade não existiria. Além disso, é minha aposentadoria no futuro”. Foi assim que o agricultor alemão me resumiu o papel que a energia solar tem na sua propriedade e na vida de sua família.
Ele tem quase cem placas de energia no telhado de seu galpão, onde cria suas vacas confinadas. A energia é captada, imediatamente convertida em outro tipo de energia por dispositivos que estão em seu galpão e despejada na rede. Nada dessa tecnologia vista no Brasil que armazena a energia em baterias. O governo alemão lhe paga 0,50 de Euros por cada quilowatt produzido. Mostrou-me o gráfico e o total produzido no ano era de 25 mil quilowatts. Portanto, renda anual de 12,5 mil Euros.
Toda vez que vejo essa experiência alemã fico me perguntando porque o Brasil não busca a transferência dessa tecnologia e não a implanta no teto das casas de nossa população do Nordeste. Mesmo que seja cara, há que se começar. É o futuro. Já imaginaram, com 9 horas de sol por dia, qual não seria a diferença da renda de nossos agricultores? Já imaginaram que revolução não seria na vida de nossa população? Por que ainda Bolsa Família? Por que ainda programas sociais assistenciais? Todos seriam produtores de energia. Ainda mais, não precisariam estar ocupando seus solos para produzir agrocombustíveis para automóveis. No telhado de suas casas estariam produzindo energia, captando água de chuva e nos solos produzindo alimentos.
Diferente foi ver a situação dos produtores de biogás. Também funciona. A usina era tocada apenas por dois agricultores. Nos mostraram todo o sistema de produção. Energia limpa. Mas estão encontrando um problema. A matéria prima de sua produção energética é uma espécie de milho. Ocupa espaço de outras culturas. Já são 35 mil usinas em todo o país. Mas agora, devido à diminuição do espaço para outros produtos agrícolas, o preço do trigo triplicou. Então, conforme as leis do mercado, os fornecedores do milho para o biogás estão preferindo ocupar o espaço para o trigo. Os produtores de biogás estão em dúvida até quando o preço vai compensar para continuarem a produzir biogás.
Essas duas experiências de agricultores alemães são muito ilustrativas para o que se passa no Brasil atual. Nossos agricultores – uma parcela menor – está sendo chamada a produzir biodiesel. Alguns assentamentos já estão mesmo entrando para produzir cana para o etanol. Entretanto, poderiam estar produzindo energia elétrica a partir do sol, de seus telhados, caso o Brasil decidisse investir realmente na mudança de sua matriz energética e também no modo de produzi-la. Quem sabe nesse intenso debate que acontece sobre a relação dos agrocombustíveis e produção de alimentos, um setor da classe política realmente se interesse pelo potencial de energia solar e eólica que o Brasil tem. Poderíamos efetivamente democratizar sua produção e o retorno da renda para a população produtora. Aí, sim, estaríamos entrando em uma nova era.
Roberto Malvezzi (Gogó) é Assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT, colaborador e articulista do EcoDebate
março 6, 2008
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El agua es el líquido sin color e insípido que cubre aproximadamente el 71% de la tierra. El noventa y siete por ciento del agua en la tierra es agua salada y el otro tres por ciento es agua dulce. El agua pura es un recurso renovable, sin embargo puede llegar a estar tan contaminada por las actividades humanas, que en ves de ser útil, se convierte en nociva.

El agua es el líquido sin color e insípido que cubre aproximadamente el 71% de la tierra. El noventa y siete por ciento del agua en la tierra es agua salada y el otro tres por ciento es agua dulce. Está compuesta de hidrógeno y oxígeno. La mayor parte del agua dulce esta congelada en el Polo Norte y Polo Sur. Cerca de la tercera parte del agua dulce está en ríos, en los acuíferos y en las vertientes que forman parte del agua potable. El agua pura es un recurso renovable, sin embargo puede llegar a estar tan contaminada por las actividades humanas, que en ves de ser útil, se convierte en nociva.
El agua esta considerada contaminada cuando sus características naturales están alteradas de tal modo que la hace parcial o totalmente inadecuada para el uso al que estaba destinada.
Este elemento no sólo es parte esencial de los seres humanos, también es imprescindible para los demás seres vivos tanto vegetales como animales. El agua contribuye al bienestar general en todas las actividades humanas. Se utiliza mayormente como elemento indispensable en la dieta de todo ser vivo y ésta es uno de los pocos elementos sin los cuales no podría mantenerse la vida. Por todo esto el agua ofrece grandes beneficios al hombre, pero a la vez puede transmitir enfermedades.
El cólera, el tifus y la hepatitis infecciosa son algunas de las principales enfermedades transmitidas por bacterias que viven en el agua. Otras enfermedades son transmitidas por otros organismos que se reproducen en el medio líquido, por lo general aguas sin movimiento, como las aguas estancadas, y que transportan estas bacterias. Algunos ejemplos de estas enfermedades son el paludismo o la malaria, la enfermedad del sueño y la fiebre amarilla.
Los principales contaminantes del agua son:
• Agentes patógenos: Bacterias, virus, protozoarios, parásitos que entran al agua provenientes de desechos orgánicos.
• Desechos que requieren oxígeno: Los desechos orgánicos pueden ser descompuestos por bacterias que usan oxígeno para biodegradarlos. Si hay poblaciones grandes de estas bacterias, pueden agotar el oxígeno del agua, matando así las formas de vida acuáticas.
• Los nutrientes vegetales: Pueden ocasionar el crecimiento excesivo de plantas acuáticas que después mueren y se descomponen, agotando el oxígeno del agua y de este modo causan la muerte de las especies marinas conocida como zona muerta.
• Sedimentos o materia suspendida: Partículas insolubles de suelo que enturbian el agua, y que son la mayor fuente de contaminación.
• Sustancias químicas inorgánicas: Ácidos, compuestos de metales tóxicos (Mercurio, Plomo), envenenan el agua.
• Sustancias químicas orgánicas: Petróleo, plásticos, plaguicidas, detergentes que amenazan la vida.
• Sustancias radiactivas: Que pueden causar defectos congénitos y cáncer.
• Calor: Ingresos de agua caliente que disminuyen el contenido de oxígeno y hace a los organismos acuáticos muy vulnerables.
Si tomamos el ejemplo de la Argentina, observaremos que casi toda el agua que consumen, proviene de los mismos cuerpos de agua en los que son evacuados los residuos cloacales e industriales. La concentración de diversos elementos de contaminación –materiales pesados, bacterias, nitratos e hidrocarburos- que se producen en diferentes lagos, lagunas y ríos de la Argentina, superan largamente las cifras consideradas peligrosas.
No es casual que los ríos Paraná, Salado del Norte, Salado del Sur, Carcarañá, de la Plata y Colorado se inscriban entre los más contaminados de la Tierra.
La Argentina no posee medidas de control adecuadas para el tratamiento y disposición de aguas servidas, residuos peligrosos sólidos y desechos industriales domiciliarios, que finalmente terminan contaminando cuerpos de agua superficiales y subterráneos. Se cuenta con información que determina que importantes y numerosos cuerpos de agua se encuentran afectados por aguas servidas, con intensos procesos de eutroficación debido a la falta de depuración. El mayor problema es las áreas urbanas que reciben contaminantes al por mayor desde todas partes. Una de cada cuatro camas de un hospital está ocupada por pacientes que tienen enfermedades contraídas por el agua. La contaminación del agua actúa lentamente y genera enfermedades de todo tipo, no sólo trastornos infecciosos. El agua transporta metales y sustancias tóxicas que van acumulándose en los organismos hasta afectar de diferente manera los diversos tejidos corporales.
La contaminación de las aguas de superficie provenientes de las aguas residuales industriales y de aguas negras sin tratar es una de las causas principales de daños a la propiedad (en combinación con las inundaciones), pérdidas de espacios para recreación y daños ecológicos alrededor de las principales áreas urbanas y de varios lagos interiores. En varios lugares del interior del país –como Rosario y Córdoba- los cuerpos de agua se han contaminado hasta el punto de afectar los trabajos de las plantas para su tratamiento. Podemos tomar el caso del Lago San Roque, abastecedor del agua de la ciudad de Córdoba, en la Provincia de Córdoba, es un lago empachado por la materia orgánica, algas, virus y bacterias, es decir, experimenta el problema de la eutrofización. Hay proyectos para hacer plantas de tratamiento para las principales localidades, pero la descarga sigue creciendo. No hay ningún sistema de tratamiento funcionando.
La cuenca Riachuelo-Matanza en la Provincia de Buenos Aires, con sus 2.240 kilómetros cuadrados y sus tres millones de habitantes, de los cuáles sólo el 45% posee cloacas y el 65% tiene agua potable (1.700.000 personas utilizan pozos negros o cámaras sépticas), es uno de los símbolos nacionales de la polución.

Tres mil empresas vuelcan a diario y desde hace años sus residuos tóxicos o no tóxicos, sólidos o líquidos, sin ningún tipo de tratamiento o con tratamiento insuficiente. Las industrias farmacéuticas, químicas y petroquímicas aportan el 30% de la contaminación, la industria de las bebidas alcohólicas y curtiembres el 3%. A estos volcamientos se agregan los afluentes cloacales. En conjunto, recibe a diario 368.000 metros cúbicos de residuos industriales, nada menos que el doble del caudal mínimo promedio del río; esta carga constituye una peligrosa que destruye cada gota de agua transformándola en una explosiva gota de contaminación. Los lodos del Riachuelo poseen grandes concentraciones de cromo, cobre, mercurio, cinc y plomo. Las mayores concentraciones de cromo y plomo se encontraron en los límites de los municipios de Avellaneda y Lanús en la Provincia de Buenos Aires.
Hidrocarburos como el benceno, naftaleno, antraceno y tolueno, entre otros, abundan en las aguas y aparecen esplendorosos en sedimentos de los ríos y arroyos cercanos a destilerías e industrias petroquímicas como las que se encuentran en los cursos de agua del área Berisso-Ensenada.
En las zonas urbanas y rurales del noroeste de la Provincia de Buenos Aires, el acuífero Puelche –reconocido como uno de los más grandes del mundo- presenta diferentes niveles de contaminación con nitratos y bacterias coliformes. La sección superior arde de basura tóxica. La descarga es meteórica y el agua puede transportar sustancias asociadas con los pozos ciegos, los basurales y los nitratos residuales. El partido del conurbano bonaerense, densamente poblado, el agua del Puelche presenta concentraciones de nitratos hasta tres veces mayores a los límites permitidos. El canal oeste de los municipios Berisso y Ensenada, Provincia de Buenos Aires, languidece. En ningún caso las plantas depuradoras son suficientes, los tratamientos que debieran efectuar las empresas antes de volcarlos a los cauces son entre deficientes e inexistentes. El conjunto de basuras es letal: metales pesados, compuestos orgánicos e inorgánicos.
Por otro lado, la empresa “Aguas Argentinas” estimó que fluyen 2.300.000 de m3 de aguas negras sin tratar –por día- en el río de la Plata. A ellas, se suman 1.900.000 de m3 diarias de descargas industriales del Área Metropolitana de Buenos Aires. En el caso de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires, la repercusión principal recae en que las normas de calidad del agua ambiental se exceden constantemente de la franja de los 300 metros continuos a la costa del río de la Plata, impidiendo el uso recreativo (por insalubre) de las playas que antaño fueron tan importantes para sus habitantes .
La mayor parte del agua que consume la población proviene de los mismos cuerpos en los que son evacuados los efluentes cloacales e industriales. Dada la falta de tratamiento de los mismos, la población termina consumiendo agua potable de calidad dudosa o a un alto costo de purificación.
La contaminación de las aguas subterráneas debe considerarse como el problema de contaminación más importante de la Argentina, más que nada debido a la exposición a los riesgos de salud de una gran parte de los hogares.-incluyendo una gran proporción de los de bajo recursos- que dependen del agua subterránea para sus necesidades diarias.
No por estar escondidas bajo tierra las aguas subterráneas están liberadas de las descargas, el área más crítica es la Metropolitana de Buenos Aires, por la gran cantidad de gente afectada y por la baja cobertura de infraestructura en las municipalidades más apartadas. La principal fuente de contaminación son los tanques sépticos y, en menor medida, las aguas residuales industriales.
El recurso agua es cada vez más apreciado, tanto para uso doméstico industrial o agrícola. Su escasez, sobre todo en las zonas áridas y semiáridas, la sitúan como prioridad vital para el desarrollo de las poblaciones: Si no hay agua, no hay vida. Muchos son los programas emprendidos para el uso racional del vital líquido; sin embargo; gran parte de ellos adolecen de objetividad, ya sea por su difícil aplicación o por el elevado costo que representan; es más, se ataca el problema desde puntos de vista sofisticados, se piensa que el modelo más complicado es el mejor; sin embargo existen oportunidades valiosas que están a nuestro alcance, que solo requieren ser visualizadas, un tratamiento técnico simple y conciencia de todos
Está claro que cuando se habla de la actual crisis y del futuro de este recurso, las aguas están divididas. Mientras tanto, el planeta se agrieta y millones de niños mueren cada año, producto de la escasez y la contaminación. El agua dulce de alta calidad es limitada, de ahí la necesidad de una gestión integral en la que estén representados todos los usuarios del agua. El manejo efectivo debe asegurar el mejor uso de los recursos disponibles, prevenir la contaminación y reducir los conflictos que usualmente genera el acceso al agua dulce. Todo ello requiere el establecimiento de políticas y estrategias claramente definidas, así como la elaboración de reglamentos y mecanismos para controlar la contaminación del agua.
Publicado originalmente pelo EcoPortal, Arg, www.ecoportal.net
* Cristian Frers es Técnico Superior en Gestión Ambiental y Técnico Superior en Comunicación Social










