janeiro 24, 2008
Comentários desativados
A área desmatada na Amazônia entre agosto e dezembro de 2007 pode ser o dobro dos 3.235 quilômetros quadrados desmatados anunciados ontem (23) pelo Ministério do Meio Ambiente. A estimativa maior pode ser explicada pelas diferenças entre os dois sistemas de monitoramento da floresta.Por Marco Antônio Soalheiro, repórter da Agência Brasil.
Segundo o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Gilberto Câmara, os dados preliminares não refletem a totalidade da devastação ocorrida na região. “São apenas uma parte do que está acontecendo. Neste período não temos imagens de satélite detalhadas. O Inpe chama a atenção do governo para que tome medidas de prevenção cabíveis”, afirmou Câmara em entrevista concedida ao lado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
O Inpe trabalha com dois sistemas de monitoramento da Amazônia: um que detecta o desmatamento em tempo real (responsável por apontar os dados preliminares) e outro com imagens de satélite mais minuciosas, que divulga resultados anuais. Como a variação média entre o levantamento preliminar e o consolidado chega a 40%, o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Capobianco, acredita que o desmatamento real nos últimos cinco meses possa chegar a 7 mil quilômetros quadrados.
Segundo Capobianco, o aumento deu-se em meses atípicos e pode ser uma antecipação de algo previsto para 2008, por causa da estiagem, ou significar a retomada efetiva do desmatamento na região. “Trabalhamos com a pior hipótese”, admitiu.
O secretário ressaltou que, entre agosto de 2006 e agosto de 2007, foi registrada a segunda menor taxa de desmatamento anual da história da Amazônia. “Queremos garantir que esta conquista se mantenha”, ressaltou.
Capobianco citou medidas que serão colocadas em prática pelo MMA para diminuir a derrubada de árvores. Entre elas, a definição de uma lista suja de municípios, onde estarão proibidas autorizações de novos desmatamentos, e o embargo de propriedades que fizeram corte ilegal da floresta, para impedi-las de comercializarem produtos. “O monitoramento será feito por radar. Se os produtores desobedecerem aos embargos, os compradores respondem solidariamente”, explicou.











Sem comentários
Ainda sem comentários.
Faça seu comentário, de acordo com as regras
Os comentários estão encerrados.